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O momento é de pressão total sobre o PT
04/11/2014 - Paulo Zamboni
De volta ao M@M, Luciano Ayan, do blog Ceticismo Político, analisa o resultado da eleição, a guerra política na internet, os rumos que a oposição deve tomar para impedir o projeto totalitário do governo e avisa: o momento é de pressão total sobre o PT.
(Protestos contra o governo do PT em São Paulo. O momento é favorável para aumentar a pressão contra o projeto de poder dos totalitários petistas).
 
M@M -Diante de um PT que apelou para um nível de sujeira nunca antes visto nas campanhas eleitorais brasileiras, ficou a impressão que a campanha de Aécio Neves "quase chegou lá" em termos de eficiência. O que ficou faltando para a campanha do PSDB atingir sucesso pleno? Podemos acreditar que diante dos currais eleitorais formados pelo PT usando o ​B​olsa-​F​amília, aparelhamento de órgãos estatais, manipulação midiática e agressiva campanha de​ ​desinformação, seria mesmo possível ao PSDB conseguir outro desfecho?
 
 
Luciano Ayan - Conforme escrevi algumas vezes em meu blog, eu acho que a campanha do PSDB foi decepcionante. Não falo do político Aécio, que teve boas participações nos debates. Falo da propaganda do partido, que cometeu diversos erros. De bate pronto, é impossível dar um número mais ou menos correto de equívocos, pois foram muitos. Falarei de alguns. Por exemplo, Armínio Fraga foi anunciado como futuro Ministro da Fazenda, mas atacado violentamente pelo PT. Não se viu a campanha do PSDB atacar economistas muito menos qualificados como Aloisio Mercadante e Guido Mantega, quanto mais defender Armínio. Essa omissão foi imperdoável. Outro erro absurdo ocorreu quando FHC usou o termo “ignorantes”, para se referir a pessoas que votam no PT. É claro que ele fez um argumento não tão problemático, mas abordou um assunto crítico demais para uma campanha. Obviamente isso deu pretexto para o PT insuflar o rancor entre nordestinos e eleitores do PSDB. Quando Aécio usou o termo “leviana” para se referir à Dilma (e já havia feito antes diante de Luciana Genro), o PT aproveitou para chamá-lo de “agressor de mulheres”, até aproveitando a campanha de difamação que ocorria pela Internet. Detalhe: o PT tem em seu currículo a violência psicológica contra Marina, o apoio ao governo venezuelano (que quebrou o nariz de Maria Corina Machado) e ainda um ex-assessor de Gleisi Hoffman que foi preso por pedofilia e estupro de garotas. Mais uma vez, irritantemente, o PSDB não usou todo esse arsenal, nem sequer constrangeu Dilma por seu fingimento. Para mim, apesar do bom desempenho de Aécio nos debates, a campanha do PSDB não mereceu uma vitória.
 
M@M -Você concorda que os meios tradicionais de informação, como jornais e televisão, vão perder espaço para a internet? As televisões online, por exemplo, podem servir como um canal eficiente para atingir um público formador de opinião? Como a direita e os social-democratas podem explorar isso?
 
 
LA - Aos poucos esses meios tradicionais vão perder espaço. Acredito que as redes sociais cada vez mais serão importantes. As televisões online podem ser bastante úteis para se atingir esse tipo de público, mas é recomendável que sejam utilizados de forma bem dinâmica. O conteúdo deve ser criado de forma tão constante quanto possível.Para a direita e os social-democratas isso pode ser especialmente útil, pois falamos de pessoas carentes por conteúdo e informação.
 
Um dos maiores problemas dos republicanos (termo que tenho usado para me referir a todos que lutem pela democracia, sejam eles de direita, centro ou esquerda moderada) é a falta de informação sobre os estratagemas da extrema-esquerda. A criação de conteúdo conscientizando as pessoas desses truques é vital, e contamos com rádios e TV’s online para isso, até pela maior liberdade em relação aos órgãos tradicionais. Por exemplo, vocês não tem medo de perder anúncios estatais, certo?
 
M@ - ​Qual a sua análise em relação aos próximos objetivos da extrema-esquerda? E como confrontá-los eficazmente?
 
LA - É bem simples. No Brasil, a extrema-esquerda quer implementar um regime totalitário, a partir do uso de coletivos não-eleitos (decreto 8243), censura de mídia e plebiscito constituinte. Dilma surgiu com uma nova ideia macabra: colocar todas as polícias do Brasil sob o comando federal. Desde o fim do regime militar, nunca vivemos uma era tão perigosa para a liberdade e a democracia.
Para confrontar essas ações precisamos de conscientização dos truques usados para promovê-las. Sempre são usados discursos repletos de fraudes intelectuais. Se conseguirmos explicar para muitas pessoas essas fraudes, já teremos um grande avanço.
 
