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Sem medo da “destruição criadora”
- Joao Luiz Mauad
“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais esperto... Mas o melhor adaptado”. (Charles Darwin)   Acentenária companhia fotográfica americana Eastman Kodak apresentou, perante um tribunal de Nova York, pedido de concordata com vistas a reorganizar seus negócios, informou a empresa, no último dia 19, através de comunicado em seu site.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais esperto... Mas o melhor adaptado”. (Charles Darwin)   Acentenária companhia fotográfica americana Eastman Kodak apresentou, perante um tribunal de Nova York, pedido de concordata com vistas a reorganizar seus negócios, informou a empresa, no último dia 19, através de comunicado em seu site.

A Kodak, graças à invenção do filme fotográfico em rolo, pelo fundador da empresa, George Eastman, liderou o mercado de fotografia – bem como o de cinema – por várias décadas. Com o advento da tecnologia digital e o acelerado desenvolvimento desse mercado, no entanto, os produtos tradicionais da Kodak tornaram-se rapidamente obsoletos, sem que a empresa demonstrasse a necessária agilidade para adaptar-se aos novos tempos.
 
Um detalhe que pouca gente sabe – e que torna este caso ainda mais interessante – é que foi a própria Kodak, utilizando um novo tipo de sensor eletrônico desenvolvido pela Bell Labs, quem fabricou o primeiro protótipo de uma câmera digital, ainda em 1975. Porém, os executivos da empresa decidiram não comercializar o novo produto inicialmente, temendo que o mesmo fosse competir, internamente, com os filmes analógicos, até então o carro-chefe da companhia.
 
Assim, num esforço inútil para manter e estender a sua atividade principal, que tantos lucros gerou, durante tantos anos, abriu mão dos equipamentos digitais e manteve o foco no seu “core business”, enquanto a concorrência apostava pesado na nova tecnologia. De fato, a Kodak  continuou  produzindo filmes para máquinas analógicas melhor, mais rápido e mais barato do que qualquer concorrente – até que ninguém mais se interessasse por eles.
 
Eis mais um exemplo clássico de uma empresa obesa, detentora de um quase monopólio em sua área, que não se preocupou em ajustar-se à demanda futura dos consumidores. Seus executivos não tiveram a percepção do fato de que as novas tecnologias iriam matá-la, caso eles não alterassem o curso. Outros exemplos recentes, entre muitos, de empresas vitimadas pelo efeito que o economista austríaco Joseph Schumpeter apelidou de “destruição criadora” foram a Polaroid, a livraria Borders e a locadora Blockbuster.
 
A origem da “destruição criadora” está no mecanismo virtuoso da concorrência e no espírito empreendedor, que induzem indivíduos e empresas a inovar, experimentar e criar. No interior desse processo, produtos obsoletos e métodos de produção ineficientes vão sendo constantemente substituídos por novos produtos, novas fontes de matérias primas e técnicas inovadoras. Isto significa que o caminho em direção ao progresso e à melhoria das condições humanas a longo prazo está repleto de perdedores e vencedores.
 
Para muitos, aqui reside o paradoxo do progresso. A sociedade não pode colher os frutos da “destruição criadora” sem aceitar que alguns indivíduos acumulem perdas, não só a curto prazo, mas às vezes permanentemente. Ao mesmo tempo, as tentativas (notadamente da parte dos governos) de suavizar os seus aspectos mais severos, na esperança de preservar os empregos ou proteger as indústrias nacionais, não raro levam à estagnação e ao declínio, obstruindo a marcha do progresso. No capitalismo, nos lembra Schumpeter, perdas e ganhos são indissociáveis.
 
São inúmeros os exemplos de novos produtos que contribuíram de forma permanente para o progresso e bem estar humanos, mas que, por outro lado, tornaram a vida de alguns poucos perdedores muito pior.  Thomas Edson, ao inventar a lâmpada incandescente, certamente levou à falência muitas indústrias de candelabros, velas e afins, contribuindo ainda para o desemprego temporário de milhares de trabalhadores. Mas será que, apesar do sofrimento destas pessoas, o mundo estaria melhor sem as invenções de Edson?
 
E o que dizer das vacinas?  Já imaginaram quantos profissionais de saúde, especialmente na área de enfermagem, não perderam os seus empregos depois das vacinas contra pólio, varíola, tifo, difteria, etc.?  Já as inovações de Henry Ford e a produção em série de automóveis certamente levaram à falência milhares de fabricantes de carruagens, além de muitos empregos voltados para este ramo. Com o advento da internet, diversos negócios foram eliminados ou estão em vias de serem extintos. Além das locadoras de vídeo, podemos citar também as enciclopédias, os serviços de postagem de correspondências e telegramas e, até mesmo, a produção jornalística em papel.
 
Quem, em sã consciência, iria querer nos proteger de todos esses avanços? No entanto, é justamente isso que intervencionistas e protecionistas pretendem fazer quando tentam salvar empresas falidas mal administradas ou bloquear a entrada de produtos importados, a fim de proteger empregos.

Ademais, a sempre temida “destruição criadora”, embora inevitável para produtos e serviços, não é, de forma alguma, inexorável para as empresas. Mesmo sem a ajuda de governos intervencionistas, as empresas são perfeitamente capazes de evitá-la. Para isso, empresários e investidores precisam estar atentos às tendências e mudanças do mercado, no lugar de tentar defender, a todo custo, negócios ultrapassados e/ou obsoletos. Qualquer empresa é capaz de progredir em meio às novas tendências, inovações, concorrências e mudanças de gostos dos consumidores, bastando que tome as decisões e faça os investimentos corretos.  Não é fácil, mas também não é impossível.

Leia também Schumpeter na Casa Branca
 

 



 
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COMENTÁRIOS
11/04/2013
(Julio Cesar)

Com uma marca que pode-se dizer era sinônimo de câmera fotográfica, deixou esvair-se entre os dedos a oportunidade de sair bem na frente.O pensamento,o planejamento dos executivos na época é parecido com as diretrizes adotadas pelos políticos brasileiros.
 
02/02/2012
(Ricardo Freitas)

"Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais esperto... Mas o melhor adaptado" A frase de Darwin não se aplica ao Brasil. O empresariado brasileiro, esperto como é, já está se adaptando ao mais forte.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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