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Luz, câmeras e mortes
08/01/2015 - Fabricio Rebelo
Isolados em sua árdua tarefa os policias acabam se tornando mais frágeis diante de qualquer ataque, pois não há a quem se socorrerem, a não ser seus próprios colegas de farda, e isso muitas vezes é insuficiente. Os policiais de Paris vitimados no ataque dessa quarta-feira mostram isso de maneira trágica.
(Policial francês ferido sendo executado por terrorista. Assassinato cruel demonstra como até mesmo a polícia pode precisar de ajuda em situações extremas).
 
Em Paris, a cidade luz, terminou sombria a manhã dessa quarta-feira, quando um grupo de extremistas religiosos – se é que possível achar algum tipo de fé na barbárie – invadiu a sede da revista Charlie Hebdo e matou 10 jornalistas que ali trabalhavam, além de dois policiais que estavam nas imediações do prédio. O ato teria sido resposta à irreverência editorial das charges publicadas pela revista, que constantemente zombava de segmentos religiosos, dentre os quais o Islã, ao qual estariam ligados os autores do massacre.
 
A cobertura do ataque pela mídia tem sido rica na divulgação de vídeos da ação dos terroristas. Várias filmagens foram feitas por testemunhas, inclusive uma impactante, da execução covarde de um policial já caído. Havia câmeras a postos para registrar o passo-a-passo dos extremistas, mas, infelizmente, nada mais que pudesse ser utilizado para impedir seus atos. As filmagens foram a expressão de uma população em pânico, impotente ao testemunhar assassinatos com inegável toque de crueldade.
 
A França é um dos países do mundo em que a posse de armas de fogo pela população civil é proibida, exceção feita às de caça e esportivas. Não havia para os terroristas, portanto, nenhum receio de se expor, como fizeram, em vias públicas, justamente o que permitiu fossem amplamente filmados, pois seus únicos potenciais oponentes eram os policiais, previamente dominados e executados. Caso a realidade fosse outra, e além de câmeras os parisienses pudessem contar com algum meio eficaz de autodefesa, o desfecho poderia ser diferente. É uma suposição, obviamente, mas longe de ser fantasiosa, carente de fundamento ou mesmo inédita.
 
Pouco mais de um mês antes do ataque de Paris, um outro atentado com conotação religiosa ocorreu em Israel, numa sinagoga de Jerusalém. Na ocasião, dois palestinos mataram quatro israelenses e feriram outros oito. Imediatamente após o ataque, junto à condenação da ação dos fundamentalistas, foram anunciadas pelas autoridades israelenses medidas para que a população pudesse ter o acesso a armas de fogo facilitado, ampliando sua possibilidade de defesa. O anúncio não foi sequer questionado, ficando clara a compreensão de que as forças policiais, em qualquer país que seja, não se mostram suficientes a promover a integral segurança dos cidadãos.
 
Em verdade, isolados na árdua tarefa de promover a segurança social, os policias acabam se tornando mais frágeis diante de qualquer ataque, pois não há a quem se socorrerem, a não ser seus próprios colegas de farda, e isso muitas vezes é insuficiente. Os policiais de Paris vitimados no ataque dessa quarta-feira bem exemplificam isso, de forma emblematicamente trágica.
 
O exemplo de Israel precisa ser ao menos compreendido. Segurança pública, seja diante de crimes comuns, seja contra ataques terroristas, não é uma operação matemática básica, resumida a dois fatores (polícia e bandidos), é uma equação complexa, com diversos componentes contrapondo-se constantemente em busca de equilíbrio. A possibilidade de reação, das vítimas ou de testemunhas de um ataque, é um dos mais fundamentais desses elementos e jamais pode ser desprezado, como se faz ao instituir indistintamente políticas de desarmamento social. Afinal, como tristemente se viu em Paris, câmeras não impedem mortes.
 



 
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COMENTÁRIOS
09/01/2015
(Agapito Costa)

Cornelius Tacitus, 116 D.C., “Quanto mais corrupto um governo, maior o número de leis contra a posse de armas”. Alguém tem duvida sobre a corrupção no governo do PT? (Tacitus: The Annais of Imperial Rome (trad. M. Grant 1956). Ao desconhecermos a história estaremos fadados há cometermos os mesmos erros do passado.
 
09/01/2015
(Agapito Costa)

Para refletir sobre o desarmamento. Marcus Tullius Cicero, 63 A.C., filósofo e estadista romano, em defesa de Titus Annius Milo: "E certamente, senhores, existe uma lei, escrita em lugar nenhum porém inerente aos nossos corações; uma lei que nos vem não por treinamento ou costume ou leitura mas por derivação e absorção e adoção da própria natureza; uma lei que veio a nós não da teoria mas da prática, não da instrução mas da intuição natural. Me refiro a lei que declara que, se nossas vidas são postas em perigo por entrigas ou violência ou ladrões armados ou inimigos, qualquer e todo método de proteção nossa é moralmente correto. Quando armas as reduzem ao silêncio, as leis não mais exigem que alguém aguarde seus pronunciamentos. Pois pessoas que decidem aguardar por estes terão de aguardar a justiça também-- e enquanto isso, eles deverão sofrer injustiça primeiro. De fato, mesmo a sabedoria da própria lei, por um tipo de implicação tácita, permite a defesa pessoal, porque ela na verdade não proibe que homens matem; o que ela faz, ao invés, é proibir o porte de uma arma com a intenção de matar. Quando, portanto, uma inquisição passa além da mera questão da arma e começa a considerar o motivo, um homem que tenha usado armas em defesa própria não é visto como as tendo portado com uma intenção homicida." [Cicero, Selected Political Speeches 79-81, (trad. M. Grant 1969)]
 
09/01/2015
(Felipe Atxa)

A pergunta se pessoas comuns podem dispor de armas de fogo para sua proteção tem resposta anterior a qualquer discussão sobre sua "conveniência social": é simplesmente errado e tirânico que o Estado tenha o poder de impedir que um cidadão possa ter a possibilidade de defender-se, com arma ou não, segundo sua própria necessidade e circunstância. Assim, tirar o direito de alguém defender-se e arcar com todas as consequências de seus atos é tão absurdo quanto obrigar que alguém que trabalha sustente um desconhecido que não trabalha com o dinheiro de seus impostos.
 