Em meu blog, já me comprometi a revelar como são as rotinas de censura de mídia, nas próximas semanas. Desde ontem estou fazendo um post por dia especificamente com a refutação destas rotinas. A divulgação deste conteúdo pode ser extremamente útil para a conscientização pública (assim como pressão sob​re​ os deputados republicanos) de como todos os planos do PT para a mídia são um embuste completo.
 
O mesmo vale para o decreto bolivariano, recém derrubado pela Câmara. Ele se baseia em um truque onde os coletivos não-eleitos são ressignificados desonestamente para “o povo”, mas não passa de uma forma d​e ​o governo usar seus sovietes para pressionar o Congresso. Quer dizer, enquanto as pessoas trabalham arduamente, após terem eleito seus representantes, o governo teria uma tropa de choque (bancada pelo próprio governo) para patrulhar o Congresso. É golpe claro!
 
Explicar tudo isso de forma didática para a população e convocá-los para lutar contra esse tipo de artimanha (deixando claras as consequências de não lutarmos) é prioritário. 
 
M@M - ​Em termos puramente psicológicos, fundamentais na guerra política, pela primeira vez a oposição não saiu derrotada, conseguindo o feito de quase vencer uma eleição contra um adversário que, além de controlar as chaves do cofre, usou todas as armas possíveis e imagináveis em termos de desinformação e manipulação e esteve em campanha permanente ao longo de todo ​o ​mandato de Dilma Rousse​ff​, obtendo uma base segura para novos avanços formada pelo cacife dos milhões de votos contrários ao governo e a intensa atividade promovida nos últimos meses? Ou, ao contrário, você acredita que pode haver uma desmobilização da direita e dos social-democratas diante de mais essa derrota eleitoral, com reflexos na luta político-cultural?
 
LA - Tudo depende de nós, e acredito que estamos motivados o suficiente para não haver desmobilização da direita, pois há algo muito maior do que a vitória ou derrota nas eleições. Há simplesmente a opção por continuarmos a ser um país livre ou virarmos uma republiqueta totalitária, nos moldes venezuelanos. Creio que temos criado um senso de urgência transferindo a luta para algo que vai muito além do período das eleições.
 
A campanha suja do PT serviu para causar indignação na oposição. Era exatamente isso que precisávamos. Não existe uma luta por mudança se não ficarmos indignados.
 
Está bem claro para todos que o PT é o partido com o qual não se dialoga, pois eles perderam a legitimidade até para usar a expressão “diálogo” depois da campanha do nível do esgoto. O máximo que cabe a eles agora é irem apresentando seus projetos de lei (que sirvam para alguma coisa) e serem cobrados por isso. Assim como se faz em qualquer empresa com pessoas que perderam sua credibilidade, coisa que o PT não tem mais. Ao mesmo tempo, cabe a nós lutarmos para barrar todas as propostas totalitárias que fizeram.
 
Quer dizer, a baixaria petista na campanha não serviu apenas para dividir o país, mas também para dividir as eras. Antes alguém podia se dar ao direito de ser ingênuo diante do PT. Hoje esse direito moral não existe mais.
 
Precisamos lembrar disso continuamente, e aumentar a pressão, denunciando toda e qualquer tentativa de golpe. Ao fazermos isso, usaremos os ocorridos durante as eleições para aumentar a mobilização.
 
M@M -Considerando todas as vantagens que a extrema-esquerda petista e seus aliados desfrutam, que avaliação você faz da atuação da direita e dos social-democratas na guerra travada pela internet?
 
LA - A evolução foi nítida, do nosso lado. Pessoas motivadas, denunciando a perfídia bolivariana, criação de memes denunciando, multiplicação de conteúdo... é uma clara evolução. Porém, ainda temos muitos “burros com vontade”, que não entenderam ainda o que é guerra política, na qual temos que falar ao coração do povo, sermos inclusivos (e as propostas mais liberais, ou mesmo republicanas, são melhores para o povo mais humilde), saber usar melhor os símbolos de medo e esperança e coisas do tipo. Precisamos também aumentar o nível de preparo de pessoas para vencer a dissimulação da extrema-esquerda. Ainda existem pessoas achando que estamos diante de debates tradicionais. Diante do PT, isso simplesmente não existe. Existem truques embutidos em discursos, que são feitos para demonizar o oponente e marcar espaço através de vários ardis. É preciso de mais agilidade e sangue frio para criarmos uma cultura de desmascaramento dessas fraudes e expor essa gente como eles realmente são: embusteiros.
 
