Boa Noite ! Hoje é Domingo, 23 de Abril de 2017.
 
Fique por dentro de nosso conteúdo em sua caixa de e-mail:
 




 
> EUA e Geopolítica
Compartilhar
A audácia da fraqueza
06/03/2015 - Victor Davis Hanson
A política externa moralmente confusa de Obama está tornando o mundo mais perigoso a cada dia.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, falou ao Congresso na terça-feira para alertar os americanos sobre as ameaças anti-ocidentais do teocrático - e é provável que em breve nuclear - Irã.
 
Netanyahu veio aos EUA para delinear o plano iraniano para refazer o Oriente Médio com um novo arsenal nuclear. Sua advertência foi entregue, apesar das objeções da administração Obama, que quer fazer um acordo com o Irã que permita que a teocracia continue a enriquecer lotes de urânio.
 
Netanyahu recebeu uma ovação de pé por afirmar o óbvio. O Irã é atualmente o maior patrocinador global do terrorismo. Teerã tem agora o controle de facto sobre quatro nações do Oriente Médio: Iraque, Líbano, Síria e Iêmen. O Irã ignorou seguidamente os prazos anteriores dos EUA para parar o enriquecimento nuclear. Ele habitualmente tem enganado os inspetores da ONU. Ele corre o risco de desencadear uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio.
 
Até certo ponto a economia iraniana foi arranhada devido às sanções ocidentais. Centenas de milhares de reformistas saíram às ruas de Teerã em 2009 para protestar contra o que eles acreditavam ser os resultados fraudulentos de uma eleição presidencial. A teocracia estava preocupada que seus planos nucleares causariam o colapso econômico devido às sanções ou levariam algum tipo de resposta militar ocidental.
 
Mas tudo isso mudou devido ao zelo da administração Obama para concluir um acordo com o Irã a qualquer custo.
 
Nos últimos seis anos, muitos dos aliados norte-americanos, além de Israel, ficaram assustados com a nova e estranha modéstia dos Estados Unidos - como se a administração Obama considerasse que a proeminência anterior da América como líder e protetor do Ocidente era injustificada, demasiado cara ou resultou em uma ordem mundial injusta precisando de ajuste.
 
O Presidente Obama assumiu o cargo prometendo redefinir a diplomacia com a Rússia. Ele declarou o fim da medidas punitivas do ex-presidente George W. Bush contra a Rússia - como se de alguma forma os Estados Unidos, e não a Rússia, fosse o responsável pelo afastamento crescente.
 
O presidente russo, Vladimir Putin, no entanto, interpretou a redefinição como culpa americana. Ele assumiu que haveria poucas conseqüências por ocupar a Criméia e o leste da Ucrânia, da mesma forma que ele havia cortado partes da Geórgia. Até agora, ele tem razão. Não é à toa que aos seus olhos os Estados Bálticos são os próximos.
 
Controvérsias envolvem a criação e disseminação do Estado islâmico na Síria e no Iraque. Mas não há desacordo sobre o que se seguiu a retirada abrupta de Obama de forças norte-americanas do Iraque, e como ele cumpriu uma promessa de campanha.
 
Ao mesmo tempo o governo se gabou do Iraque como possivelmente a sua "maior conquista" e como era "estável" e "seguro". Mas a retirada precipitada levou à anarquia e um terreno fértil em que o Estado islâmico poderia prosperar. Depois de 2011, descobriu-se que a ausência de tropas dos EUA no Iraque, e não a sua presença, tinha favorecido os terroristas selvagens.
 
A mesma confusão caracterizou a política americana na Síria. O presidente sírio Bashar Assad ignorou a "linha vermelha" de Obama usando armas químicas, mas Obama não impôs conseqüências. Em seguida, o secretário de Estado John Kerry foi diminuído ao pedir para Putin negociar um acordo para salvar a face - como se de alguma forma os EUA, não a Síria, tivesse se precipitado.
 
Em reação a uma série de crises terroristas - o tiroteio em Fort Hood, os bombardeios na maratona de Boston, as mortes em Ottawa e Sydney, e, mais recentemente, o assassinato de jornalistas e cidadãos judeus em Paris - a administração Obama se recusou até mesmo para proferir a frase "o Islã radical."
 
Em meio a tanta confusão moral, quem é o inimigo americano e quem é o aliado? Netanyahu recebeu mais invectivas da administração do que o Irã - como se uma nação democrática ocidental, não o espectro de um Irã nuclear, fosse a fonte de tensões crescentes.
 
O tema comum em todos esses exemplos é que de alguma forma os Estados Unidos (ou seus aliados) são retratados como sendo culpados pelos problemas atuais - não os autocráticos e bandidos teocráticos que invadem seus vizinhos, ameaçam destruir as democracias e encaram o terror como instrumento legítimo de política de Estado.
 
A paralisia da administração Obama não é apenas retórica. Pela primeira vez desde 2001, os gastos com defesa vão mergulhar abaixo de 4% do PIB, com o Exército, Marinha e Força Aérea encolhendo quase para os baixos-níveis recordes do pós-guerra.
 
Os astronômicos 18 trilhões de dólares em dívida nacional não foram a única causa dos cortes militares. Os inimigos da América entenderam que mesmo maciços cortes na defesa - e aumentos de impostos - ainda não compensaram o grande aumento nos gastos sociais, resultando em déficits anuais que rodam mais de 500 bilhões de dólares.
 
A retirada do cenário mundial está associada não apenas com um endividamento maciço e farra de gastos em casa, mas também com a penitência da administração para com um suposto farisaísmo e pecados do passado no exterior  - como Obama se refere ao catálogo que vai das Cruzadas, a Inquisição, a escravidão e Jim Crow até as mais recentes guerras do Afeganistão e do Iraque, a baia de Guantánamo e a Guerra ao Terror.
 
Infelizmente, ao longo da história, os líderes que pareciam cansados ​​e cheios de remorso encorajaram o caos. E o caos incentiva guerra - ainda mais quando a fraqueza parece tão audaciosa.
 
 
Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 
Nota Redação MÍDIA@MAIS: Para mais informações leia as Editorias Oriente Médio e EUA e Geopolítica
 



 
Compartilhar

COMENTÁRIOS
INSERIR COMENTÁRIO
Nome / Apelido
E-mail (opcional)
Comentário



Redação: Paulo Zamboni
AmbientalismoAmérica LatinaBrasilCulturaEconomiaEntrevistasEUA e GeopolíticaEuropaMídia em FocoOriente MédioPolíticaSegurança Pública
Artigos IndicadosCLIPPING@MAISEspecialLiteraturaResenhas
Home Editorial Faq Fale Conosco


Canais:
 
MÍDIA A MAIS © COPYRIGHT 2013, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS