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Ser brasileiro é jamais ter de pedir perdão
09/06/2015 - Felipe Atxa
Uma escancarada evidência de que não estamos nem perto de uma solução para os problemas reais do Brasil é a volta triunfal de Eike Batista.
(Realmente, quem ri por último ri melhor, no país dos otários incorrigiveis...)
 
É bastante provável que, apesar da onda aparentemente irrefreável de insatisfação quanto ao atual estado de coisas na política, modificações reais passem longe do futuro dos brasileiros. A maior razão para isso é que uma significativa parcela dos que estão genuinamente horrorizados com os desmandos liderados pelo PT acredita que basta alguma alteração pontual (o impeachment de Dilma, por exemplo, ou o fim das urnas eletrônicas) para que tudo melhore num passe de mágica. 
 
Nada mais distante da verdade. O grau de deterioração e comprometimento - não só das instituições formais, como também dos costumes - é de tal ordem que somente uma profunda e radical transformação poderá resultar em mudanças concretas. Vamos a um exemplo bem ilustrativo: quando os nazistas perderam a guerra, levando a Alemanha ao fundo do poço mais desolador que se poderia imaginar na época, o país não se reconstruiu - tornando-se, após muitas décadas, na potência unificada que é hoje - com uma troca simples de comando; foi preciso que se "desnazificasse" o país da forma mais efetiva que era então possível (a qual, como tudo na realidade, mostraria certas limitações impostas pelas circunstâncias). Porém, tal reestruturação não teria sido possível caso a derrota para os aliados e o caos resultante tivessem sido acompanhados de algum tipo de contemporização (mesmo que simbólica) com tudo (e notadamente os agentes) que haviam levado o país àquela tragédia. Ou seja: certamente não haveria uma nova Alemanha sem a admissão pública e completa do fracasso do que havia sido tentado até então.
 
No caso atual do Brasil, não há nem sombra no horizonte de uma admissão pública do fracasso de tudo que vem sendo feito há décadas (e que inclui não só o esquerdismo dos políticos, mas também a noção genérica de que o Estado será promotor de justiça e prosperidade, apesar de todas as evidências em contrário). A eventual (embora improvável) saída dos petistas do poder nada mais seria do que uma derrota localizada de todo um projeto de poder e transformação da sociedade - projeto esse que tem ecos ainda pouco observados e denunciados. Um deles é o uso sistemático das networkings entre autoridades, altos servidores públicos, empresários e a grande mídia, capaz de renovar os esquemas de manipulação e conluio sustentados pelo orçamento público, em trocas muitas vezes despercebidas de favores por empréstimos disfarçados de "políticas de incentivo à indústria nacional", para ficarmos num exemplo bem óbvio.
 
Qualquer real transformação do país precisa, necessariamente, atingir objetivamente a distorção representada pelo excesso de poder nas mãos do governo federal (em relação aos governos estaduais e municipais); pelo excesso pornográfico de dinheiro coletado através dos tributos e que fica nas mãos de pessoas que, em outras circunstâncias, não administrariam sequer o dinheiro da merenda de uma tropa de escoteiros; pela distinção gritante existente entre os regimes impostos aos servidores públicos quanto ao restante da população, o que efetivamente tem criado duas categorias de brasileiros: os sujeitos docilmente às imposições da livre concorrência e do mercado de trabalho, e aqueles confortavelmente alojados no seio farto do empregador estatal (cuja consequência mais evidente é o jogo de chantagem imposto às comunidades em ocasião das greves em setores públicos importantes, como transporte, educação, saúde, etc.).
 
Uma escancarada evidência de que não estamos nem perto de uma abordagem para o problema aqui exposto é a volta triunfal de Eike Batista (http://economia.ig.com.br/2015-06-06/com-a-divida-zerada-e-dinheiro-eike-garante-eu-vou-recomecar.html) ao conhecido jogo de negócios alavancados com dinheiro de empréstimos públicos (cena repetitiva do teatro encenado pelo governo cujo tema, tão apreciado pela mídia, é o já citado "incentivo à indústria nacional"). Fracassado retumbante em negócios bilionários, ele planeja uma volta, por saber que, neste Brasil (o do PT, o do estatismo, o do governo gigante e lotado de grana para usar conforme os interesses dos partidos no poder), o êxito é um detalhe: importam mesmo as networkings com agentes públicos poderosos, a capacidade de replicar platitudes através de redes sociais e portais de notícias, a intimidade com blogueiros "de prestígio" patrocinados por estatais, etc. É como se o híbrido de empreendedor e celebridade dissesse: "Não importa que tudo que eu fiz deu errado, estamos no Brasil, venho de uma família influente, continuo tendo livre acesso na mídia e aos puxa-sacos que nela militam, em breve estarei fazendo negócios lastreados de forma direta ou indireta por verba pública."
 
O impeachment de Dilma ou uma nova maneira de contar os votos impressos na próxima eleição não farão nem cócegas neste panorama de terra arrasada ao qual chegamos.
 



 
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COMENTÁRIOS
11/06/2015
(ASB)

Triste, muito triste, um país onde existe a possibilidade de existência um Eike.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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