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A maior mentira
31/10/2014 - Victor Davis Hanson
A esquerda preferiria esquecer seu antigo slogan, "Bush mentiu, milhares morreram."

(George Bush: sua administração foi alvo de uma intensa campanha de desinformação e mentiras devido aos acontecimentos no Iraque)

 

A simples menção a armas de destruição em massa (ADM) e ao Iraque era tóxica para os republicanos em 2005. Eles queriam esquecer a suposta ausência de grandes quantidades de armas de destruição em massa recém produzidas no Iraque; os democratas viram a  defensiva republicana como a chave para sua recuperação em 2006. Até o momento em que Obama foi eleito, a questão havia sido demagogicamente morta, já que não tinha qualquer utilidade política, e por isso desapareceu.

 

Então, por que, de repente, estranhamente, o New York Times foca em estoques de ADM antigos aparecendo no Iraque? É o subtexto, talvez, que a ascensão do Estado Islâmico (ISIS) representa uma ameaça existencial em um cenário tão perigoso (e, por extensão, oferece uma explicação para o bombardeio atual)? Ou devemos ser lembrados de que Bush mexeu em vespeiro de armas de destruição em massa e que Obama foi forçado a lidar com isso? Ou o súbito interesse é destinado a antecipar os fatos, antes de ser revelado que o Estado Islâmico (ISIS) rotineiramente emprega ADM contra os curdos? Como é estranho que o Iraque, armas de destruição em massa, bombardeamento e preempção reapareçam no noticiário, mas agora sem a histeria da era Bush.

 

De fato, nos últimos dois anos, os relatórios sobre ADM de algum tipo surgiram semanalmente na Síria e no Iraque. Bashar Assad tem utilizado-as, aparentemente com vantagem estratégica, tanto para dissuadir seus inimigos quanto para embaraçar as linhas vermelhas de Barack Obama, que havia ameaçado bombardeá-lo se ele ousasse usá-las.

 

Há rumores de que o Estado Islâmico tentou usar gás mostarda contra os curdos. Depósitos iraquianos são encontrados periodicamente, mesmo que eles muitas vezes tenham sido desprezados como envelhecidos além do ponto de fácil utilização, ou como já tendo sido ajustados e tornados inertes, quer por inspetores da ONU ou pelas forças de ocupação norte-americanas. Mas de onde vêm todas as armas de destruição em massa, e por que agora o susto repentino sobre a disposição desses estoques?

 

Durante grande parte da administração Bush ouvimos da esquerda o refrão, "Bush mentiu, milhares morreram", como se o presidente tivesse falsificado relatórios de inteligência para evocar uma inexistente ameaça proveniente dos estoques de ADM de Saddam Hussein - estoques que Bill Clinton tinha insistido, até seus últimos dias no cargo, representar uma ameaça existencial para os Estados Unidos. Aparentemente, se inúmeras antigas granadas de gás do século 20 foram encontradas, elas foram então consideradas irrelevantes - como se apenas enormes fábricas do século 21 e pilhas de estoques produzidos semanas antes da invasão pudessem definir o que eram as ADM no Iraque.  

 

A nódoa de Bush foi o delimitador de outra mentira popular, a palavra de ordem anti-Bush "Sem sangue por petróleo." Uma vez que era um fato indiscutível que os EUA não queriam o petróleo iraquiano, a calúnia foi metamorfoseada. Quase imediatamente a esquerda girou e acusava não pelo petróleo sinistro mas pelo petróleo estúpido. Se o Ministério do Petróleo iraquiano, pela primeira vez em sua história, estava ao mesmo tempo agindo de forma transparente e vendendo concessões de petróleo para quase todo mundo, exceto às empresas americanas, isso era agora apresentando como sendo tipicamente displicente, por não avaliar o enorme dispêndio americano de sangue e recursos que tinha permitido tal situação. Foi a Guerra do Iraque, então, uma guerra estúpida que ajudou a Rússia e os chineses? O desgraçado Bush acabou sendo menos sinistro do que ingênuo.

 

Apesar de não se ouvir muito mais sobre "Sem sangue por petróleo", a mentira sobre "Bush mentiu, milhares morreram" nunca foi colocada para descansar.

 

O estranho sobre essa desonestidade não era apenas que Michael Moore, Cindy Sheehan e a multidão de rua antiguerra tornaram-se ícones populares através da disseminação dessas mentiras, mas que o Partido Democrata - cujos chefões (Joe Biden, Hillary Clinton, John Kerry, Harry Reid, etc.) tinham feitos todos eles discursos inflamados a favor da invasão do Iraque - refinou o insulto até um ponto eficiente em 2006. Que os democratas, de Nancy Pelosi a Harry Reid, tenham tido a mesma compreensão que o diretor da CIA (nomeado por Clinton) George "slam dunk" Tenet (que escreveu um livro de memórias self-service e infantil enquanto Georg W. Bush ainda estava no cargo), e haviam concordado com a avaliação de Tenet, pelo menos até que a insurgência destruiu o apoio público para a guerra, foi algo convenientemente esquecido.

 

A administração Bush não ajudou muito. Ela nunca respondeu a seus críticos que o medo de armas de destruição em massa armazenadas tinha sido originalmente um medo da administração Clinton, um medo do Congresso, um medo internacional - e um medo legítimo. Eu imagino que a equipe de Bush queria a questão das ADM para simplesmente ir embora, dada a insurgência no Iraque e a eficaz campanha democrata para reinventar o medo das ADM como uma conspiração do sinistro Bush. (Não nos lembramos do testemunho de Colin Powell ONU e dos anos que se seguiram - como o fiasco Valerie Plame / Richard Armitage? - Em que ele lambia suas feridas, embora guardando raiva de seus antigos companheiros para sua própria apresentação de fim de carreira)[*].Em suma, a Casa Branca de Bush certamente não lembrou ao país que a maioria dos políticos esquerdistas da era Clinton na década de 1990 tinha avisado sobre as ADM do Iraque (quem de nós ainda se lembra da Lei de Libertação do Iraque de 1998?).

 

Nem fomos lembrados de que líderes estrangeiros como o do Egito, Hosni Mubarak, haviam previsto a morte em massa de qualquer invasor que desafiasse o arsenal de ADM de Saddam. ("General Franks, você deve ser muito, muito cuidadoso. Temos falado com Saddam Hussein. Ele é um louco. Ele tem ADM -... Biológicas, na verdade. E ele vai usá-las contra suas tropas"). Era parte da conspiração de ADM da administração Bush forçar dezenas de milhares de soldados norte-americanos a se arrastar com roupas químicas e máscaras no deserto? Ninguém, é claro, notou que o sucesso inicial no Iraque também ajudou a encerrar o programa de ADM de Muamar Kadafi na Líbia e pressionou os paquistaneses a prender (por um tempo) o pai de sua bomba, Dr. AQ Khan. Essas nações aparentemente temiam que os EUA estavam considerando remover ditadores que que eles sabiam ter ADM armazenadas.

 

O recente livro A guerra Irã-Iraque, de Williamson Murray e Kevin Woods, é um lembrete assustador de como Saddam massacrou os curdos (talvez bem mais de 150 mil mortos), muitas vezes com gás, e como foi habitual a utilização de ADM por Saddam contra os iranianos nessa guerra medieval.

 

Nem nos lembramos que James Clapper, em uma de suas anteriores contorções carreiristas como um oficial da inteligência da era Bush, junto com funcionários de alto escalão das forças aéreas iraquianas e sírias, nos avisou que ADM foram secretamente transferidas para a Síria nas vésperas da invasão do Iraque. O obedientemente adulador Clapper acrescentou o advérbio intensificador "sem dúvida", para enfatizar sua certeza. Clapper, lembre-se, tornou-se diretor da inteligência nacional de Obama e um conselheiro chave para a maior parte do atual processo de tomada de decisão de Obama no Oriente Médio, incluindo o quase bombardeio da Síria.

