Boa Noite ! Hoje é Domingo, 28 de Maio de 2017.
 
Fique por dentro de nosso conteúdo em sua caixa de e-mail:
 




 
> EUA e Geopolítica
Compartilhar
Tom Cotton, um herói trágico
02/04/2015 - Victor Davis Hanson
Apesar do valor da sua carta aberta, Tom Cotton vai se tornar o bode expiatório de Obama quando as negociações com o Irã inevitavelmente falharem.
(Senador Tom Cotton. A coragem de fazer o que é o certo custa um alto preço)
 
A piada sarcástica atribuída ao ministro das Relações Exteriores francês do século 19 Charles Maurice de Talleyrand - "Foi pior do que um crime; foi um erro "- circulou recentemente para ridicularizar uma carta escrita pelo senador Tom Cotton (R., Ark.) e assinada por outros 46 senadores.
 
Eles escreveram para a teocracia iraniana que qualquer acordo sobre a proliferação nuclear negociado com o presidente Obama não vai constitucionalmente vincular a próxima administração - a menos que seja devidamente ratificado pelo Congresso.
 
O democratas ficaram indignados. Eles acusaram que a carta de Cotton é um crime, uma violação do Decreto Logan de 216 anos. Essa lei proíbe que pessoas não autorizadas realizem negociações com governos estrangeiros.
 
Mesmo alguns republicanos se queixaram que a carta foi um erro político. Ela supostamente faz o jogo do presidente Obama e sua caricatura sobre conservadores de extrema-direita e obstrucionistas.
 
Na verdade, a carta não era um crime ou um erro.
 
Os senadores e membros da Câmara tem uma longa história de freelancer em política externa. Às vezes eles fazem isso de forma inteligente, às vezes estupidamente.
 
Senadores republicanos fizeram um grande esforço para minar a ideia utópica de Woodrow Wilson de uma Liga das Nações. O general Douglas MacArthur e o líder da minoria Joe Martin fizeram o seu melhor para sabotar o que eles pensavam ser uma política imprudente do então presidente Harry Truman referente à Coréia e Formosa.
 
Os democratas no Congresso tem sido bastante veementes em deformar a política externa governamental, reivindicando um papel de igualdade com o governo.
 
O secretário de Estado John Kerry é o mais indignado dos críticos de Cotton - e tem o registro mais notório de tentar minar a política externa presidencial.
 
Como senador calouro, Kerry viajou à Nicarágua para se solidarizar com o "comandante" Daniel Ortega - como uma forma de se opor aos esforços do então presidente Reagan para ajudar os Contras em sua resistência à tomada comunista promovida pelos sandinistas. Outros dois democratas, o senador Tom Harkin e o presidente da Câmara Jim Wright, também se reuniram com Ortega.
 
Mais infeliz foi desastrosa viagem da presidente da Câmara Nancy Pelosi à Síria em 2007, para se reunir com o brutal presidente Bashar al-Assad. Na época de seu encontro, Assad estava oferecendo assistência aos grupos radicais islâmicos que estavam atacando as tropas dos EUA no Iraque.
 
Cotton e os senadores, em contrapartida, nunca viajaram para território hostil, nunca se reuniram com os inimigos da América e nunca escreveram calorosas cartas pessoais para bandidos.
 
Mas a carta de Cotton foi um "disparate" político?
 
Não realmente.
 
O esforço de Obama para negociar o fim da proliferação nuclear iraniana provavelmente está fadado ao fracasso, dado a autorização para o enriquecimento nuclear iraniano. Obama também não tem credibilidade diplomática após a emissão de vários prazos vazios anteriores para os iranianos cessarem seu enriquecimento nuclear.
 
A "linhas vermelhas" de Obama na Síria, o fracassado recomeço com a Rússia, a confusa liderança de retaguarda na Líbia e a debandada no Iraque e Iêmen convenceram os iranianos que Obama irá previsivelmente ser suave nas negociações, ou não esperar o cumprimento de qualquer acordo que ele assinar.
 
A desavença de Obama com Israel e os Estados do Golfo Árabe apenas lembraram ainda mais aos iranianos que os negociadores norte-americanos não estão preocupados com a indignação de seus aliados sobre o acordo proposto.
 
Classificado como patrocinador do terrorismo pela primeira vez em 1984, o Irã tem sido considerado pelo Departamento de Estado o principal fiador do terrorismo. Ele ameaçou abertamente destruir Israel. Ele enviou agentes ao Iraque para matar norte-americanos. E agora fixou dependências xiitas no Iraque, Líbano, Síria e Iêmen.
 
Diante de tudo isso, nenhuma administração americana sã confiaria que os iranianos irão desistir de seu programa nuclear. Em vez disso, a maioria dos presidentes teria continuado com duras sanções econômicas - com embargos ainda mais duros, se os iranianos não parassem de tentar fazer uma bomba.
 
O que Cotton e os senadores fizeram não é criminoso ou estúpido, mas valioso tanto para o país e - ironicamente - para a administração Obama.
 
Obama já está descaracterizando a carta para usá-la como um bloqueio com os iranianos. Ele parece estar lembrando-lhes que ele é a única coisa entre eles e os extremistas anti-iranianos no Senado dos Estados Unidos. Se Obama de alguma forma conseguir assustar os iranianos em um tratado, ele certamente não irá dar o crédito aos senadores por permitir-lhe jogar como o "policial bom" enquanto o senador Cotton é o "policial ruim".
 
Mais provavelmente, o acordo a estilo de Munique irá falhar em face de demandas iranianas ultrajantes e um público americano cada vez mais indignado.
 
Quando isso acontecer, Obama, então, irá culpar Cotton e seus colegas republicanos por minar seus esforços condenados. Tal escapatória é um velho jogo para Obama, que culpou fatores que variam de George W. Bush a tsunamis para suas fracassadas políticas externa e interna.
 
Republicanos, democratas e todos os americanos deveriam agradecer Cotton por lembrar os iranianos que, sob a Constituição dos Estados Unidos, o Senado deve ratificar tratados com potências estrangeiras. Cotton não obterá o crédito se os iranianos ficarem preocupados sobre sua carta, cederem e oferecerem as concessões necessárias.
 
Mas Cotton vai ser muito criticado se os negociadores iranianos forem embora, furiosos porque um Senado cético teria de aprovar qualquer acordo suave que eles arrancarem de Obama.
 
Em outras palavras, Cotton não é um estúpido - ele é um herói trágico clássico que perde sempre.
 
 
 
Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz

 

 



 
Compartilhar

COMENTÁRIOS
04/04/2015
(Agapito Costa)

Obama é um Lula politizado, nada mais. Ele faz parte da cumplicidade da mídia e dos intelectuais desonestos que envenenam os meios acadêmicos e manipulam as informações de acordo com seus interesses espúrios. Dentre esses interesses, pode destacar a própria propagação do vírus do antiamericanismo, temível causador de paralisia intelectual agida e verborreia crônica. Volto a dizer; Obama não foi a melhor escolha do eleitorado americano.
 
INSERIR COMENTÁRIO
Nome / Apelido
E-mail (opcional)
Comentário



Redação: Paulo Zamboni
AmbientalismoAmérica LatinaBrasilCulturaEconomiaEntrevistasEUA e GeopolíticaEuropaMídia em FocoOriente MédioPolíticaSegurança Pública
Artigos IndicadosCLIPPING@MAISEspecialLiteraturaResenhas
Home Editorial Faq Fale Conosco


Canais:
 
MÍDIA A MAIS © COPYRIGHT 2013, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS