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Capitalismos

Joao Luiz Mauad
Emeio a declarações bombásticas, como “o capitalismo faliu a sociedade” ou “precisamos redesenhar o modelo”, foi realizado em fins de janeiro, o Fórum Econômico Mundial, versão 2012, que, segundo os organizadores, buscava “novos modelos para reformar o capitalismo” (quanta pretensão!).

Emeio a declarações bombásticas, como “o capitalismo faliu a sociedade” ou “precisamos redesenhar o modelo”, foi realizado em fins de janeiro, o Fórum Econômico Mundial, versão 2012, que, segundo os organizadores, buscava “novos modelos para reformar o capitalismo” (quanta pretensão!).

 
Ao ler esses disparates, tem-se a nítida impressão de que o Fórum de Davos se parece cada vez mais com o famigerado Fórum Social Mundial. Mais alguns anos e os socialistas do FSM nem precisarão mais gastar dinheiro com sua patuscada anual em Porto Alegre. A trupe dos Alpes - composta de lideranças políticas, empresariais e acadêmicas -, ela mesma a responsável primária pelos problemas atuais dessa coisa disforme que ainda insistem chamar de capitalismo, fará todo o serviço por eles.
 
Foi Marx quem deu nome ao modelo de organização econômica que substituiu o feudalismo e o mercantilismo. O capitalismo, entretanto, não foi criado por nenhuma mente brilhante, nem parido em saraus intelectuais que visavam mudar o mundo ou a natureza humana.  Ao contrário, surgiu como resultado natural dos processos sociais de divisão do trabalho e trocas voluntárias, realizados num ambiente de liberdade até então poucas vezes visto ao longo da história.
 
Os economistas clássicos chamavam-no de laissez-faire. O governo era um mero coadjuvante, cujo papel limitava-se a fazer cumprir os contratos, proteger a vida e a propriedade dos cidadãos. As maiores virtudes desse modelo, na visão de Adam Smith, eram a liberdade de empreendimento e o governo limitado – este último um antídoto contra as arbitrariedades, os desmandos e as falcatruas inerentes ao poder político. Em resumo, o sistema pouco dependia das virtudes dos bons governantes, enquanto os danos causados pelos maus eram mínimos.
 
Por conta de um desses grandes paradoxos da vida, no entanto, o livre mercado preconizado pela Escola Clássica, embora tivesse trazido volumes de riqueza inauditos aos países que o abraçaram, foi sendo paulatinamente substituído, principalmente no decorrer do século XX, por um novo arranjo institucional, na verdade uma teratologia apelidada de capitalismo de estado.
 
O processo de substituição foi bastante facilitado pelo fato de que muito poucos estavam dispostos a defender, politicamente, o capitalismo liberal. Não é de admirar. O liberalismo, afinal, é muito arriscado, pouco previsível e totalmente incontrolável, seja por empresários, políticos ou acadêmicos.  Tal modelo, embora possibilite uma acumulação coletiva extraordinária de riqueza, está longe de ser um caminho seguro  para o sucesso individual.
 
No capitalismo de estado, por outro lado, o governo é capturado por grupos de interesse que o utilizam para promover a transferência de riqueza e status. Num processo lento, mas ininterrupto, castas influentes e bem articuladas obtêm privilégios especiais, contratos, empregos, benefícios fiscais, créditos baratos, resgates e proteções diversas, sempre às custas do imposto alheio. No fim e ao cabo, haverá mais parasitas que  hospedeiros. O resultado final dessa loucura não é fácil de antever, mas os cenários possíveis são pouco animadores: desemprego em massa, hiperinflação, revolução,  guerra ou alguma combinação.
 
Embora seja muito difícil ao bom senso aceitar que certos vícios pessoais - gastos maiores que a renda; endividamentos progressivos; intromissão siatemática na vida alheia - possam ser virtuosos quando praticados por governos, o que se vê atualmente é o mais absoluto desprezo às virtudes da prudência e da parcimônia, bem como às liberdades individuais, tão caras aos economistas clássicos.
 
Diariamente, os jornais dão conta de salvamentos bancários, injeções maciças de recursos públicos em empresas falidas, torrentes de dinheiro despejadas no sistema, além da produção de centenas de milhares de novas regulamentações. Apesar disso, os arautos do capitalismo de estado, na ilusão de que todos os problemas econômicos podem ser resolvidos pela vontade política, insistem em que o mundo precisa de ainda mais supervisão, mais gastos e mais regulação, o que fatalmente redundará em mais corporativismo e mais favorecimento.
 
Os defensores da espiral intervencionista, no entanto, se esquecem que hoje vivemos o amanhã de ontem. E, malgrado esta quimera que chamam de neoliberalismo, para qualquer lado que se olhe, nos últimos 80 anos, só enxergamos o inchaço dos estados. Na realidade, se o capitalismo de estado fosse essa panacéia toda, jamais teríamos mergulhado noutra crise.
 
