Boa Noite ! Hoje é Quinta Feira, 25 de Maio de 2017.
 
Fique por dentro de nosso conteúdo em sua caixa de e-mail:
 




 
> Brasil
Compartilhar
Álvaro Dias é a chave para compreender o Brasil
27/05/2015 - Felipe Atxa
É impossível compreender o Brasil sem compreender, antes, o que se passa com Álvaro Dias, o senador do PSDB.
É impossível compreender o Brasil sem compreender, antes, o que se passa com Álvaro Dias, o senador do PSDB.
 
 
Dias é um combativo senador de oposição aos petistas. Não é ignorante, nem tampouco maluco. Ainda assim, Dias vai lá e empenha todo o seu prestígio à indicação de um simpatizante do PT e militante das causas de extrema esquerda ao STF (http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/alvaro-dias-da-parecer-favoravel-a-indicacao-de-fachin/).
 
O que significa tudo isso: que Dias é um traidor? Que Fachin está curado da militância pró-MST?
 
Nem uma coisa, nem outra. Ambos sabem que ideologias, no Brasil, curvam-se e retorcem-se segundo os interesses e arranjos da elite - da qual os dois fazem parte. Independente do que Fachin vier ou não a fazer no STF, tal arranjo permanece garantido. É esse arranjo que mantém as coisas no Brasil como sempre foram: de um lado, uma elite econômica, política, burocrática, sindical, intelectual, ditando as regras e mantendo os próprios privilégios avalizados pelo poder estatal, e de outro os brasileiros comuns, contribuintes, escravizados e obrigados a sustentar essa casta de privilegiados. 
 
Tanto Fachin quanto Dias sabem o real valor da networking, das relações pessoais. O mesmo raciocínio empresta alguma lógica a eventos como aquele onde Ives Gandra Martins posiciona-se contrariamente à prisão de José Dirceu (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/09/1345627-dirceu-foi-condenado-sem-provas-diz-ives-gandra.shtml). Se você, prezado leitor conservador ou liberal, que nunca foi a Cuba treinar pra derrubar o capitalismo, fosse preso amanhã, obteria de um jurista renomado como Gandra um parecer a respeito de sua condenação? Certamente não - exceto no caso de sua rede de relações pessoais cruzar-se em algum momento com a rede de relacionamentos de Gandra, e este é o ponto central muitas vezes ignorado no debate.
 
Ao não enfrentar frontalmente tal realidade, oposicionistas - reais ou imaginários - ao PT correm o risco de fazer fumaça e não modificar coisa alguma, seja com novena, caravana, abaixo-assinado, etc. O fato é que, da mesma forma que Dias, uma grande parte dos políticos e formadores de opinião não quer realmente mudar o atual estado de coisas - para pessoas como eles, é melhor assegurar o poder dos Fachins que pertencem a suas networkings pessoais do que correr o risco de ficar de fora do permanente arranjo entre as elites, que no final das contas garante seus privilégios (no caso dos políticos como Álvaro Dias, inimagináveis às pessoas comuns), poderes localizados e oportunidades de negócios. E isso independe do Foro de SP, dos panelaços ou das invasões do MST.
 
Ou você nunca achou curiosa a quantidade de casamentos entre representantes de tradicionais famílias brasileiras em que políticos aparentemente adversários parecem congratular-se até altas horas, em ambiente de harmonia e discreta condescendência (http://www.osul.com.br/lula-dilma-e-seus-adversarios-politicos-estarao-presentes-em-um-casamento-neste-sabado/)?  
 
Eventos como esses não são exceções, são a verdadeira regra, o mote, o leitmotiv que conduz o arranjo político-social brasileiro. Ele é injusto, amoral, aparentemente contraditório como no caso Dias-Fachin, mas é o que realmente está por trás de nossa crise. Um grande arranjo da elite, sustentado pelo poder central de um Estado gigantesco, alimentado por tributos escorchantes. 
 
Da próxima vez que um político, que um jornalista, que um alto servidor público, que um militar de carreira, que um líder religioso, falar mal do PT, da corrupção ou do Foro de SP, pergunte a ele, olhando bem em seus olhos: Você estaria realmente disposto a abrir mão de suas prerrogativas, de sua aposentadoria integral, de seu foro privilegiado, de sua verba de representação, de seu auxílio-moradia, de seus contatos com as pessoas mais poderosas deste país, de seu livre trânsito nos salões das autoridades, para modificar radicalmente a trágica situação do Brasil?
 
Sem levar tudo isso em conta, lamentaremos de Fachin em Fachin, de Dias em Dias, por toda a eternidade.
 



 
Compartilhar

COMENTÁRIOS
05/06/2015
(luiz otávio)

Felipe, que análise fantástica! Mas que porrada em qualquer chance de sonho e utopia por parte de nós, que ainda sonhamos com um Brasil melhor. Não há luz no fim do túnel. Só a morte nos libertará?
 
01/06/2015
(Maria Júlia )

Arrasou! :)
 
29/05/2015
(F Carlos)

Brilhante artigo, é complementado pelo: A “pirâmide” da desigualdade brasileira - Redação Midia@Mais.
 
28/05/2015
(cacilda frança)

a soluçao entao e diminuir o estado,privatizando todas as estatais e universidades,diminuir o numero deputados, vereadores,as mordomias do executivo, legislativo, judiciario.
 
INSERIR COMENTÁRIO
Nome / Apelido
E-mail (opcional)
Comentário



Redação: Paulo Zamboni
AmbientalismoAmérica LatinaBrasilCulturaEconomiaEntrevistasEUA e GeopolíticaEuropaMídia em FocoOriente MédioPolíticaSegurança Pública
Artigos IndicadosCLIPPING@MAISEspecialLiteraturaResenhas
Home Editorial Faq Fale Conosco


Canais:
 
MÍDIA A MAIS © COPYRIGHT 2013, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS