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O teatro de Temer vai ter Rouanet
16/05/2016 - Felipe Atxa
Para responder ao anseio do povo, Temer faz exatamente o contrário do que o povo está pedindo, assegurando que tudo mudará para as coisas continuarem como sempre foram na área cultural.

“Lula haverá de dar sua contribuição”, diz o Ministro Geddel Vieira Lima, ao se derreter pelo líder petista que mais da metade do país anseia por ver preso, em entrevista ao Estadão de 15 de maio. Qual parte do abismo no qual estamos enfiados ele ainda não compreendeu?

 

O Ministro do Planejamento de Michel Temer, Romero Jucá, por sua vez, promete cortar quatro mil cargos em comissão até o final de 2016. Isso diante de um total de mais de 100 mil cargos de confiança existentes, segundo o portal Contas Abertas (www.contasabertas.com.br).

 

Enquanto isso, na área econômica, o novo Ministro da Fazenda abre a brecha para um novo tributo “temporário”, que poderia até ser a famigerada volta da CPMF, em notícia publicada pelo portal IG em 13 de maio.

 

A quem eles querem enganar, afinal de contas?

 

Certamente não aos artistas e militantes profissionais da área cultural. Qual foi a resposta da recém-inaugurada administração Temer ao clamor da população pelo fim dos privilégios a celebridades globais que usam Lei Rouanet e assemelhados?

 

Primeiro, anunciar a fusão do Ministério da Cultura ao Ministério da Educação. Para cinco minutos depois, “esclarecer” que a estrutura permanecerá autônoma, com status de secretaria ligada diretamente à presidência da República.

 

Ou seja: para responder ao anseio do povo, Temer faz exatamente o contrário do que o povo está pedindo, assegurando que tudo mudará para as coisas continuarem como sempre foram na área cultural.

 

No jogo da política, é preciso desconfiar fortemente dos “moderados” e por um motivo bastante simples de compreender: ao colocar suas cartas na mesa, cada partido sabe, de antemão, que jamais conseguirá “tudo” que deseja. Este é o jogo. É preciso partir de um ponto extremo para que o razoável atingido ainda seja satisfatório. Se lutássemos pelo fim do Estado, por exemplo, o que talvez conseguíssemos no final das contas seria o tão almejado “Estado mínimo”. Ao “abrirmos a negociação” pedindo “Estado bem gerido”, que forneça serviços básicos “de qualidade” (saúde, educação, segurança), o que conseguimos no final das contas é o estado tirânico mastodôntico aonde se dirigem todas as nações dominadas por centrismo socialdemocrata.

 

Sem “radicalismos”, pouco realmente muda e esta é a sinalização até o momento do “novo” grupo político que assumiu o governo federal. Repetindo: se almejarmos estatais bem geridas, o que conseguiremos será estatais mal geridas – como, aliás, sempre foram. Se pedíssemos a venda imediata de todas as estatais a preço de mercado, talvez nos livrássemos de uma ou duas. Se exigirmos o fim do Imposto de Renda, talvez consigamos a correção da tabela. E assim por diante.

 

Porém, se aceitarmos que o melhor que os políticos brasileiros moderados têm a nos oferecer é mais do mesmo, não conseguiremos nada. Ou melhor: teremos de nos contentar com novos impostos.

E Rouanet.

 



 
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COMENTÁRIOS
21/05/2016
(F. Carlos)

O governo Temer trocou a vovô do aborto da Dilma (Eleonora Menicucci) pela tiazinha do aborto (Flávia Piovesan). " Tudo deve mudar para que tudo fique como está" de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, em Il gattopardo. Parabéns,- Felipe Atxa , pelos seus brilhantes artigos, nada mais verdadeiro.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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