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Uma Luz na Ilha
- Joao Luiz Mauad
Tenho lido com grande prazer e alegria as crônicas de Yoani Sanches, desde que ela aceitou convite deste jornal para escrever em suas páginas. Embora morando numa verdadeira prisão, onde se pode estar encrencado simplesmente por dizer o que pensa; onde se vive melhor quando não se tem opinião própria; onde as pessoas em geral apenas repetem o que dizem os donos do poder, Yoani é hoje uma das escritoras mais lidas do mundo, graças a sua luta corajosa pela liberdade.

Tenho lido com grande prazer e alegria as crônicas de Yoani Sanches, desde que ela aceitou convite deste jornal para escrever em suas páginas. Embora morando numa verdadeira prisão, onde se pode estar encrencado simplesmente por dizer o que pensa; onde se vive melhor quando não se tem opinião própria; onde as pessoas em geral apenas repetem o que dizem os donos do poder, Yoani é hoje uma das escritoras mais lidas do mundo, graças a sua luta corajosa pela liberdade.

 
O recente episódio, na França, envolvendo o estilista John Galliano demonstra, em cores vivas, como a divulgação maciça e sistemática dos crimes nazistas tem sido determinante para sensibilizar o mundo em relação aos perigos do racismo, do anti-semitismo e do nacionalismo. Malgrado essas excrescências ainda persistam de forma tímida aqui e acolá, elas são vistas, pela grande maioria, como males a serem extirpados.
 
A presença de Yoani nas páginas de O Globo é importante porque contribuirá para a difusão de informações sobre os crimes e as mazelas sociais impostos pelo comunismo, não só em Cuba, mas onde quer que já tenha sido testado, fazendo aumentar a percepção dos perigos gerados por ideologias baseadas em coletivismos e lutas de classes. Com efeito, apesar de o governo cubano já ter executado, desde 1959, por motivos políticos, algo em torno de 1,5% da população, e encarcerado outros 5%, milhões de brasileiros ainda desfilam, orgulhosamente, vestindo camisetas com a face estampada do sanguinário Che Guevara, sem ter a menor idéia de quem realmente ele foi ou significou.
 
Para muitos, é improvável que o comunismo vá reaparecer, pelo menos da forma como anteriormente praticado na URRS, na China ou no Camboja.  Entretanto, sua doutrina e idéias centrais continuam sendo advogadas por diversos movimentos políticos, especialmente na América Latina e na África. Basta assistir às sessões do famigerado Fórum Social Mundial para ver como o modelo cubano permanece idealizado por muitos de nossos esquerdistas, sejam estudantes, intelectuais, artistas, clérigos e até políticos, inclusive alguns dos ocupantes de cargos de primeiro escalão do governo petista.
 
Aliás, como escreveu Jean-François Revel, em A Grande Parada: “se alguém quiser estudar um sistema mental que funcione inteiramente dissociado dos fatos e elimine imediatamente qualquer informação que contrarie sua visão de mundo, deve estudar a mente dos comunistas, pois são laboratórios insuperáveis”.  Alguns podem até reconhecer a existência de uns poucos fatos abomináveis, mas sempre enfatizarão que tais fatos não guardam qualquer relação com a essência do comunismo. Seriam, no máximo, uma perversão do sistema, jamais uma decorrência dele.

A repressão em campos de concentração ou em cárceres diversos, os processos sumários e fraudulentos, os expurgos assassinos, as ondas de fome provocadas por programas estupidamente planejados e pavorosamente executados acompanharam todos os regimes socialistas, sem exceção, ao longo da história. “Seria fortuita esta associação?” – questionava Revel. “Será que a verdadeira essência do comunismo reside no que jamais foi, ou nunca produziu? Que sistema é esse, que dizem ser o melhor, porém dotado dessa propriedade sobrenatural de nunca conseguir colocar em prática senão o contrário do que prega? Que linda cerejeira será essa, na qual, por um acaso incompreensível, só brotam cogumelos venenosos?”

Como lembra intelectual francês, é inútil tentar descobrir qual dos regimes totalitários do século XX foi o mais bárbaro, porque ambos impuseram a tirania, o pensamento unificado e deixaram como herança uma montanha de cadáveres. O nazismo e o comunismo cometeram atrocidades comparáveis, tanto por sua extensão quanto por seus pretextos ideológicos. Isso não foi, entretanto, mera coincidência. Ocorreu, muito pelo contrário, porque ambos comungavam os mesmos princípios e idéias fundamentais, sedimentados por convicções pétreas e – mais importante! – empregavam o mesmo modus operandi. É emblemático o fato  de que tanto uma ideologia quanto a outra sempre defenderam – e nunca esconderam isso – a tese de que os fins justificam quaisquer meios.
 
As chagas do comunismo não devem permanecer ocultas, atrás do biombo da ideologia. Sua semelhança e parentesco com o nazismo precisam ser mostradas e confirmadas, para evitar que venhamos a sofrer do mesmo mal no futuro. Portanto, seja muito bem vinda, Yoani!
 
Publicado por O Globo em 20/03/2011
 



 
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COMENTÁRIOS
23/03/2011
(Carlos)

Senhores, a dúvida do leitor Edenilson me parece bem pertinente, mas, por outro lado, pode ser uma forma que o regime totalitário dos irmãos Castro encontra de fazer propaganda positiva, dizendo que tolera liberdade de opinião na Ilha-prisão. Ademais, uma simples blogueira pouco pode fazer onde forças muito mais poderosas falharam no passado, até porque os Castro são intocáveis.
 
23/03/2011
(Peter Hof)

Quem quiser ter a prova inquestionável do que é Cuba hoje (esqueçam Chic Buarque, Frei Beto e Fernando Moraes) precisa ler o livro Viagem ao Crepúsculo do jornalista Samarone Lima. É dificílimo de encontrar, está esgotado e parece que a editora não está interessada em reeditá-lo. Por sua vez as livrarias não estão interessadas em difundir a verdade sobre o feudo dos Castro. É a velha história de sempre...
 
22/03/2011
(Evelin Fróes)

A Yoani Sanchez é a Andrei Sakharov de saias! Ela merece receber o Prêmio Nobel da Paz, que infelizmente vem sendo contaminado pelo pensamento de esquerda.
 
22/03/2011
(Edenilson)

Desculpem, mas se a liberdade de expressão em Cuba é tão vigiada, como a Yoani Sanches consegue enviar seus artigos para o exterior? Certamente os cubanófilos vão explorar (se já não fazem isso) essa suposta brecha.
 
22/03/2011
(Pessimismo)

Vale a pena ler: O Livro Negro do Comunismo.
 
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