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Em defesa da chamada extrema-direita européia
30/01/2015 - Daniel Pipes
Ao invés de serem demonizados e marginalizados, os partidos populistas europeus deveriam ser plenamente aceitos no jogo político democrático.
(Marine Le Pen, líder da da Frente Nacional. Nacionalistas e populistas representam parcelas cada vez maiores do eleitorado em seus países, e negar isso é errado e perigoso)
 
No Domingo, há uma semana (11/01), o governo francês patrocinou um comício de solidariedade que mostrou uma disposição de líderes estrangeiros e de todos os partidos políticos nacionais de se juntarem em uma "união sagrada" (um termo recordando a Primeira Guerra Mundial) contra os massacres na revista Charlie Hebdo e do mercado kosher.
 
Reuniu todos os partidos políticos, exceto um - a Frente Nacional (FN) liderado por Marine Le Pen, ostensivamente excluída por não inscrever-se nos "valores republicanos". Na realidade, ele foi barrado porque é o único entre os partidos políticos franceses que se opõe à imigração; e outros políticos temiam que a FN ganhasse com o rescaldo dos massacres. Da mesma forma, o governo proibiu ontem (18/01) uma manifestação que a organização secularista Riposte Laïque chamou de "fora islamistas".
 
Embora eu mesmo seja um liberal clássico com tendências libertárias, no centro do Partido Republicano dos Estados Unidos, congratulo-me com o fortalecimento da Frente Nacional e muitos dos outros partidos vilipendiados como estando na "extrema-direita". Aqui está o porquê:
 
Admite-se que alguns partidos europeus têm um caráter fascista, em particular o Golden Dawn na Grécia e o Jobbik, na Hungria. Mas os outros sendo difamados são de fato populistas e rebeldes, muitas vezes com programas econômicos de esquerda, especialmente a respeito do Estado de bem-estar. Eles são criativamente centristas, formando uma nova combinação que atrai tanto os simpatizantes das políticas de direita quanto de esquerda.  Eles representam a resposta saudável, normal,legítima e construtiva de um povo sob estresse. Além disso, eles abordam o que está em muitas mentes.
 
Por exemplo, no caso das recentes atrocidades, Le Pen foi, como de costume, o único líder francês com ousadia para sair e identificar sua causa: "Estamos combatendo uma ideologia, a do fundamentalismo islâmico." Em contraste, o presidente François Hollande mentiu descaradamente: "Aqueles que cometeram esses atos, esses fanáticos, não tem nada a ver com a fé muçulmana." (Seu primeiro-ministro, Manuel Valls, fez um pouco melhor: "Nós faremos guerra ... contra o Islã radical.")
 
Além da FN na França, partidos semelhantes incluem o Partido da Independência do Reino Unido, o Partido do Povo Suíço, o Partido da Liberdade da Áustria, Alternativa para a Alemanha, o Partido do Povo Dinamarquês, o Partido do Progresso (Noruega), os Democratas da Suécia, o Finns party, e - na liderança do grupo - o Partido para a Liberdade (Países Baixos), fundado por Geert Wilders, que eu considero ser o mais importante político da Europa.
 
São duas as principais preocupações de suas agendas: a União Europeia e o Islamismo. A UE desperta respostas negativas por uma variedade de razões - os britânicos querem ficar fora dela, os alemães querem gastar menos com os outros, os gregos querem menos austeridade: todos se sentem oprimidos pelo experimento supra-nacional, que começou modestamente em 1951 como a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Somente burocratas da UE e os abastados, protegidos das realidades da vida cotidiana, argumentam que as coisas estão bem.
 
Sobre o islamismo, a reação em toda a Europa é unificada. Da Espanha até a Noruega, ouve-se sobre excesso de imigrantes, demasiada receptividade, demasiadas patologias sociais, excesso de supremacia islâmica e de Sharia (lei islâmica) e muita violência. Um número crescente de cidadãos europeus temem o islamismo, lamentam a perda de sua cultura tradicional e se preocupam com o futuro dos seus filhos.
 
Os partidos tradicionais, os meios de comunicação e acadêmicos se envolvem em uma campanha de difamação, de marginalização e ostracismo contra esses partidos para colocá-los à margem, como se fossem novos nazistas. Isto é perigoso e fútil. Perigoso porque negando aceitabilidade e deferência, membros desses grupos serão mais propensos a se expressar através do extremismo e da violência. Fútil, porque os números desta legião estão inexoravelmente em ascensão. Por exemplo, os Democratas da Suécia duplicaram o seu apoio em cada uma das últimas quatro eleições. Uma pesquisa de opinião encontra Le Pen e Wilders liderando as urnas em seus respectivos países. Como eles continuam a ganhar novos adeptos, eles se tornaram uma voz importante ao longo dos anos nos países europeus.
 
Ao invés de se envolver em xingamentos e tentativas de exclusão, as instituições estabelecidas devem encorajar os partidos populistas e moderados a se tornar mais sofisticados e participar plenamente do processo político. Embora estes tendam a ser indisciplinados, com alguns elementos paranoicos e inaceitáveis, eles estão aprendendo como se tornarem mais respeitáveis. Sim, muitos deles têm conceitos duvidosos -, mas também são partidos estabelecidos há muito tempo em países como a França, Alemanha e Suécia.
 
Sejam bem-vindos ou não, os rebeldes estão chegando. O futuro será melhor para todos os envolvidos se eles assumirem o seu papel esperado com o estabelecimento de cooperação, não difamação. Eles merecem cortesia e respeito.
 
 
 
Publicado originalmente no The Washington Times
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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