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Entrevista MÍDIA@MAIS - Luciano Ayan
24/03/2016 - Redacao Midia@Mais
O analista político Luciano Ayan volta ao MÍDIA@MAIS, abordando o delicado cenário nacional a partir da ótica da "guerra política".
M@M - Durante anos a direita brasileira, acuada ou no ostracismo, conviveu com risadinhas irônicas quando alertava para a quadrilha instalada no poder e personificada pelo PT. A História fará justiça a esses abnegados que durante tanto tempo pregaram no deserto?
 
Luciano Ayan - Acredito que sim, mas não será fácil. A política é centralizada no controle da narrativa, e a direita precisa se especializar em saber contar a sua versão da história.
 
M@M - Petistas e comparsas prometem uma guerra civil e clamam pela morte do juiz Moro. Qual o papel das Forças Armadas diante de tal quadro? Esperar um banho de sangue para finalmente "sair do quartel"? Ou é necessário ainda esperar uma invasão boliviana para finalmente agir na defesa da "ordem"?
 
LA - Há muito de blefe nas estratégias de discurso petistas. Na semana antes do 13/3, tentavam usar as ameaças para intimidar os manifestantes. Não deu certo, pois foram ridicularizados e desmascarados pelos organizadores das manifestações. Na verdade, eles intimidam mais do que realmente fazem. Em relação às Forças Armadas, é preciso tomar um cuidado na avaliação. Sinto que muitos se equivocam utilizando modelos de análise para as ditaduras de cinquenta anos atrás. Porém, hoje tratamos de tiranias modernas, como são as ditaduras sutis da América Latina. Governos assim sempre buscarão uma fachada de democracia. É raro que eles tirem as Forças Armadas do quartel, senão para distribuir alimentos. Claro que não podemos ignorar a hipótese do uso do Exército contra o povo, mas é uma hipótese distante. Hoje vivemos na era dos smartphones, ao contrário do que acontecia em 1964, época na qual câmeras eram coisas de diretores de cinema e pessoas de organizações de mídia de grande porte. Hoje todos têm um celular às mãos para gravar tudo. É principalmente por isso que as tiranias modernas resolveram se estabelecer pelo controle sutil da mídia, pelo aparelhamento do estado e por leis marotas para controlar campanhas. Creio que as Forças Armadas tem pouca relevância no momento atual. Em relação à invasão boliviana, também a encaro como um blefe. É típica tática de intimidação. Mas nada nos impede de exigir um posicionamento do nosso congresso se as ameaças aumentarem. Precisamos testar para ver se há um blefe de fato ou se eles tem café no bule.
 
M@M - Economistas dos grandes veículos insistem que a ruína econômica é mero resultado da "crise política", como se uma conversa de gabinete invertesse quase uma década de equívocos econômicos. Basta mesmo um aperto de mãos entre governo (ou o que restar dele) e oposição para converter o país numa futura Coreia do Sul?
 
LA - Esses economistas que afirmam isso estão engabelando o povo. Imagine a situação de uma empresa onde vários gerentes são pegos levando o negócio ao caos. Imagine-se pegos pela auditoria. Isso gera uma crise de credibilidade e, em termos políticos, eles se complicam. Daí eles vão dizer que “há crise política”? Se alguém vir com essa cara de pau no mundo corporativo, essa mera desculpa é suficiente para jogá-los no olho da rua. Se existe uma “crise política”, ela é RESULTADO do estrago causado pelo governo, não sua causa. Até por que um bom governo não daria espaço para crise política alguma. Bem como uma boa gestão não daria espaço para uma “crise política” corporativa. Inversão de causa e efeito é realmente uma apelação. Não há “crise política” causando a devastação econômica. Na verdade, há uma devastação econômica causando a crise política. Se a economia entra nos eixos, acontece o milagre: a crise política some.
  
M@M - Quais as chances de a saída de Dilma ou eventualmente de Temer também abrir a "Caixa de Pandora de Maldades" em um eventual novo governo, empurrando goela abaixo dos brasileiros mais uma rodada de novos tributos e majorações, sob o pretexto de "união nacional"?
 
LA - É preciso estudar o padrão das tiranias bolivarianas para compreender como as coisas funcionam. Dilma pode até atrasar sua “caixa de Pandora de Maldades” ou até implementá-la desonestamente, não para ajuste econômico, mas para varrer as coisas para debaixo do tape. Acontece que o PT tem um paradigma: o de que o controle dos meios “resolve” tudo. Em português claro: censura de mídia. Sempre fazem isso para esconder a sujeira debaixo do tapete. Com Temer a coisa provavelmente seria diferente. Ele pode ser criticado, mas tem um perfil de estadista e não tem uma cultura totalitária. Pode até surgir um pacote de maldades, mas talvez traga algumas boas notícias, como as que vemos com Macri na Argentina. Com o PT não existirá nenhuma “união nacional”. No máximo, sequência do fisiologismo e a garantia de vida fácil para o partido. A esperança de um governo de união nacional reside unicamente com Temer. E, como já disse, falo apenas de uma esperança, não uma certeza.
 
