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O problema de política e religião
06/12/2014 - Felipe Atxa
Por que ateus e militantes associados podem vilipendiar símbolos religiosos enquanto religiosos não podem expressar igual repúdio a símbolos da cultura dos ateus e de seus comparsas?
(A Igreja sob ataque. Que tal reagir no mesmo nível que os atacantes?)
 
Um "artista" performático pega um crucifixo e, num pavilhão de arte, introduz o objeto em algum orifício de seu próprio corpo. Depois, ele coloca fogo no crucifixo enquanto "reza" o Pai Nosso.
 
Ofendidos, católicos decidem responder à performance no mesmo pavilhão de arte, dias depois, rezando o rosário.
 
Qual a diferença principal entre os dois eventos (a performance e o rosário)?
 
O "artista" criou um fato político ao vilipendiar o símbolo religioso. Os católicos não criaram um fato ao simplesmente rezarem o rosário no mesmo ambiente.
 
Ao ser questionado sobre a natureza de seu ato, é cômodo ao "artista" simplesmente responder:
 
- Sou ateu e este objeto não tem qualquer significado para mim. Desta forma, não posso ser processado, uma vez que o país é laico e eu estou exercendo minha liberdade de expressão.
 
Ao rezar o rosário, os católicos responderam à ofensa de maneira que a tréplica do ofensor foi facilitada: ele não é cristão, fim de papo.
 
Fazer política se resume, basicamente, a criar fatos políticos. Quem elucubra dentro do armário de seu quarto não está fazendo política porque não cria fatos com os quais as outras pessoas são compelidas a lidar de uma maneira ou de outra.
 
Passeatas, abaixo-assinados e rosários em público podem ter legitimidade, mas somente se transformarão em fatos políticos se as outras pessoas forem obrigadas a lidar com suas consequências.
 
É muito fácil para canalhas, vilipendiadores e autoridades corruptas ou indiferentes simplesmente ignorar tais eventos, porque eles não produzem efeitos além de si mesmos.
 
Ao enfiar um crucifixo dentro de si mesmo, ao invadir a Câmara e obrigar que a Justiça responda de alguma maneira, estão sendo criados fatos que movem e transformam o ambiente político. É por esse motivo que meia dúzia de esquerdistas consegue causar tanto estrago, enquanto milhões de conservadores parecem muitas vezes não existir.
 
No caso dos católicos acima, o que poderia ser feito? Em primeiro lugar, é preciso evitar as armadilhas do discurso. A legitimidade política nasce do discurso. Não se pode debater assim com um vilipendiador:
 
- Deus é uma porcaria.
- Não fale assim de Deus.
- Posso falar o que quiser porque acredito que "deus" não existe.
 
No caso, seria preciso criar um fato político que obrigasse uma reação da sociedade. Por exemplo: usando algum símbolo do "outro lado" e destruindo-o em público, por exemplo, de modo que fosse impossível às "autoridades" ignorar o que estava acontecendo. Provocando, assim, a pergunta: por que ateus e militantes associados podem vilipendiar símbolos religiosos enquanto religiosos não podem expressar igual repúdio a símbolos da cultura dos ateus e de seus comparsas?
 
Sem criar fatos políticos, só nos resta, efetivamente, rezar.
 



 
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COMENTÁRIOS
31/12/2014
(Adriano)

E quais seriam esses tais "símbolos da cultura dos ateus"?

***

Boa pergunta, Adriano. Um bom exemplo de tais símbolos seriam as logomarcas de empresas ou instituições patrocinadoras de eventos, exposições e performances com viés anticristão ou com ofensas diretas à religião cristã. A grande maioria dessas manifestações antirreligiosas contam com suporte financeiro de patrocinadores que, muitas vezes, não imaginam a extensão do dano que pode ser causado pela associação de sua marca a esse tipo de atividade "cultural". Um abraço. Felipe Atxa.

 
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