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Chipre na grande cena mundial
- Daniel Pipes
Chipre, uma ilha perto da Turquia e da Síria, com aproximadamente 1,3 milhão de habitantes, se encontra na iminência de uma mudança muito importante.

Chipre, uma ilha perto da Turquia e da Síria, com aproximadamente 1,3 milhão de habitantes, se encontra na iminência de uma mudança muito importante.

 

Na medida em que faz sua muito atrasada grande estreia na cena mundial, depois que assuntos comunais turco-gregos consumiram seus primeiros 51 anos de independência, Chipre se vê em face tanto de grandes oportunidades, quanto de perigos.

 

Esses problemas comunais se originaram em 1570, quando o império otomano conquistou a ilha e sua população, quase que inteiramente cristã-ortodoxa. Ao longo dos três séculos seguintes a imigração vinda da Anatólia criou uma minoria muçulmana de língua turca. O domínio britânico entre 1878 e 1960 deixou essa situação basicamente sem mudanças. Ao tempo da independência cipriota em 1960, os turcos constituíam cerca de um sexto da população.

 

Chipre obviamente não foi o único território com abundância de tensões étnicas que Londres finalmente abandonou em frustração — pense na Índia, Iraque, Palestina e Sudão — mas foi o único em que manteve um papel permanente para si, além de arregimentar estados patronos, Turquia e Grécia, como fiadores do novo estado independente.
 
Esse arranjo malicioso elevou o nível das tensões entre as duas comunidades da ilha e seus estados patronos. Tais tensões transbordaram em 1974, quando o governo de Atenas tentou anexar toda a ilha de Chipre e Ancara respondeu com uma invasão, capturando 37 por cento do norte da ilha. A anexação grega fracassou, mas a invasão turca levou ao estabelecimento nominal da “República Turca do Norte do Chipre” [RTNC], que até hoje é mantida por um contingente de 40.000 soldados da Turquia. Desde então, centenas de milhares de colonizadores imigraram da Turquia, alterando fundamentalmente a demografia da ilha.  
 
Deste modo, Chipre permaneceu 35 anos dividida, num beco sem saída, e praticamente ignorada pelo mundo exterior, até que dois acontecimentos recentes viraram de cabeça para baixo o obscuro, ainda que infeliz status quo da ilha.
 
Primeiramente, o Partido AK [AKP] chegou ao poder na Turquia em 2002, com um agressivo programa de dominação regional. Inicialmente, tal ambição foi mantida em xeque, mas com seu inebriante sucesso eleitoral em junho de 2011, seguido imediatamente da tomada de controle político dos altos escalões militares turcos, essa ambição veio à tona com toda a força. O impulso para a dominação regional assume várias formas — da escalada nas tensões com Israel até o triunfante périplo do primeiro ministro turco pela África do Norte — mas com um foco específico no aumento do poderio turco no leste d Mediterrâneo. Portanto, as ambições do AKP transformaram a ocupação turca de Chipre de um problema sui generis para um aspecto de um problema maior.
 
Em segundo lugar, a descoberta de reservas de petróleo e gás ("Leviathan") na zona econômica exclusiva (ZEE) de Israel no Mar Mediterrâneo, pertinho da ZEE cipriota, subitamente fez de Chipre um ator no mercado de energia mundial. Os cipriotas falam de 300 trilhões de pés cúbicos (aprox. 8,5 trilhões de m3, ou cerca de 53,4 bilhões de barris) no valor atual de US$4 trilhões. Tais números atraem olhares cobiçosos, especialmente de Ancara, que exige (via RTNC) sua fatia da futura renda do gás e petróleo. Além disto, o crescente antissionismo do AKP, combinado com as ambições estratégicas do Ministro do Exterior Ahmet Davuto?lu, sugerem que as reivindicações turcas se estendem às águas controladas por Israel.
 
Em combinação, estes dois elementos — as crescentes ambições turcas e a possibilidade de reservas de gás e petróleo com valo na casa dos trilhões — articulam Chipre e Israel quanto à autodefesa. Lideranças cipriotas de origem grega no governo, na mídia e entre empresários me revelaram, durante minha recente viagem a Chipre, seu urgente desejo de estabelecer relações econômicas e de segurança com Israel.
 
No campo econômico, um alto funcionário do governo cipriota propõe cinco projetos: gasoduto de posse comum dos campos de gás até Chipre, seguido de uma instalação industrial de liquefação do gás, uma planta industrial de metanol, uma usina de geração de energia elétrica de 1 (um) GW e a acumulação de uma reserva estratégica, tudo localizado em Chipre. Um magnata da mídia em Chipre sugere vender as reservas de gás para Israel e permitir que suas companhias assumam a responsabilidade.
 
No campo da segurança, vários interlocutores propuseram uma aliança total com Israel. Chipre obteria de Israel uma perícia militar e econômica muito maior que a atual. Israel, que já fez esforços protetores em favor de Chipre, se beneficiaria do acesso a uma base aérea em Paphos, a 300 quilômetros de sua costa e pertencente a um membro da União Europeia.
 
Tal aliança acabaria com o legado cipriota de não-alinhamento e de diplomacia contida, projetado para convencer outros governos a não reconhecer a RTNC, ainda que essa estratégia não tenha trazido grande benefício a Chipre.
 
Em face de uma liderança turca confiante demais e possivelmente messiânica, que vem, de maneira crescente, revelando traços perniciosos e perigosos, Washington, Bruxelas, Atenas e Moscou têm importantes papéis a desempenhar no encorajamento das relações cíprio-israelenses e deste modo, diminuir a probabilidade de uma agressão turca liderada pelo AKP.
 
Tradução: Henrique Dmyterko
 
Publicado originalmente na National Review Online em 11.10.2011.
 
Também disponível no site do autor.
 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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