M@M - Qual o tamanho ideal do Estado brasileiro? Vale a pena pagar tantos tributos para um governo central, sendo que tais tributos acabam ou roubados, ou desperdiçados, ou simplesmente alimentando os órgãos de controle que só existem para evitar o roubo e o desperdício?
 
LA - É muito difícil esperar um mundo que está nas mentes de libertários e liberais leitores de autores como Ludwig von Mises e Milton Friedman (autores que admiro, inclusive) no Brasil atual. Temos uma cultura de culto ao estado, além de muitos ranços patrimonialistas e coronelistas que devemos corrigir ao longo do tempo pela guerra cultural. Assim, é difícil falar de redução do estado assim como fazem alguns políticos norte-americanos, por exemplo. Mas podemos evidentemente lutar para reduzir o número de estatais, bem como pensar em privatizar a Petrobrás e os Correios. Devemos reduzir a interferência estatal na publicidade, assim como mandar a Lei Rouanet para a vala. Acredito que quanto à redução do estado, devemos neste momento nos preocupar com o uso do estado para fins totalitários, um problema crítico para a América Latina.
 
M@M - Afinal, quem é Lula? Um populista sem limites, um chefe de quadrilha ou um falastrão sortudo de boteco de esquina? Como nos lembraremos dele daqui a 50 anos?
 
LA - Em termos mais “elegantes”, ele é um populista sem limites. Mas também é um chefe de quadrilha. Eu diria que ele é um tirano socialista típico, especialista nos recursos mais sórdidos e ardilosos das tiranias modernas. Ele é muito mais inteligente do que muitos pensam, mas de uma crueldade e cinismo praticamente sem paralelos. É o típico caso de astúcia usada a serviço da perversidade. Aliás, Dilma não é muito diferente. Tecnicamente, ela é muito ardilosa, mas parece ter um problema de impulsividade. Mas tanto quanto Lula, Dilma é uma totalitária que tem em mente um plano para nos transformar em escravos, como já acontece com os venezuelanos. Se soubermos contar a história desta era no futuro, devemos mostrá-lo como o tipo mais perigoso de ditador que a era moderna pode conceber.
 
M@M - Pode uma candidatura precoce de um independente (em termos dos blocos partidários habituais) como Bolsonaro sobreviver a 3 anos de massacre midiático? Bolsonaro se parece com um novo Enéas, com um novo Collor, ou com nenhum deles? 
 
LA - O Bolsonaro está mais para um novo Enéas aditivado com alguns aspectos propiciados pela Internet, especialmente o potencial de construção de imagens e personagens fortes longe da mídia tradicional. Se não tivéssemos a Internet, Bolsonaro não teria voto algum. Mas estes são os “ventos da mudança”. No momento atual, vejo uma candidatura complicada, e concordo que ele seja vítima de um massacre midiático. Porém, ele não facilita as coisas para si próprio. Eu até acho bastante complicada a ideia de uma candidatura focando em 2018 neste momento. Eu sugeriria que ele se transformasse em um “herói” da direita encampando algumas demandas como congressista e desafiando os outros oposicionistas a se posicionarem no ataque à extrema-esquerda por exemplo. Bolsonaro poderia aproveitar essas lutas para mudar um pouco sua imagem. Mas, enfim, é uma aposta da parte dele. Eu ficarei muito surpreso se ele sobreviver ao bombardeio que sofrerá em sua candidatura.
 
M@M - Finalmente: a agonizante a fase de "esquerdismo sindical" ou algo do gênero, representada pelos petistas, caminhamos para qual nova fase? Será o momento do esquerdismo ecológico de Marina, uma chance para o conservadorismo de costumes associado ao liberalismo econômico, ou uma tenebrosa arremetida à extrema esquerda com algum PSOL da vida? 
 
LA - Nós já estamos sob um governo de extrema-esquerda. O PSOL não oferece nada muito diferente do PT. Eu não apostaria muito no esquerdismo ecológico de Marina. Mas há um potencial de crescimento para a mistura de conservadorismo com liberalismo econômico. Mas no Brasil, eu faria as seguintes apostas: se não revertermos o golpe do STF de 17/09/2015, que estabeleceu o controle bolivariano de campanhas, assistiremos partidos esquerdistas tendo mais facilidades do que se pensa. Essa foi uma questão ignorada pela direita. Quase ninguém notou que essa regra – criada pelo PT – era uma forma de ajudar aqueles partidos que usufruem de muita verba estatal indireta. Isso quer dizer que se o PT afundar de vez, seus políticos podem ir para partidos de esquerda que serão abraçados por sindicalistas, recebedores de verbas da Lei Rouanet e membros de ONG’s, todos eles nadando em verbas estatais. Era isto que deveria ter sido proibido em termos de financiamento de campanhas, não o financiamento das empresas. Mas a direita ignorou esta questão. Quem sabe um candidato como Jair Bolsonaro não pode lutar para reverter esse absurdo e propor um projeto de lei que corrija o golpe do controle bolivariano de campanhas? Quanto ao crescimento da direita, vejo aqui um potencial, como já disse anteriormente. Mas esse crescimento deixará de ser efêmero apenas se a direita realmente decidir começar a criar uma verdadeira consciência política. Esse é nosso maior desafio.
 
 
Entrevista conduzida por Felipe Atxa e Maria Júlia Ferraz
 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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