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​Por que eu torci pela tentativa de golpe na Turquia
21/07/2016 - Daniel Pipes
Um golpe de estado militar agora iria poupar a Turquia de grandes sofrimentos, que estão apenas começando.
(Militares turcos acusados de envolvimento no suposto golpe sendo espancados por militante pró-governo. Rumo a uma ditadura islâmica?)
 
Todo grande governo condenou a tentativa de golpe na Turquia, assim como todos os quatro partidos com representantes no Parlamento turco. A mesma postura foi adotada até por Fethullah Gülen, a figura religiosa acusada de estar por trás do candidato a assumir.
 
Tudo isso me fez sentir um pouco solitário, tendo twittado na sexta-feira, logo após a revolta começar: "#Erdoğan roubou a eleição mais recente na Turquia e governa despoticamente. Ele merece ser deposto por um golpe militar. Eu espero que tenha êxito."
 
Ter essa postura minoritária implica em uma explicação maior que 140 caracteres. Três razões são responsáveis ​​por meu apoio à derrubada do presidente que aparentemente foi eleito democraticamente e aparentemente exerce o poder democraticamente, Recep Tayyip Erdoğan, por aquelas que aparentam ser as forças da reação:
 
Erdoğan roubou a eleição. Erdoğan é um islamista que inicialmente estabeleceu suas metas, tanto como prefeito de Istambul quanto como primeiro-ministro da Turquia, jogando dentro das regras. Conforme o tempo passou, no entanto, ele cresceu desdenhando essas regras, especificamente as eleitorais. Monopolizada a mídia estatal, ele tacitamente encorajou ataques físicos a membros de partidos de oposição e roubou votos. Em particular, a mais recente eleição nacional, em 1 de Novembro, mostrou muitos sinais de manipulação.
 
Erdoğan governa despoticamente. Erdoğan assumiu o controle de uma instituição após a outra, mesmo nos dois anos desde que se tornou presidente, uma posição constitucionalmente e historicamente não-política. O resultado? Uma porção cada vez maior de turcos estão trabalhando diretamente sob seu controle ou de seus asseclas: o primeiro-ministro, o gabinete, os juízes, a polícia, os educadores, os banqueiros, os donos da mídia e outros líderes empresariais. A liderança militar concordou com Erdoğan, mas, com a tentativa de golpe confirmada, o corpo de oficiais manteve-se a uma instituição ainda fora de seu controle direto.
 
Erdoğan usa seus poderes despóticos para fins nefastos, travando o que equivale a uma guerra civil contra os curdos do sudeste da Turquia, ajudando o ISIS, agredindo vizinhos e promovendo o islamismo sunita.
 
A intervenção militar funcionou anteriormente na Turquia. A Turquia é o país onde os golpes de estado militares tiveram o efeito mais positivo. Em todos os quatro golpes modernos (1960, 1971, 1980, 1997), o estafe de generais demonstrou uma compreensão disciplinada de seu papel, corrigindo o navio do estado e, em seguida, saindo do seu caminho. Seus interlúdios dominantes duraram, respectivamente, cinco anos, dois anos e meio, três anos e zero anos.
 
A Turquia iria se beneficiar agora de um período de reajuste militar, acabando com as regras cada vez mais desonestas de Erdoğan, mesmo que isso significasse substituí-lo por figuras islâmicas mais razoáveis ​de seu próprio partido, como Abdallah Gül ou Ali Babacan.
 
Nas palavras memoráveis ​​de Çevik Bir, uma figura importante no golpe 1997: "Na Turquia, temos um casamento entre Islã e democracia ... O filho deste casamento é o secularismo. Agora essa criança fica doente de tempos em tempos. As Forças Armadas turcas são o médico que salva a criança." Essa criança já está muito doente e precisa de seu médico. Infelizmente, o médico foi detido neste momento. Só podemos imaginar o quanto a doença agora vai se espalhar.
 
Temos uma ideia inicial como vai ficar: 6.000 turcos já foram detidos, quase 3.000 juízes e procuradores foram demitidos, e as relações com Washington têm aumentado ao um modo de quase-crise por causa da demanda de Erdoğan para a extradição de Gülen. Apesar do pedregoso caminho passado, o futuro parece ainda mais angustiante.
 
Renovo a minha previsão de que a ruína de Erdoğan provavelmente será em assuntos externos.
 
Aplicando a mesma belicosidade que funciona tão bem na política interna para as relações internacionais, ele provavelmente irá encontrar seu destino, uma vez que é muito mais agressivo do que o necessário. Depois de pagar um preço muito alto, a Turquia irá, finalmente, se livrar do seu megalomaníaco.
 
 
Publicado por danielpipes.org
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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