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Os segredos de Castro e Chávez
- Redacao Midia@Mais
Afoto da notícia é evocativa: o velho Fidel Castro ao lado da cama de um pálido Hugo Chávez,  presidente da Venezuela, que está convalescendo em uma estadia secreta e prolongada em um  hospital de Havana.

Afoto da notícia é evocativa: o velho Fidel Castro ao lado da cama de um pálido Hugo Chávez,  presidente da Venezuela, que está convalescendo em uma estadia secreta e prolongada em um  hospital de Havana.

Talvez eles estejam discutindo as maldades do imperialismo e as virtudes permanentes de Simón  Bolívar e José Martí.  Em qualquer caso, a cena traz à memória A Montanha Mágica, de Thomas Mann, talvez o melhor  romance do século 20. 
 
Passado na aldeia alpina suíça de Davos às vésperas da Primeira Guerra Mundial, o romance mostra  a doença, a recuperação ou a morte de aproximadamente uma dúzia de pacientes de tuberculose ou  de "consumação", todos reclusos num sanatório nas encostas da Montanha Mágica.
 
Personagens memoráveis habitam o romance – Madame Chauchat; a mexicana desolada conhecida como  Tous-les-Deux; e, é claro, o protagonista, Hans Castorp.  Mas no meio do romance estão as infinitas conversas entre dois pacientes, Lodovico Settembrini e  Leo Naphta, respectivamente o italiano idealista e o jesuíta cínico, sobre guerra, moralidade,  vida, morte e a salvação da alma de Castorp.
 
De fato, há um enorme salto de Castorp a Castro. Castro e Chávez não são criações de Thomas Mann  e é questionável que suas discussões se igualem às reflexões filosóficas e históricas da  imaginação do romancista alemão.

Mas o que é quase tão extraordinário quanto,  é a ideia de dois homens fortes – um ditador brutal  e um aspirante a autocrata – incapacitados pela velhice ou pela saúde frágil no único local onde  a natureza de suas doenças pode ser mantida em segredo.

Ali Castro e Chávez podem tentar lidar com as consequências de sua própria morte, graças à  dependência mútua absoluta deles.  No caso de Castro, pelo menos sabemos que ele está doente há quase cinco anos, embora bastante  recuperado hoje. Ele tem quase 85 anos e só está lúcido de vez em quando (segundo pessoas que  estiveram com ele recentemente) e  não governa Cuba todos os dias.
 
Não sabemos qual é o seu prognóstico, ou quanta influência tem sobre seu irmão "mais novo", Raúl,  de 80 anos. Em princípio, Raúl está comprometido com uma mudança significativa na decrépita  economia da ilha – ao mesmo tempo mantendo o  poder que os dois irmãos detêm.
 
Sabemos bem menos sobre Chávez, sobre qual é a principal questão de sua convalescência em Havana.  Independentemente de qual seja a verdade, a afirmação do caudilho venezuelano de que passará  várias semanas em Cuba por causa de uma cirurgia de emergência diante de um abscesso pélvico  simplesmente não é crível. 
 
Cuba não é respeitada por sua capacidade médica de alto nível e de alta tecnologia. Podemos  avaliar melhor a medicinal social cubana ou seus médicos descalços quando for possível fazer  comparações internacionais.
 
Seja qual for a doença de Chávez – desde câncer na próstata até uma infecção menor – ela é um  mistério. Assim, uma explicação plausível para o atual tratamento de Chávez em outro país é o  próprio segredo. 
 
O único país do mundo onde a saúde de um presidente se mantém como segredo de Estado é a  Coreia do Norte, que fica um pouco longe da Venezuela.  Se não há nada muito sério com a saúde de Chávez (talvez nada além de um problema que poderia  causar-lhe certo embaraço pessoal, de um ponto de vista, digamos, machista), a atenção médica  sem publicidade em Havana lhe permitiria manter tudo sob controle e regressar triunfante para  casa, quando os critérios médicos e políticos coincidam.
 
Mas, pelo contrário, se Chávez padece de uma doença terminal, sua conexão cubana permitirá a ele  e aos irmãos Castros traçar um caminho para o futuro que idealmente – para o trio, pelo menos, e  não para os povos de seus países – asseguraria a continuidade das políticas e alianças. 
 
Muitas apostas foram perdidas nos últimos 50 anos por afirmar que Cuba não consegue sobreviver  sem uma ou outra ajuda essencial.  Sem dúvida, Cuba depende de um gigantesco subsídio venezuelano – dinheiro e petróleo barato em  troca de médicos, treinadores de atletas e equipes de segurança cubanos. A perda desse subsídio  poderia ser um desafio insuportável insuperável para a sobrevivência do regime de Castro. 
 
Igualmente, a própria ideia do chavismo sem Chávez talvez seja quimérica. Não existe um sucessor  viável e todos os agentes de inteligência e de segurança cubanos baseados em Caracas quase com  certeza não seriam capazes de voltar a construir um boneco Humpty Dumpty na forma do irmão mais  velho de Chávez, Adán, ou de seu vice-presidente, Diosdado Caballero, ou seu ex-chefe de  Gabinete e principal arruaceiro, Jesse Chacón.
 
Se esse for o caso, Havana e Caras têm um problema. Chávez chegou ao poder há 12 anos. Com  exceção dos Castros, é o chefe de Estado atual que mais tempo permaneceu no poder na América  Latina.  As eleições presidenciais da Venezuela estão marcadas para dezembro de 2012, mas o  desaparecimento do tenente-coronel poderia forçar tanto uma antecipação do pleito ou criar um  vácuo de poder no qual qualquer um poderia sucedê-lo.
 
Os cubanos teriam pouca influência no  resultado, mas seu destino talvez dependa dele.  Não é de se espantar, então, que os Castros queiram manter Chávez vivo e debaixo de sua asa,  pelo menos até que ele se recupere ou que formulem um Plano B. 
 
Enquanto isso, nós só podemos adivinhar o que acomete Chávez e o que os Naphta e Settembrini  tropicais discutem na "montanha" de uma ilha que não é mais mágica.
 

 

 



 
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COMENTÁRIOS
06/07/2011
(Carlos)

O sr. Castañeda deveria fazer um mea culpa pelo apoio dado ao ditador Castro no passado, assim suas críticas ao tirano cubano e seu aprendiz venezuelano teriam mais credibilidade.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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