Publicado por O Globo em 07/02/2012
 



 
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COMENTÁRIOS
26/05/2012
(Hugo Siqueira)

KEYNESIANOS Os carros continuam abarrotando os patios das montadoras e não aparece comprador. Queda de 10% em abril e continua em maio: vão ter de fazer liquidações como as da caixa: promoções de inverno. Os deputados quizeram roubar a cena da presidente com a maquiagem do texto aprovado por consenso no Senado. Aliás, um bom texto do comunista Aldo Rebelo que surprendeu agradando a gregos e baianos. Agora que a presidente está empenhada na baixa dos juros da Selic; tentando desmontar a bomba relógio da previdência, cabe a ela representar a ópera bufa da Rio+20 (que nome ridículo!!!) onde vão se apresentar as figuras pitorescas desta nova seita. Se já não bastassem as ameaças apocalípticas da eternidade das seitas religiosas às quais ninguem mais dá crédito, vamo ter de aturar as profecias dos gurus do meio ambiente, estas sim, muito mais ameaçadoras da vida concreta e que, até hoje, felizmente não se cumpriram (Malthus, Clube de Roma e tantas outras bobagens). Por aqui ? vale a pena ver de novo ? a reedição da velha cena desbotada que não cola. Com o afrouxamento do compulsório vão acabar revertendo a tendência de queda na Selic ? anunciado como algo em torno de ½ por cento ? dado o aumento da inadimplência e ameaça de greves e + inflação. O quê se poderia esperar desta unanimidade de sindicalistas, ruralistas e evangélicos. Eles que têm prática que se entendam: vão ter de tomar conta do galinheiro.
 
21/05/2012
(Hugo Siqueira)

O liberalismo praticado pelas empresas e indivíduos dentro do país e tão criticado pelos governos populistas, se assemelha à globalização. Espontaneamente, sem que os países de origem interfiram, empresas multinacionais se ajustam às regras dos países receptores das mais diversas ideologias, crenças e religiões, buscando complementaridade, como no caso do Leste Asiático. Aqui, ocorreu na década de 50 e persiste até os dias de hoje com as montadoras e indústria eletromecânica.
 
21/05/2012
(Hugo Siqueira)

Quis custodiet ipsos custodes. Deixado ao sabor do acaso os participantes encontram o que desejam por lei de oferta e procura sem a interveniência de nenhum ente protetor. Já o capitalismo de estado, invenção de seitas e utopias, tenta planejar e é neste ponto que os interesses de grupos entra cena para tirar proveito próprio às custas dos contribuinte, corrompendo o poder centralizado.
 
20/05/2012
(Hugo Siqueira)

O capitalismo não obra de nenhum iluminado. Foi obra do acaso inventado pelos 13 estados fundadores dos Estados Unidos que queriam se ver livres dos impostos do estado centralizado que sobrou após independência. O Capitalismo ? nomeado por Marx ? é tão caótico quanto sistemas físicos da natureza. Não pode ser direcionado ? como é o desejo dos planejadores ? porque não obedece às regras simplórias de causa e efeito, próprias das seitas religiosas e utopias. O efeito são demorados e muito separadas no tempo e espaço para que possam ser previstos. É um sistema caótico de riscos que depende de retroalimentação, como a previsão do tempo.
 
20/05/2012
(Hugo Siqueira)

O capitalismo de estado no Brasil conseguiu juntar o que existe de pior em matéria de posição ideológica: contrários e velhos colaboradores do regime militar; herdeiros e antigos comunistas/ integralista perseguidos pela ditadura getulista; Stalinistas e comunistas de fachada; oligarquias rurais; partidos evangélicos, legendas de aluguel; de direita, esquerda e centro misturado num verdadeiro balaio de gatos. A base de sustentação do governo acabará em um estado que tende para o imobilismo e unanimidade como PRI mexicano e o velho Peronismo renascente.
 
09/02/2012
(Osmar Neves)

Infelizmente isso não é casual, é a aplicação deliberada do hegelianismo à esfera econômica, o capitalismo de estado como síntese da tensão entre livre mercado (tese) e socialismo (antítese). Os metacapitalistas são a nova classe, os líderes do coletivismo oligárguico no século XXI.
 
08/02/2012
(Agapito Costa)

“O Orçamento Nacional deve ser equilibrado. As Dívidas Públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir a falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública.” Marcus Tullios - Roma, 55 aC. Foi divulgada em Zero Hora de 25 de agosto de 2011 uma reportagem donde a nossa presidente diz o seguinte: Brasil não é “Roma antiga.” O que não deixa de estar correto, como podemos ver não temos mais homens com visão e dignidade de “Marcus Tullios.”
 
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Redação: Paulo Zamboni
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