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O Ocidente pode levantar-se pela liberdade de expressão?
22/01/2015 - Victor Davis Hanson
Falsa equivalência moral e covardia flagrante ameaçam a nossa tradição de liberdade de expressão.
(A tradição ocidental de críticas duras e muitas vezes arrasadoras contra a própria sociedade onde se vive remonta desde os tempos de satíricos como Petronio)
 
O credo da civilização ocidental é o livre pensamento e expressão, o lubrificante de tudo, da democracia aos direitos humanos.
 
Mesmo um simplório no Ocidente aceita que proteger a liberdade de expressão não é a fácil tarefa de assegurar o direito de ler a Ilíada de Homero ou fazer as palavras cruzadas do New York Times. ​Em vez​ disso, ela implica no dever desagradável de permitir a expressão ofensiva.
 
Os ocidentais lutam contra a pornografia, a blasfêmia ou discurso de ódio na arena das id​e​ias, escrevendo e falando contra tais expressões chulas. Eles são livres para processar, formar piquetes, boicotar e pressionar os patrocinadores dos discursos indesejáveis. Mas os ocidentais não podem voltar para a Idade Média para assassinar aqueles cujas ideias eles não gostam.
 
"Paródia" e "sátira" são, respectivamente, palavras grega e latina. Na Antiguidade, a tradição não-ocidental simplesmente não produziu autores tão agressivos como Aristófanes, Petronius e Juvenal, que assumidamente atiravam ao lixo a sociedade ao redor deles. Se a revista satírica francesa Charlie Hebdo perde o direito milenar de ridicularizar o Islã a partir de dentro de uma democracia, então não há mais Ocidente, pelo menos tal como o conhecemos.
 
Infelizmente, quando olhamos para os defensores proeminentes da fé ocidental na liberdade de expressão, encontramos também muitas vezes os infratores.
 
Começando com Bill Donohue, presidente da Liga Católica. Recentemente, ele fez uma série de declarações tolas sobre o ataque terrorista em Paris. A essência era que os funcionários da Charlie Hebdo mortos tinham quase tanta culpa por suas mortes como seus assassinos, dada a sua blasfêmia gratuita contra a religião islâmica.
 
Será que Donohue acredita que satíricos que zombam do budismo, cristianismo, hinduísmo e judaísmo - e há muitos, incluindo os editores da Charlie Hebdo - estão em perigo mortal semelhante em todo o mundo? Será que Donohue deseja isso para esse artistas e escritores ofensivos? Os ateus podem encontrar na piscada compreensiva de Donohue aos islâmicos radicais assassinos ofensas aos ideais do iluminismo secular? Se assim for, eles deveriam agredir Donohue por seu ataque de fa​c​to sobre a liberdade de expressão sem restrições?
 
Covardia também explica o fracasso para defender a liberdade de expressão ocidental. O New York Daily News publicou recentemente uma foto do editor Stephane Charbonnier, que foi morto no ataque, segurando uma edição da Charlie Hebdo, mas com o ofensivo cart​um​ de capa caricaturando o islã estando desfocado.
 
Será que o Daily News - geralmente orgulhoso de suas sensacionalistas e muitas vezes animadas capas de tabl​oide - estendera essa isenção ao desagrado dos mórmons sobre a peça da Broadway O Livro de Mórmon, que atirou no lixo sua religião? Ele teria este cuidado para não repetir as blasfêmias contra o cristianismo ou o budismo?
 
Claro que não. Os editores assumem que os mórmons lesados não vão invadir seus escritórios de Manhattan com armas de assalto. A mídia ocidental proclama sua coragem em relação a todos, desde o Tea Party aos proprietários de armas, mas fica em silêncio quando o ofendido tem o mau hábito de decepar cabeças ​em vez​ de apenas discutir de volta.
 
Esperamos que o presidente dos Estados Unidos seja o primeiro defensor da crença ocidental na liberdade de expressão. Infelizmente, Barack Obama - que tem o hábito de comentar sobre tudo, desde a sua própria semelhança com Trayvon Martin aos prováveis finalistas no basquete - foi totalmente confuso sobre a liberdade de expressão.
 
Em 2009, durante a Revolução Verde iraniana, Obama manteve o silêncio, quando milhões de iranianos foram às ruas para exigir a liberdade à teocracia. Obama, que já fez uma viagem para a Dinamarca no último minuto para fazer lobby por Chicago para sediar os Jogos Olímpicos, foi o único grande líder ocidental ausente da grande passeata em Paris para reiterar o compromisso do Ocidente com a liberdade de expressão. ​E​sporte é uma coisa; defender a liberdade de expressão do islamismo radical é outra completamente diferente.
 
Até agora Obama manteve silêncio sobre o notável discurso no Cairo do presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, que chamou os imames e clérigos islâmicos para falar contra a violência terrorista no meio deles e incutir uma maior tolerância entre os muçulmanos. No próprio discurso de Obama no Cairo de 2009, ele convidou a intolerante Irmandade Muçulmana para participar, a fim de ouvir a maioria das mei​o​ verdadeiras reivindicações sobre as glórias históricas do Islã, enquanto Obama citou o colonialismo ocidental, a globalização e a Guerra Fria como incitações compreensíveis para os muçulmanos.
 
Após o ataque de setembro 2012 ao consulado americano em Benghazi, Obama culpou injustamente o cineasta Nakoula Nakoula por instigar a violência ao postar um vídeo anti-islâmico. Obama escolheu para atacar Nakoula - que foi convenientemente preso por um juiz federal por uma violação menor da liberdade condicional - antes de ir ​à​ Organização das Nações Unidas: "O futuro não deve pertencer a quem difamar o profeta do Islã"​.​
 
Na verdade, sr. Presidente, o futuro pertence aos homens e mulheres civilizados que não assassinam satíricos que escolhem no Ocidente ridicularizar qualquer religião que quiserem. O islã não tem nenhuma isenção especial.
 
A questão não é se no final os editores e cartunistas da Charlie Hebdo eram antipáticos ou inteligentes, autodestrutivos ou corajosos - mas apenas se os ocidentais reservam o direito de se expressar como quiserem em sua própria terra.
 
Pena que muitos de nossos líderes não entendam isso.
 
 
 
Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz

 

Nota Redação MÍDIA@MAIS: Sobre o assunto leia também: 

 

 
 
 



 
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COMENTÁRIOS
05/02/2015
(João Nemo)

Nada a acrescentar. Preciso e correto.
 
24/01/2015
(Ka)

Há um artigo excelente: "Eu não sou Charlie" de Heitor de Paola. http://heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=5052
 
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Redação: Paulo Zamboni
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