Boa Noite ! Hoje é Sexta Feira, 28 de Abril de 2017.
 
Fique por dentro de nosso conteúdo em sua caixa de e-mail:
 




 
> Ambientalismo
Compartilhar
“Telhados Brancos”: uma chance para os fatos, finalmente
- Paulo Zamboni
Realizado no último dia 10 de Outubro na Câmara Municipal de São Paulo, o evento “Telhados Brancos: problema ou solução?” reuniu vários especialistas em questões ambientais e urbanísticas para debater o projeto de lei apresentado pelo vereador Antônio Goulart, que tem como base as propostas da campanha “Um grau a menos” (One Degree Less) promovida pela ONG Green Building Council Brasil, cujo objetivo declarado é “diminuir um grau Celsius da temperatura média da Terra”.

Realizado no último dia 10 de Outubro na Câmara Municipal de São Paulo, o evento “Telhados Brancos: problema ou solução?” reuniu vários especialistas em questões ambientais e urbanísticas para debater o projeto de lei apresentado pelo vereador Antônio Goulart, que tem como base as propostas da campanha “Um grau a menos” (One Degree Less) promovida pela ONG Green Building Council Brasil, cujo objetivo declarado é “diminuir um grau Celsius da temperatura média da Terra”.

 

De saída, é possível concluir que todos os participantes concordaram que simplesmente pintar os telhados de branco é uma medida ineficaz para conter o aumento da temperatura na cidade de São Paulo, seja porque fenômenos climáticos estão fora do alcance da intervenção humana, seja porque a simples pintura de telhados, sem adoção de várias outras medidas de base técnico-administrativas é inócua.

Embora todos tenham concordado com este ponto, que talvez seja o mais importante e que pode contribuir decisivamente, senão para o arquivamento do projeto, pelo menos para profundas mudanças em seu escopo, conforme apurado em conversas de bastidores após o evento, em outros tópicos levantados houve fortes discordâncias entre os presentes.

Neste sentido chamaram atenção as participações de três convidados: o Dr. Hashem Akbari, cientista iraniano-americano, que por quase uma hora e meia se dedicou a expor como a pintura de telhados, ou a mudança de sua constituição e construção, podem, sim, se refletir na temperatura de uma cidade. Durante a longa apresentação, ele exibiu uma série de slides e gráficos demonstrando seus pontos de vista. Mas o que realmente chamou atenção foi a defesa do uso de materiais de construção novos, e principalmente, a afirmação, repetida com insistência, de que “inúmeras cidades no mundo, além de figuras proeminentes” já teriam adotado a medida sugerida pela  ONG GBC e defendida pelo Prof. Dr. Akbari.

Posteriormente, o Prof. Dr. Ricardo Augusto Felicio, metereologista, afirmou de forma clara e sem rodeios que toda a premissa por trás da ideia dos telhados brancos, ou seja, que o aquecimento global pode ser causado por ação humana e portanto controlado de alguma forma, é equivocada e um mero instrumento de intervenção político-econômica no cotidiano dos cidadãos, que devem se submeter a premissas duvidosas, porque elas geram algum tipo de vantagem para terceiros.

As colocações do Dr. Ricardo, sobretudo pela perturbadora franqueza, especialmente para quem esperava que o evento na Câmara de vereadores paulistana fosse mais uma reunião de defensores do "aquecimento global causado pelo homem”, levou a um situação no mínimo curiosa: durante o intervalo do evento, o Dr. Akbari, em companhia da Sra. Thassanee Wanick, representante da ONG Green Building Council Brasil, inquiriu o Dr. Ricardo, sentindo-se “pessoalmente ofendido” pelas afirmações que este havia feito em sua intervenção, embora o Dr. Akbari ou qualquer instituição ou pessoa não tenham sido citados nominalmente.

O evento contou ainda com participações de outros especialistas que apresentaram problemas de ordem técnica, social e climáticos para demonstrar que a premissa de pintar telhados é inútil como forma de conter um possível aquecimento, mas talvez a participação que tenha sido a mais importante, por demonstrar a “mola mestra” de toda a ideia de pintar telhados, seja a do engenheiro Dr. Vanderley John.

Ao longo de toda sua exposição, aberta com comentários recheados de "argumentos de autoridade" pouco simpáticos  aos cientistas “céticos” - como são chamados os cientistas que se posicionam contrários aos pontos de vista dos defensores do aquecimento global antropogênico - presentes, o Dr. John deixou bem evidente que todo o escopo das ideias onde se inserem  os “telhados brancos”, ou frios, é, no fim da contas, criar um negócio altamente lucrativo, restrito a poucos empresários, em parcerias com o poder público, através de certificações as mais variadas e o uso de novos materiais de construção civil, basicamente a mesma linha de argumentação utilizada anteriormente pelo Dr. Akbari – neste ponto, é importante um adendo: seria de fundamental importância ao leitor ter acesso ao vídeo do evento, que infelizmente, até o momento, não foi disponibilizado pelo site da Câmara Municipal de São Paulo, para ter acesso às palavras exatas utilizadas pelo Dr. John, evitando qualquer tipo de dúvida a respeito do que está sendo afirmado neste parágrafo.

Após encerrar sua participação, o Dr. John se retirou rapidamente, deixando no ar a dúvida, entre muitos membros da platéia, se apenas a  crença de que “os fins justificam os meios” é suficiente para se decidir um assunto de tamanha importância, com potencial para afetar a vida de milhões de cidadãos da maior cidade do país.

Em resumo, o que ficou claro no evento foi:

1 – Pintar telhados de branco é uma forma inútil de se combater aquecimento algum, local ou global, seja porque é inócuo cientificamente falando, seja porque é insuficiente;

2 – Os defensores dos fatos conseguiram mostrar como, do ponto de vista cientifico, medidas como essas não tem o menor fundamento;

3 – Os defensores de alguns fatos e das “boas intenções”, movidos segundo eles pelo “prefiro errar do que não fazer nada”, como defendeu o Dr. Vanderley John, também tiveram a chance de demonstrar algo muito importante: que a ciência está sendo misturada com “algo mais”, que pode ser definido da seguinte forma: lucros para uma elite de empresários, a criação de uma imensa burocracia, que virtualmente teria que controlar todas as etapas das construções numa cidade e a eliminação da concorrência, sob a alegação de que “produtos em não conformidade” com os padrões estabelecidos pela burocracia, em parceria com o poder público, seriam “de péssima qualidade”. Foi marcante também a forma como os Srs. Akbari e John utilizaram-se de “argumentos de autoridade” para tentar reforçar seus pontos de vista e talvez diminuir o impacto de criticas.

 

E, finalizando, 4 – a iniciativa do vereador Antônio Goulart merece o máximo de apoio, por ter sido uma das raras vezes em que um político de uma cidade tão importante e autor de um projeto tão abrangente, que inclusive pode servir de modelo para propostas de lei no mesmo sentido, permitiu que cientistas e técnicos expusessem pontos de vista divergentes de forma clara, aberta e sem cerceamento de ordem alguma.

Resta saber se as exposições técnicas, claras e diretas, que demonstram a ineficiência deste tipo de medida, serão plenamente consideradas, ou apelos de ordem política e pressões de bastidores terão maior peso.

 
Sobre o tema leia também:
 
 



 
Compartilhar

COMENTÁRIOS
09/11/2011
(Marly Winnie)

Ótimas notícias! Quero sugerir aos organizadores de eventos sobre o Clima sempre usar a abertura do evento para lembrar aos "ambientalistas" os fundamentos básicos da Geologia, pois é esta Ciência que estuda a Terra. Digo isto porque as aberrações que são ditas sobre o Clima nos faz pensar que eles já esqueceram do movimento de translação do planeta ao redor do Sol, gerando todas as consequências que conhecemos e que se repetem, ano após ano. Uma boa dose de Geologia nos eventos deixará qualquer "ambientalista" mais ciente da sua insignificância perante o planeta, e assim poderão procurar algo mais útil para fazer em prol da humanidade, por exemplo, combater a corrupção. Como sugestão de leitura acesse http://www.petroleoeecologia.com.br/aquecimento.html
 
03/11/2011
(Nelson)

Com certeza a leitora Miriam já passou por enchentes causadas por bueiros e galerias entupidos de sacolas pláticas e lixo. Basta isso para entender a proibição das sacolas. Mas como é como se diz "o pior cego é aquele que não quer ver"
 
26/10/2011
(Míriam)

É a mesma coisa da sacolinha plástica nos supermercados. As ongs vão fabricar sacolas reutilizáveis e obrigar a venda nos supermercados. Pois á partir de janeiro serão proíbidas.
 
22/10/2011
(Geraldo Luís Lino)

Excelente descrição do evento, refletindo a essência das discussões lá travadas. Ficou claro que, sempre que a ciência tem a oportunidade de se manifestar, o alarmismo/catastrofismo é obrigado a ceder terreno.
 
21/10/2011
(Antonio Jaschke Machado)

Iniciamos uma marcha para livrar São Paulo das amarras de mais uma tentativa de opressão ambientalista, e buscar com nossas forças os meios para que tal insanidade mais uma vez não reverbere pelos rincões do Brasil.
 
INSERIR COMENTÁRIO
Nome / Apelido
E-mail (opcional)
Comentário



Redação: Paulo Zamboni
AmbientalismoAmérica LatinaBrasilCulturaEconomiaEntrevistasEUA e GeopolíticaEuropaMídia em FocoOriente MédioPolíticaSegurança Pública
Artigos IndicadosCLIPPING@MAISEspecialLiteraturaResenhas
Home Editorial Faq Fale Conosco


Canais:
 
MÍDIA A MAIS © COPYRIGHT 2013, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS