Boa Noite ! Hoje é Sexta Feira, 28 de Abril de 2017.
 
Fique por dentro de nosso conteúdo em sua caixa de e-mail:
 




 
> Entrevistas
Compartilhar
O Petrolão pode mudar a história do país
09/01/2015 - Redacao Midia@Mais
O professor Marco Antonio Villa volta ao M@M e analisa a conjuntura política brasileira neste início de 2015.
M@M -Se observarmos em retrospecto, o segundo mandato de Dilma Rousseff repete algumas características que também estiveram presentes logo após ela vencer sua primeira eleição: certa moderação no tom, esforço para conquistar a confiança do mercado financeiro, recomposição das forças de sustentação tentando agradar a diferentes setores do Congresso. Onde o senhor acha que está a grande diferença de 2011 para 2015?
 
Marco Villa - Não vejo diferença de fundo. Em 2011 ela estava em situação econômica mais confortável do que a de hoje. Mas a inaptidão para governar e formar alianças permanecem inalteradas. E o governo começou em crise com o pito no ministro do Planejamento e o bate-boca entre os ministros. 
 
M@M -O que o senhor acha mais provável que venha a acontecer neste segundo mandato: uma conversão definitiva de Dilma ao "neoliberalismo" que usa aumento de tributos para compensar a gastança dos governantes ou uma onda de esquerdismo liderada pelos movimentos sociais (MST, MPL, UNE) que leve o PT a radicalizar e a aproximar-se do modelo venezuelano?
 
MV - É difícil responder.Dilma tem uma sedução pelo esquerdismo infantil. Mas a situação econômica é grave. Além do que o petrolão é o fantasma que ronda o governo. É provável que o PT é que faça este movimento para a esquerda no sentido de ameaçar e coagir a oposição. Isto, especialmente, se o petrolão tiver o efeito que é esperado atingindo o Congresso Nacional e o coração do Palácio do Planalto.
 
M@M -Em termos de política internacional, o senhor acha que o fim do bloqueio norte-americano a Cuba representa de alguma forma uma vitória da "abordagem petista" do problema, ou seja, permitir que a ditadura dos Castros liberalize a economia e crie oportunidades de negócios sem que a abertura política esteja garantida (aliás, longe disso, conforme se viu na recente prisão de ativistas)?
 
MV - Não há qualquer mudança de fato em Cuba. A ditadura continua lá. E com apoio do governo brasileiro que ao longo dos últimos 12 anos deu à ilha dos Castros bilhões de reais. vale sempre lembrar que o "empréstimo" para a reforma do porto de Mariel é considerado secreto. Ou seja, o dinheiro do contribuinte brasileiro - via BNDES - está servindo para ajudar a permanência da ditadura castrista, a mais longa da história da América Latina.
 
M@M -Pensando nas eleições de 2016 e 2018, o senhor acha que o PSDB conseguirá manter-se coeso na oposição ao petismo, ou as aparentes divisões internas (entre serristas, alckmistas, aecistas...) irão enfraquecer seu discurso perante a opinião pública?
 
MV - Eu aposto na união. Viu-se que a divisão só interessa ao petismo. E que a união possibilitou em São Paulo uma vitória histórica do PSDB para a presidência da República, o Governo do Estado e o Senado da República.
 
M@M -Há talvez pela primeira vez em anos um movimento civil organizado de oposição ao governo. Tal movimento, que tem se manifestado especialmente nas redes sociais, mas também em passeatas de rua, demonstra muitas vezes divisões internas complicadas de conciliar, levando em conta o fato inclusive de que tal movimento não se identifica diretamente com nenhuma força partidária. São saudosistas do regime militar, liberais, libertários, conservadores, cada grupo com uma agenda mais específica. Como o senhor entende esse fenômeno? Acha que esses grupos terão força nas próximas eleições?
 
MV - Pode ser que sim. O entusiasmo é grande. O desafio é manter esta chama.E conviver com oposicionistas de vieses muito distintos.
 
M@M - Sobre o Petrolão e outros escândalos que certamente virão: o senhor acha que essa repetição de aberrações com dinheiro público pode levar a uma crise institucional, a um processo de impeachment, a um desgaste incontornável do PT, ou será um pouco como a violência que assola as cidades brasileiras - tantos crimes em repetição rotineira que as pessoas começam a nem estranhar mais o que possa vir a acontecer?
 
MV - O petrolão pode mudar a história do Brasil. Tudo indica que todos aqueles temas recorrentes da política brasileira (reforma política, tributária, entre outros) vão ficar relegados a plano secundário. O central vai ser a apuração do petrolão no STF.
 
M@M - E quanto à imprensa nacional? No ano passado, em 31 de outubro, houve o fechamento do Diário do Comércio (centenário jornal da Associação Comercial de São Paulo  que se notabilizou ao longo de sua existência pela defesa da live iniciativa) e sua total descaracterização em sua nova versão online. Era um jornal que mantinha uma linha diferente dos grandes jornais, mantendo colunistas que se opunham ao governo, à política fiscal, entre outras questões mais críticas. Na linha contrária a esse fechamento, temos a Jovem Pan que tem buscado analistas que fazem críticas assertivas ao governo. Integram esse quadro Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade e, agora, o senhor. Como o professor analisa essa linha da Jovem Pan?
 
MV - Numa sociedade democrática a imprensa é livre. O governo deve tratar os meios de comunicação com respeito e de forma alguma interferir no conteúdo produzido. Não é, infelizmente, o que ocorre no Brasil desde 1º de janeiro de 2003. Ter uma linha editorial independente, sem se submeter aos ditames governamentais, é uma clara manifestação de independência e de defesa intransigente da liberdade de informação, princípio básico de uma sociedade democrática.
 



 
Compartilhar

COMENTÁRIOS
INSERIR COMENTÁRIO
Nome / Apelido
E-mail (opcional)
Comentário



Redação: Paulo Zamboni
AmbientalismoAmérica LatinaBrasilCulturaEconomiaEntrevistasEUA e GeopolíticaEuropaMídia em FocoOriente MédioPolíticaSegurança Pública
Artigos IndicadosCLIPPING@MAISEspecialLiteraturaResenhas
Home Editorial Faq Fale Conosco


Canais:
 
MÍDIA A MAIS © COPYRIGHT 2013, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS