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Por que é (quase) impossível tirar o PT do poder (o que fazer então?) - Final
05/12/2014 - Felipe Atxa
Enfrentar o PT no poder ultrapassa meramente enfrentá-los nas urnas, ou tentar tirá-los de lá através da força esquálida da lei brasileira.
(Manifestação contra o governo petista: o problema é mais complexo e a agenda totalitária do PT é conseqüência de um sistema falido).
 
A partir deste momento, vamos desconsiderar, após tudo que foi exposto:
 
 - que seja possível simplesmente bater o próximo candidato petista em 2018 (Lula ou qualquer outro), porque o voto converteu-se em moeda de troca direta entre o governo e seus dependentes;
 
  - que seja possível punir os petistas no poder até o ponto em que eles sejam obrigados a abandonar o poder a eles conferido nas urnas,porque a legislação é branda e o aparelhamento acentuado;
- que seja possível reverter o resultado das próprias urnas, idem;
 
- e finalmente que seja possível sublevar-se, civil e/ou militarmente, a ponto de levar os petistas a abandonar o poder, porque não há apoio popular ou circunstância histórica propícia.
 
Ao mesmo tempo, vamos considerar que a guerra cultural, a formação intelectual e a sensibilização da opinião através de publicidade são ferramentas importantes, mas possivelmente insuficientes para tomar o poder do PT a médio prazo, ou ao menos a tempo suficiente de impedir que o petismo estimule uma deterioração ainda mais acentuada dos costumes e das instituições brasileiras (o que poderíamos chamar de “venezuelização”).
 
Consideremos ainda que as forças que compõem a oposição são dispersas, pouco unidas ou mesmo estranhas entre si em relação a um projeto político comum.
 
Agora, vamos pensar fora da caixa.
 
Entre os 10 países mais populosos do mundo (Brasil em quinto), apenas no Japão e nos EUA o padrão de vida da população é notadamente superior ao do brasileiro. Os outros países da lista são tiranias como a China e o Paquistão, concentrações de miseráveis como Índia e Bangladesh, ou democracias incipientes e incertas como Rússia e Indonésia.
 
Entre os 10 maiores países do mundo (Brasil também em quinto), somente os EUA são uma democracia historicamente estável e, ao mesmo tempo, têm mais de 100 milhões de habitantes.
 
Coincidências?
 
O projeto de Brasil como país do futuro tem enfrentado ao longo dos séculos uma realidade evidente por si só: países muito grandes e muito populosos só funcionam com instituições muito sólidas, economia de mercado e – especialmente – descentralização administrativa. Na verdade, devemos considerar a hipótese de que a descentralização administrativa é o fator principal de sucesso, uma vez que outros países grandes e populosos podem ter economia de mercado (insuficiente por si só para garantir liberdade e direitos aos cidadãos), mas instituições sólidas confundem-se aparentemente com menor poder central.
 
Se o Brasil é, como os EUA, um país muito extenso e muito populoso (Canadá e Austrália, por exemplo, são extensos e ricos, mas pouco povoados), seu espelho deveria ser exatamente a América do Norte.
 
Embora possamos identificar claras diferenças de cultura e desenvolvimento entre os diferentes estados norte-americanos, a autonomia relativa entre estes entes parece estar garantindo a segurança jurídica e prosperidade do país como um todo ao longo dos séculos. Para um norte-americano, é perfeitamente possível (quando não provável) escolher e optar por onde morar, livremente, mas segundo não há apenas a oferta de trabalho, mas também as legislações e especificidades locais.
 
Mesmo um estrangeiro consegue identificar aquelas diferenças que determinam a especificidade de cada estado e pode determinar o tipo de população por suas preferências de costume. Sabemos que o sul é diferente do norte nos EUA. Sabemos que o su​deste​ é tradicional e lá há mais cristãos atuantes na comunidade. No nordeste há uma poderosa elite intelectual e uma firme militância de defesa dos direitos humanos, bem como uma maior liberalidade nos costumes. O meio-oeste é rural e conservador, mas o Oregon e o Colorado são estados mais “progressistas”. Na Califórnia há toda sorte de diversidade de costumes e credos, bem como uma forte influência da imigração mexicana, e assim por diante.
 
Mesmo num “estado-país” como o Texas, identificado com os valores da América militar e da indústria o petróleo, temos Austin, bem mais liberal no sentido norte-americano do termo do que Houston ou Dallas.
 
Tudo isso significa que um país grande e populoso como o Brasil consegue ser mais próspero e contar com instituições mais sólidas, ao mesmo tempo em que mantém e respeita a diversidade entre estados e cidades diferentes, e permite que a legislação retrate e reforce essa diversidade.
 
Ainda assim, o desejo de maior autonomia que expresse essa diversidade plenamente em termos não só comportamentais e culturais, mas também jurídicos e financeiros, mantém em estado de permanente conflito o poder central (Washington D.C.) e os poderes locais. A falta de identificação entre alguns estados e a federação, ou mesmo de alguns estados e regiões entre si, fomenta o espírito de independência territorial (o qual poderíamos chamar banalmente de “​aspiração ​separatis​ta​”). Pessoas querem e precisam, enquanto cidadãs, estar mais próximas de seus representantes ou das instâncias de poder nas quais grande parte de suas vidas são decididas. Est​e​ é um ​desejo​ legítim​o​e pacífic​o​ de qualquer ser humano em qualquer época e lugar.
 
No Brasil (como os EUA, um país gigantesco, com centenas de milhões de habitantes), toda a diversidade e toda aspiração por autonomia e proximidade do poder permanecem sufocados por um cobertor artificial de “unidade patriótica”. Tal artificialidade vem sendo cultivada por militares e comunistas ao longo dos tempos, ora por sentimento genuíno, ora por mero desejo de concentração de poder. Convém a um presidente uma federação forte e federados fracos. Convém que grande parte dos tributos fique na mão da União, que assim escolhe entre seus apadrinhados qual receberá quanto e a que preço de troca. Convém ainda que o poder esteja distante dos cidadãos, que seja uma quimera nebulosa escondida em algum planalto distante. Convém que as decisões do poder central sejam inquestionáveis. Tudo, obviamente, em nome de conceitos vazios ou discutíveis como “pátria”, “soberania” e “unidade nacional”.
 
O Brasil é hoje uma reunião caótica e disfuncional de bandeiras, costumes, preferências e ideologias estranhas e conflitantes entre si. A própria oposição é, conforme exposto, uma amostra dessa falta de unidade e dessa permanente contradição. Interessa, entretanto, aos donos do poder que essa contradição permaneça. Não em nome da diversidade, mas de algo oposto. Interessa ao poder definir quanto o “rico do sul” destinará compulsoriamente ao “pobre do norte”, mas também vice-versa. É ​n​essa intermediação falsa e criminosa o real combustível do embuste esquerdista brasileiro. É na esparrela perfeita que se ​confundem​ direitistas de diferentes vertentes, buscando inutilmente resolver a quadratura do círculo. Ou simplesmente: encontrar uma fórmula perfeita e inédita na história da humanidade – aquela que equacione liberdade, prosperidade e extensão territorial sob uma mesma bandeira e poder altamente centralizado. Algo que sequer os espertos norte-americanos conseguiram ​realizar completamente​.
 
Enfrentar o PT no poder ultrapassa, então, meramente enfrentá-los nas urnas, ou tentar tirá-los de lá através da força esquálida da lei brasileira. Não basta, ou é impossível, mas certamente não é exatamente o que precisa ser feito. Porque ainda que eles saiam, o poder central tentacular permanecerá, e com ele a injustiça, a distorção e a máquina, a pleno vapor, servindo a este ou àquele senhor do momento. Se o brasileiro quer mesmo liberdade e prosperidade, juntas, o caminho mais garantido (talvez não o mais fácil, mas ​possivelmente​ o mais rápido) passa necessariamente pela descentralização do poder, pela autonomia financeira e fiscal dos entes federados. Que a diversidade seja respeitada, estimulada e liberada. Que aqueles que pensam parecido convivam de formas semelhantes, segundo leis e costumes que mais lhes agradem, administrando os recursos que produzem, nas modalidades de organização política que mais lhes pareçam convenientes.
 
Regulamentação ou desregulamentação? Subsídio ou não? Mais tributos ou menos? Escolas laicas ou religiosas? ​E quanto ao casamento gay ​e ​ao aborto? Maioridade penal aos 18 ou aos 12? Armas: sim ou não? Como manda a sabedoria popular, cada um vive como quer. Ou ao menos assim deveria ser. Que o Estado centralizado (ora em mãos petistas, mas que lhes transcende), autoritário e perdulário pare de atrapalhar então.
 
 
 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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