09/01/2015
(Leonardo Diniz)

A alegação de que a posse de armas pela população não ajuda em nada, essa sim é uma alegação frágil, embora também não se possa inferir, a priori, que seria uma grandiosa contribuição. Mas, com certeza, qualquer coisa que aumente a imprevisibilidade para os agressores poderia ajudar. Seria bem mais complicado planejar ações que pressupõem andar por aqui e por ali atirando em pessoas indefesas. De certa forma, é a mesma coisa que acontece hoje nos arrastões feitos em túneis e avenidas: os delinquentes atuam totalmente tranquilos sabendo que é mais do que improvável alguma reação armada. No caso da França, nem o pobre policial estava armado, caso contrário, mesmo ferido poderia reagir para tentar salvar a própria vida. Os teóricos que defendem a vulnerabilidade como caminho para a paz e os políticos protegidos por guarda-costas armados que votam essas leis tolas são corresponsáveis por mortes desse tipo.
 
08/01/2015
(Fj Santos)

O argumento das armas é frágil. O policial francês estava armado e isso não bastou, aliás na maioria das vezes não basta para esses homens, que são treinados para reagir com rapidez mas também podem ser surpreendidos, imagine para alguém sem a mesma formação... Já as câmeras, precisam dar um passo além tornando-se mais inteligentes, ou seja precisam de softwares como os de reconhecimento de faces e de erros de condução, bem como de mais operadores qualificados - o que talvez irrite aqueles que defendem custos menores - pois a simples gravação ajuda na investigação mas não dissuade o criminoso ou terrorista decidido. Quanto às forças policiais, me parece que trocar a letalidade pela efetividade é o caminho, dotando os profissionais na rua melhor protegidos para enfrentar os confrontos e com equipamentos que visem o rastreamento e a captura dos bandidos no lugar de sua eliminação, já que bandido morto é crime não resolvido, e a investigação bem conduzida é a melhor maneira de manter esses homens na cadeia, eliminando atalhos jurídicos.

***

Em verdade, no vídeo da execução, o policial francês também estava desarmado. A política de restrição às armas de fogo na França, num modelo próximo ao da Inglaterra, impõe que apenas parte dos policiais possa atuar armada, o que não era o caso do policial assassinado covardemente. Embora seja crescente o número de guarnições armadas, elas ainda são minoria no patrulhamento urbano, uma função que poderia se assemelhar às nossas guardas municipais (que aqui já podem atuar com armas em municípios com mais de 500 mil habitantes).

A primeira abordagem incide no equívoco comum de se comparar policiais treinados a “qualquer um armado”. Quando se fala em permitir armas aos cidadãos, não se cogita fazer isso sem efetivo preparo, técnico e psicológico. Por isso, um cidadão legalmente armado jamais será destreinado, além do que, ao contrário do que a mística sobre armas tem difundido, o manuseio de uma delas está muito longe de ser algo complexo.

A abordagem do texto se refere a impedir que os ataques se concretizem, e não que sejam identificados seus autores, sejam por quais forem os meios. De nada adianta para as vítimas que os autores do ataque sejam identificados depois das mortes já consumadas. Com respeito da opinião contrária, um bandido morto durante um ataque é uma ameaça a menos, e não um crime não esclarecido. A persecução penal é essencial para os crimes inevitáveis, mas não pode substituir, jamais, a repressão policial inibidora. Se alguém precisa morrer durante um ataque, que seja o agressor, não o policial ou qualquer outra vítima.

Fabricio Rebelo

 
08/01/2015
(Guilherme F. Lamb)

Fabrício, ate os policiais na França já foram desarmados: http://dailycaller.com/2015/01/07/unarmed-paris-police-retreated-from-terrorist-gunmen-video/ O sonho da esquerda tirânica de monopolizar as armas somente para si proprios.
 
08/01/2015
(Flávio Souza)

Desculpe Fabrício, mas segurança pública é uma equação complexa onde buscamos desequilibrá-la para o lado do bem, sempre mantendo o mal em desvantagem. Não queremos equilíbrio com o que é mal.

***

O comentário, a princípio, poderia até representar o ideal de uma sociedade com baixos índices de criminalidade. Porém, para a compreensão da segurança pública, equilíbrio não significa igualdade de forças com bandidos, mas um sistema sem excessos, seja da ação criminosa, seja da repressão policial.

É, assim, plenamente possível – aliás, é o desejado – que o sistema esteja equilibrado, com índices baixos de criminalidade e sem a necessidade de grandes intervenções policiais. Justamente por isso é que o texto se refere aos fatores que se contrapõe em busca de equilíbrio, não ao que nós consideramos ideal. Desequilibrar a equação significa potencializar um dos lados, o que sempre é perigoso.

Certamente o leitor não alcançou essa compreensão – e talvez o texto merecesse uma explicação maior sobre isso.

Fabricio Rebelo

 
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Redação: Paulo Zamboni
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