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Em direção ao desemprego permanente
- Guy Sorman
Em todas as democracias, a taxa de desemprego determina, normalmente, o sucesso ou o fracasso de um político. Isso levou, entre outros, Barack Obama a anunciar medidas de urgência de onde se esperam resultados imediatos.

Em todas as democracias, a taxa de desemprego determina, normalmente, o sucesso ou o fracasso de um político. Isso levou, entre outros, Barack Obama a anunciar medidas de urgência de onde se esperam resultados imediatos.

Ai de mim! O desemprego não responde às injeções políticas. Pior: detecta-se uma tendência de longo prazo nas economias modernas de uma exclusão permanente de 10% das demandas de emprego: os Estados Unidos já pensam a respeito, só falta a Europa.

Se for traçada uma curva de crescimento dos últimos 30 anos e, em paralelo, uma curva de desemprego, constata-se que as crises aumentam o desemprego, mas que as retomadas de crescimento não o reabsorvem completamente. As empresas em recessão conseguem um certo ganho de produtividade que fica difícil de ser identificado quando a conjuntura melhora. Dessa forma, se as recessões podem gerar um desemprego definitivo, o progresso técnico pode igualmente melhorar a produtividade. A globalização contribui para essa tendência pesada: os empregos transferidos dificilmente retornam.
 
Em princípio, esses empregos perdidos serão recuperados por novos, mais complexos. Essa destruição criativa virtuosa necessita de uma mão-de-obra qualificada por novos meios: mas a inovação é mais acelerada que a educação; assim, o turno da noite, com um nível educacional mais baixo, é encontrado por toda parte onde existam menos trabalhadores empregados. Para se ater à teoria clássica, basta então que as remunerações baixem para que a oferta de emprego se ajuste à demanda; mas isso soa falso quando as normas dominantes de nossas sociedades excluem a flexibilidade dos salários.
 
São raros os países que, em tempos de crise, escapam do desemprego. Menos ainda são aqueles onde os salários são flexíveis com consentimento, como na Coreia do Sul ou no Japão, onde os bônus são suprimidos e, por razões morais e legais, não se demite ninguém.
 
No Ocidente, os valores coletivos são inversos aos da Ásia e a questão da demissão se sobrepõe à questão dos salários. Acrescenta-se, nas economias ocidentais – contribuindo com a tendência de ir em direção ao desemprego permanente – a organização das empresas e dos mercados em fortalezas intransponíveis, em decorrência dos bloqueios sindicalistas ou ambientais: aqueles que estão mantendo um emprego e aqueles que não estão, veem ser (de forma igual) reduzidas suas chances de encontrar um trabalho. Os mais jovens são as primeiras vítimas dessa política de exclusão.
 
Descrever as causas da exclusão do mercado de trabalho é mais fácil que preconizar as suas soluções. Ao menos sabemos o que é sem efeito: a intervenção pública. Essa última, no curto prazo, pode gerar empregos (política de grandes obras públicas de Roosevelt e Obama) que são temporários. Daqui 18 meses a três anos, o resultado ainda é uma dívida que leva à deflagração dos impostos ou à baixa de gastos. As assistências fiscais ao emprego obedecem à mesma lógica. O que os estudiosos chamam de multiplicadores keynesianos, na prática, não existe mais: a dívida que nunca cria um déficit e priva as empresas de ressurgirem pela criação de empregos futuros

Se a hipótese de um desemprego de longa duração for aceita, talvez deva se deixar o raciocínio clássico, liberal ou intervencionista, para desenvolver um setor sem fins lucrativos. Mas esse setor continuaria modesto nos países modernos, então isso pode atrair mais capital (fundações, bolsas) e recrutar setores promissores como a saúde pública, a cultura, a solidariedade entre as gerações, entre ricos e pobres e nações ricas e pobres. Incentivar o terceiro setor, medidas públicas (fiscais entre outras), bem como o civismo, não são um substituto às políticas clássicas (o livre comércio, a estabilidade monetária, um mercado de trabalho flexível, uma concorrência verdadeira, gastos públicos modestos para contribuírem com o crescimento e o emprego), mas seria um começo de reflexão sobre o fato inédito e pouco reconhecido do desemprego permanente.

Tradução: Maria Julia Ferraz

Também disponível no blog do autor

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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