M@M - A vitória obtida por meios tão sujos e margem de votos tão estreita parece indicar que o PT e sua agenda estão esgotados, só se sustentando na base da corrupção e da desinformação. Considerando isso, e a série de graves denuncias que estão se acumulando contra o partido, o que podemos esperar para os próximos meses?
 
LA - O modelo econômico está desgastado. Mas é preciso tomar muito cuidado, pois se eles implementarem as medidas totalitárias que querem, poderão esconder todo o fracasso econômico. Daí o esgotamento do modelo econômico não significará muita coisa, pois com a mídia censurada eles definirão a percepção do povo de forma definitiva, independente da realidade. Basta ver a questão da eleição de Nicolas Maduro, mesmo com um país quebrado.
 
Por isso, a prioridade maior deve ser para barrar todos os projetos golpistas, pois os países bolivarianos t​ê​m exatamente o projeto de saqueamento dos seus países e perpetuação no poder. Se o país afundar, isso será até positivo para eles, pois reforçará a união entre os países do Foro de São Paulo.
 
Existe também a possibilidade de impeachment, principalmente por causa de tantas denúncias. Alguns t​ê​m focado nisso. Não é minha praia. 
 
Falando claramente, o PT está plenamente vulnerável à desconstrução neste momento. Costumo dizer que nessa campanha entramos na era da desconstrução, o que não necessariamente é mentir (embora no caso do PT seja). O que podemos esperar, enfim, é uma desconstrução do PT a partir de muita pressão sobre o partido. Podem contar comigo ajudando nisso.
 
M@M -E a queda do decreto bolivariano na Câmara? Como você avalia? Acredita que o PT vai forçar a mão em algum momento, sentindo que não vai conseguir manobrar nos bastidores, ou eles irão continuar usando métodos diversionistas?
 
LA - É uma ótima notícia. Melhor ainda é como os deputados reagiram na Câmara. Vi um nível de conscientização fora do habitual, com o uso de termos como venezuelização, sovietes, etc. 
 
Mas é certo que eles vão usar manobras diversionistas. O PSOL acabou de apresentar um novo projeto, com ligeiras alterações. Temos que continuar pressionando a Câmara para derrubar essa nova versão do PSOL também, assim como pressionar o Senado para que garantam a derrubada do 8243 por lá também. 
 
M@M -Você acredita que teremos uma crise institucional quando ficar claro que o governo é, de fato e de direito, uma máfia? Ou o nível de canalhice existente no país já é suficiente para que os bandidos atuem à luz do dia? 
 
LA - Eu fiz mais textos relacionados à guerra política durante as eleições do que o normal, e estou mantendo o ritmo após o resultado. Esse será o maior foco em meu blog.
 
Por essa perspectiva, tudo depende de como denunciamos e desmascaramos o nosso oponente (ou desconstruímos, para usar o termo do momento).
 
Se um adversário do PT tivesse sob seu guarda-chuva tantos escândalos de corrupção, seria destruído politicamente. Por quê​? Por que o PT sabe demolir um oponente que tenha feito coisas erradas. Na verdade, eles esmagam um oponente mesmo que ele não tenha cometido erros.
 
O que quero dizer é que se formos assertivos, claros e falarmos as coisa em termos contundentes, podemos complicar definitivamente a vida do PT quando o comportamento mafioso deles ficar ainda mais claro com as denúncias que tendem a aparecer.
 
Então eu não acho que o povo está "acostumado" a corrupções. O povo não está recebendo uma comunicação adequada na hora da oposição denunciar essas corrupções. É preciso "falar ao coração", citar os impactos para a vida do povo, etc.
 
M@M -Sinta-se ​à​ vontade para fazer outras considerações além das perguntas apresentadas, por favor.
 
LA - Eu agradeço pelas ótimas perguntas, e os parabenizo pelo bom trabalho.Gostei muito das frases de Aécio Neves citando Eduardo Campos (“Não vamos desistir do Brasil”) e Tancredo Neves (“Não vamos nos dispersar”).
 
O momento é de pressão total sobre o governo do PT. Já que eles perderam a honra e a dignidade de uma vez por todas para se manter ao poder, com as piores intenções possíveis, é hora de ​el​​es serem observados e pressionados com muito mais atenção.
 
Não desistam e não dispersem. 
 
 
Nota Redação MÍDIA@MAIS: Para conhecer mais o trabalho de análise política de Luciano Ayan acesse aqui e aqui para o blog Ceticismo Político
 



 
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COMENTÁRIOS
05/11/2014
(Marcus)

Boa Luciano! Ta na hora de trazer os republicanos para desconstruir os bolivarianos do Foro de São Paulo! Aqueles que não se envolveram até então nos rumos que decidem o nosso país devem aprender a lidar com projetos de ditadores antes que custe a nossa liberdade.
 
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