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A importância do Iêmen
01/04/2015 - Daniel Pipes
A agilidade diplomática da Arábia Saudita é o mais recente lance nos acontecimentos do Oriente Médio e pode moldar o futuro da região.
(Os líderes árabes têm uma longa história de encontros, mas não de colaboração. A partir da direita: o rei Hussein da Jordânia, Gamal Abdel Nasser do Egito, Yasser Arafat da OLP, e Muammar Kadafi, da Líbia, em Setembro de 1970)
 
O Oriente Médio testemunhou algo radicalmente novo há dois dias (26/03), quando o Reino da Arábia Saudita respondeu a um apelo do presidente do Iêmen e liderou uma coalizão de 10 países para intervir por terra e ar no país. A "Operação Tempestade Decisiva" pede muitas reflexões:
 
- Arábia e Egito em aliança: Meio século atrás, Riad e Cairo estavam ativos em uma guerra no Iêmen, mas eles apoiavam lados opostos, respectivamente, as forças do status quo e os revolucionários. Agora são aliados que apontam para continuidade na Arábia juntamente com mudanças profundas no Egito.
 
- Os povos de idioma árabe conseguindo agir juntos: Durante as primeiras décadas de Israel os árabes sonharam com a união militar contra ele, mas as realidades de lutas internas e rivalidades esmagaram tal esperança. Mesmo nas três ocasiões (1948-1949, 1967, 1973) em que eles uniram forças, fizeram-no de forma contraditória e ineficaz. Agora, admiravelmente, finalmente, eles devem se unir e não contra Israel, mas contra o Irã. Isso aponta implicitamente para o entendimento de que a República Islâmica do Irã representa uma ameaça real, enquanto o anti-sionismo equivale a mera indulgência. E também aponta para o pânico e a necessidade de tomar medidas resultantes de uma decisiva retirada americana.
 
- O Iêmen no centro das atenções: O Iêmen desempenhou um papel periférico na Bíblia, no surgimento do Islã e nos tempos modernos; nunca foi o foco de preocupação mundial - até de repente tornar-se. O Iêmen se assemelha a outros países outrora marginais - as Coréias, Cuba, os Vietnãs, Afeganistão - que do nada se tornaram o foco de preocupação global.
 
- A Guerra Fria do Oriente Médio torna-se quente: Os regimes iranianos e sauditas dirigiram um duelo de blocos por cerca de uma década. Eles combateram como os governos dos Estados Unidos e da União Soviética fizeram uma vez - via ideologias em conflito, espionagem, ajuda, comércio e ação secreta. Em 26 de março, a guerra fria tornou-se quente, sendo provável que permaneça assim por longo tempo.
 
- Pode a coalizão liderada pela Arábia vencer? Altamente improvável, já que são novatos engajando aliados do Irã endurecidos pela batalha, num terreno ameaçador.
 
- Islamistas dominam: Os líderes dos dois blocos compartilham muito: aspiram aplicar universalmente a lei sagrada do Islã (a Sharia), ambos desprezam infiéis, e ambos transformaram fé em ideologia. Seu desentendimento confirma o islamismo como único jogo no Oriente Médio, permitindo aos seus proponentes o luxo de lutar entre si.
 
- A aliança Turquia-Qatar-Irmandade Muçulmana em declínio: Uma terceira aliança de revisionistas sunitas em algum lugar entre os revolucionários xiitas e os sunitas status quo tem sido ativa nos últimos anos em muitos países - Iraque, Síria, Egito, Líbia. Mas agora, em parte graças à diplomacia iniciada pelo novo rei Salman da Arábia Saudita, seus membros estão gravitando em direção a seus correligionários sunitas.
(Rei Salman da Arábia Saudita fez algo sem precedentes ao unir uma coalizão militar)
 
- O Irã isolado: Sim, uma Teerã beligerante agora se orgulha de dominar quatro capitais árabes (Bagdá, Damasco, Beirute, Sanaa), mas isso é também o seu problema: repentinos ganhos iranianos têm levado muitos na região (incluindo estados anteriormente amigáveis ​​como Paquistão e Sudão) a temerem o Irã.
 
- O conflito árabe-israelense em segundo plano: Se a administração Obama e os líderes europeus continuam obcecados com os palestinos, vendo-os como a chave para a região, os atores regionais têm prioridades muito mais urgentes. Não só Israel dificilmente lhes diz respeito, mas o Estado judeu serve como um auxiliar tácito do bloco liderado pela Arábia. Será que esta mudança marca uma alteração de longo prazo nas atitudes árabes em relação a Israel? Provavelmente não; quando a crise do Irã se desvanecer, as atenções deverão se voltar para os palestinos e Israel, como sempre acontece.
 
- A política americana em desordem: os senhores do Oriente Médio zombaram em 2009 quando Barack Obama e seus ingênuos colaboradores esperavam que deixando o Iraque, sorrindo para o Irã e tornando duras as negociações árabes-israelenses iriam mudar a região, permitindo um "pivô" para a Ásia oriental. Ao invés disso os incompetentes de cócoras na cúpula do governo americano não conseguiram prevenir os rápidos e adversos eventos, muitos dos quais criados por eles próprios (anarquia na Líbia, tensões com tradicionais aliados, uma maior belicosidade do Irã).
(Diplomatas americanos encontram novamente com os seus homólogos iranianos para capitular em mais uma divergência)
 
- O impacto em um acordo com o Irã: Embora Washington tenha cedido em muitas posições nas negociações com o Irã e feito muitos favores ao regime dos Mullah (por exemplo, não listando-o ou a seu aliado Hezbollah como terrorista), ele traçou uma linha no Iêmen, oferecendo à coalizão anti-Irã algum apoio. Será que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, irá deixar as negociações? Altamente improvável, pois o acordo oferecido a ele é doce demais para recusar.
 
Em suma, a diplomacia hábil de Salman e sua disposição de usar a força no Iêmen respondem à combinação mortal de anarquia árabe, a agressão iraniana e a fraqueza Obama de uma forma que vai moldar a região por anos.
 
Também disponível no site do autor
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz

 

Nota Redação MÍDIA@MAIS: Para maiores informações sobre o assunto leia as Editorias Oriente MédioEUA e Geopolítica e Cultura

 

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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