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A lição que vem do Frio
- Redacao Midia@Mais
Assim como a grande depressão foi considerada por muitos analistas sociais, particularmente por economistas, como resultante de falha do capitalismo, a crise da sub-prime, também com origem nos Estados Unidos, tem sido identificada como uma nova falha da economia de mercado.

Assim como a grande depressão foi considerada por muitos analistas sociais, particularmente por economistas, como resultante de falha do capitalismo, a crise da sub-prime, também com origem nos Estados Unidos, tem sido identificada como uma nova falha da economia de mercado.

Entretanto, com o passar do tempo e a divulgação de estudos mais profundos, o mito da falha do capitalismo no caso da Grande Depressão foi científica e empiricamente destruído. Por exemplo, segundo Milton Friedman e Anna J. Schwartz sua principal causa teria sido a ação do FED cujos responsáveis, temerosos de uma inflação, reduziram a oferta monetária provocando a depressão.

Com relação à crise da sub-prime, a mesma causa, os derivativos de hipotecas, é identificada tanto pelos que a imputam a uma falha do sistema de mercado (ou capitalismo como preferem alguns) quanto aos que a imputam a uma falha de governo.

Os primeiros a associam à ganância dos executivos financeiros que, na busca de seus próprios interesses, teriam colocado as organizações sob sua responsabilidade expostas a excessivos riscos.

Os que advogam a falha de governo, entre os quais me incluo, explicam a crise a partir do excesso de regulamentação no mercado financeiro associado a falhas na fiscalização das agências públicas e todo sistema de garantias governamentais associado ao mercado de hipotecas.

As medidas adotadas pelo FED e pelos bancos centrais da Inglaterra e da União Europeia defendidas por alguns como indispensáveis para minimizar os efeitos da crise têm também muitos críticos, especialmente entre aqueles que consideram a crise uma falha de governo. Nesse aspecto, a Islândia nos dá uma lição.

Islândia - bandeiraNa semana passada, um participante da Rede Liberal divulgou um esclarecedor artigo de Tim Cavanaugh sob o título Iceland Loses Its Banks, Finds Its Wealth. A economia da Islândia talvez tenha sido uma das mais afetadas em decorrência da crise da sub-prime que emergiu em meados de 2005 – quando ficou claro que a maioria dos mutuários cujas hipotecas estavam associadas a essa taxa de juros se tornariam inadimplentes – e atingiu seu clímax em 2008.

A Islândia, além de enfrentar um elevado déficit em conta corrente, tinha seu mercado financeiro exposto a elevado risco devido à excessiva participação de títulos em moeda estrangeira na composição de seus ativos. Isso por si só seria o suficiente para justificar um forte impacto da crise. As ações das autoridades islandesas seriam contingenciadas pela desproporcional importância do mercado financeiro em relação ao setor real da economia.

Relata o autor do referido artigo que os três maiores bancos do País detinham um ativo total onze vezes maior que o PIB! Para agravar ainda mais os impactos da crise, o custo de carregamento da dívida externa da Islândia aumentou em decorrência da drástica redução na oferta de crédito.

Resumindo, a crise da sub-prime tinha se tornado um desastre para a economia da Islândia: quebra do banco central na tentativa de resgatar o sistema financeiro, incapacidade declarada de honrar créditos externos, descrédito internacional, inflação de 18%, perda de 90% no valor das ações e entre 2007 e 2009 uma queda no PIB de 40%! Conforme relata Cavanaugh o problema da Islândia era de tal ordem que seus governantes consideraram-se incapazes de solucioná-lo. Em vão procuraram auxílio dos países industrializados e dos organismos multilaterais. Conforme o autor, essa teria sido a sorte da Islândia (This international neglect turned out to be Iceland’s saving grace).

Segundo a OCDE, a economia da Islândia deverá crescer 2% tanto esse ano quanto o próximo, taxa de desemprego de 5,3% e o governo espera que em 2013 seu orçamento esteja equilibrado.

Mais impressionante é a comparação que Cavanaugh faz da Islândia com a Grécia, a atual âncora do Euro. Os atuais e animadores resultados colhidos pela Islândia só têm sido possíveis porque seus bancos foram à falência, a despeito dos esforços do governo islandês em mimetizar as políticas adotadas nos EUA, RU e UE. Infelizmente, a recuperação da economia da Islândia só vem ocorrendo porque esse pequeno país, que vem relutando a participar da União Européia, não recebeu a ajuda pedida.

Melhor teria sido se a quebra dos bancos tivesse ocorrido por opção do governo de não proteger quem ganhou por assumir elevado risco, mas não quer perder quando a incerteza cobra a conta. De qualquer forma, a pequena Islândia está dando uma lição ao mundo.

Publicado pelo IL

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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