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Por que é (quase) impossível tirar o PT do poder (o que fazer então?)
25/11/2014 - Felipe Atxa
Se é virtualmente impossível vencer o PT nas eleições presidenciais, se é impraticável pensar em tirá-los do poder “à força” e se as instituições não têm peso suficiente para punir seus abusos, então qual a saída para o atual estado de coisas?
Nas atuais circunstâncias e levando-se em conta a maneira como as oposições têm reagido, de forma geral, à atuação dos petistas ao longo dos últimos anos, podemos dizer que as chances de conseguir tirá-los do poder são praticamente nulas. Acompanhe abaixo uma análise baseada nos fatos e na lógica mais elementar.
 
A grande esperança e o principal objetivo das oposições t
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m sido vencer os petistas nas eleições federais, mais precisamente tirando deles a presidência. É o Governo Federal o maior motor de transformações no país, uma vez que a parte mais significativa do orçamento público encontra-se em suas mãos. Se observarmos, contudo, de que maneira as eleições têm acontecido e quais têm sido os resultados, veremos que tal objetivo está bem distante da realidade.
 
A estratégia do PT para manter o poder federal em suas mãos é simples e facilmente perceptível: estabelecer e manter com uma grande parcela do eleitorado uma relação de fiel submissão através da cooptação ou da pura chantagem emocional, o que tem funcionado perfeitamente. Existem pelo menos 45 milhões de beneficiados pelo programa Bolsa-Família. Outros milhões de eleitores enquadram-se em diferentes grupos alternativos de apoio ao PT: são sindicalistas, estudantes, servidores públicos, ativistas profissionais, empreendedores dependentes de empréstimos estatais, etc. Não podemos nos esquecer, ainda, do apoio da elite empresarial interessada em beneficiar-se de uma relação íntima com o poder (e as verbas públicas). Tal aliança é difícil de ser quebrada, especialmente nas urnas, levando-se em conta que bastam pouco mais de 50 milhões de votos para eleger um presidente. Isto sem esquecer a crescente desconfiança em relação ao sistema de voto eletrônico. Ou seja: contando com a fidelidade forçada ou voluntária dos dependentes do governo, vencer o PT na eleição para presidente demanda vencer também a apatia e o ceticismo de outros milhões de indecisos ou faltosos, o que convenhamos é um desafio cuja execução tem fracassado há mais de uma década – período durante o qual uma derrota leva à mesma percepção de carência que precisaria ser superada no pleito seguinte, e assim sucessivamente, com os mesmos resultados insatisfatórios.
 
Por que tem sido tão infrutífero tentar convencer os indecisos e abstêmios a votar contra o PT? Uma da principais razões revela um círculo vicioso alimentado pelas próprias vitórias petistas: a crescente indignação diante da “corrupção na política” leva muitas pessoas a acreditar que “todos os políticos são iguais” e que votar neste ou naquele diferente é inútil para mudar tal situação. Ou seja: a indignidade política patrocinada por políticos como os petistas e seus aliados acaba trabalhando a seu favor, uma vez que retira da democracia representativa a legitimidade necessária para permitir que a mudança aconteça dentro dela mesma.
 
Se a via eleitoral é inviável, analisemos agora o que seriam as alternativas para retirar os petistas do poder.
 
A primeira delas chamaremos de via das “instituições”. Seu pressuposto é que o Brasil conta com um sistema jurídico e de “pesos e contrapesos” capaz de coibir, punir e mesmo alterar resultados das urnas a partir da descoberta, investigação e julgamento de crimes eleitorais ou de responsabilidade cometidos por quem está no poder. Esta hipótese é falha por ao menos dois motivos:
 
1.Sabemos que a infiltração ideológica e o aparelhamento estatal avançaram há muito tempo sobre os diferentes poderes e instituições. Desta forma, é duvidoso imaginar que agentes públicos de alguma forma comprometidos (partidária ou ao menos ideologicamente) com ostatus quo possam levar até as últimas consequências a aplicação da lei (que de resto como se sabe tem se revelado bastante “elástica” em todas as esferas quando se trata de punir criminosos no Brasil), o que nos conduz ao segundo motivo a seguir.
 
2-Os acontecimentos da última década, e notadamente o caso do Mensalão, serviram para demonstrar de forma consistente que, por maior que seja a pantomima em torno dos casos de corrupção comprovados e julgados, seu impacto em relação ao “poder real” é irrelevante ou mesmo nulo. Ou traduzindo: ainda que tenha ficado comprovado que o PT e seus aliados diretos usaram métodos ilegais para conquistar e manter o poder, tal comprovação e a punição colateral de operadores ou mesmo políticos eleitoralmente desimportantes não foram suficientes nem para derrubar os petistas nas urnas, nem para tirá-los do poder – na verdade, seu poder aparentemente aumentou paralelamente à revelação dos escândalos e abusos, exatamente porque a via “institucional”, baseada mais na formalidade do texto legal do que na consequência concreta de sua aplicação, tem alcance limitado num país onde a política é dominada pelo populismo, pela demagogia publicitária de alto impacto e pela relação subserviente entre a mídia e os governos.
 
A segunda alternativa para tirar os petistas do poder seria, então, a “não-institucional”, através de algum tipo de sublevação popular ou militar, para a qual parecem faltar a circunstância histórica, o apoio internacional, a correlação de forças e até mesmo a legitimidade de proposta perante os formadores de opinião. Não é demais lembrarmos que a Venezuela tem sofrido com o processo revolucionário adiantado há anos sem que tenha 
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ido possível, até o momento e por diferentes fatores, criar as condições para uma insurreição de qualquer natureza com força suficiente para transferir o poder dos chavistas extremistas de esquerda a qualquer outra coligação de forças que por acaso se apresente.
 
Se é virtualmente impossível vencer o PT nas eleições presidenciais, se é impraticável pensar em tirá-los do poder “à força” e se as instituições não têm peso suficiente para punir seus abusos, então qual a saída para o atual estado de coisas?
 
Para responder essa pergunta precisaremos, antes, entender quais as atuais tendências políticas, sociais e ideológicas que compõem a chamada “oposição” ao PT. É o que faremos no próximo artigo.
 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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