 

Dessa forma, pelo menos havia estoques de armas de destruição em massa antigas em todo o Iraque, quando chegamos em 2003, e era plausível que muitas de suas versões utilizáveis mais modernas de alguma forma encontraram caminho para a Síria. Barack Obama estava tão preocupado sobre a probabilidade de ADM na Síria que quase iniciou uma guerra preventiva contra Bashar Assad, mas sem a autorização do Congresso e sem nenhuma tentativa de procurar a ONU, como Bush havia feito. (Na verdade, estamos agora preventivamente bombardeando o Iraque com base em autorizações de 2002 que o membro do legislativo e memorialista Barack Obama ridicularizara na época.)

 

Existem todos os tipos de amnésias incalculáveis sobre o Iraque. Ninguém se lembra dos 23 mandados que faziam parte das autorizações de 2002 que, aparentemente, Obama acredita que ainda estão em vigor. Eles incluíram genocídio, subsídios para homens-bomba, uma tentativa de matar um ex-presidente dos Estados Unidos, o abrigo a terroristas (entre eles um dos bombardeadores do World Trade Center em 1993), e toda uma litania de acusações que transcendiam as ADM e não eram afetadas pela controvérsias posteriores. Quão surreal é que Obama está preventivamente bombardeando o Iraque com as autorizações de 12 anos do Congresso a que se opôs como forjadas e agora podem ser relevantes para lidar com os estoques de armas de destruição em massa na Síria e do Iraque?

 

Esquecemo-nos também de como Harry Reid declarou que a escalada (do envolvimento americano na guerra) era um fracasso e que a guerra estava perdida, mesmo quando ela estava sendo ganha. Ou como Barack Obama previu que o aumento (do envolvimento) iria piorar as coisas, antes de eliminar de seu site essa linha editorial assim que o aumento funcionou.

 

Alguém se lembra daqueles dias do General Nos Traiu (o anúncio ad hominem que o New York Times, que, supostamente, não permitia a aquisição de anúncios ad hominem, concedeu com um grande desconto), e as acusações de Hillary Clinton de que Petraeus estava mentindo ("suspensão de descrença")? Enquanto os megafones de Obama clamam pela unidade nacional, condenando as críticas de Leon Panetta durante o presente bombardeio, quem de nós se lembra da satisfação com a qual a esquerda saudou as revelações bombásticas de Paul O'Neill, George Tenet e Scott McClellan durante o mandato de George W. Bush, ou como eles desacreditavam a escalada quando americanos estavam morrendo para implementá-la?

 

É difícil lembrar agora o clima de fantasia que cercou o "Bush mentiu, milhares morreram." Cindy Sheehan hoje está completamente esquecida. Assim temos principalmente o bufão propagandista Michael Moore, exceto pelo episódio sobre um divórcio desagradável e brigas de gato sobre sua recheada carteira de homem-do-povo - e ataques ocasionais sobre o suposto simbolismo racial de Barack Obama.

 

Explosões estridentes de Hillary sobre o Iraque evoluíram para "Que diferença, neste momento, isso faz?". Barack Obama cavalgou suas distorções antiguerra até a presidência só para adotar seus próprios protocolos de antiterrorismo e guerras preventivas, utilizando as justificativas da era Bush, mas sem a sinceridade e autorizações do Congresso. A mídia passou de "Sem sangue por petróleo" e "Bush mentiu, milhares morreram" para destacar estranhas descobertas de ADM e alardeando a proximidade de independência energética. Os EUA são agora casualmente conhecidos como o maior produtor de petróleo do mundo, mas em grande parte pela luz verde do governo Bush para o fracking e a perfuração horizontal, às quais a atual administração se opõe e ainda menciona como uma de suas conquistas singulares em termos de redução de preços da gasolina -  um ponto brilhante em um registro econômico de outra forma sombrio.

 

Então, nós vivemos em uma era de mentiras sobre tudo, desde Benghazi e Obamacare a sopa de letrinhas de escândalo e incompetência no IRS, ICE, VA, USSS (Serviço Secreto), NSA, GSA, e mesmo o CDC.

 

Mas antes que possamos corrigir as presentes mentiras, devemos primeiro resolver a maior inverdade nesta coleção: "Bush mentiu, milhares morreram" era uma mentira absoluta.

 

Publicado originalmente no National Review Online

 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
[*] Nota Tradutora: Aqui o autor faz referência ao pronunciamento de Collin Powell na ONU, onde ele elencava os motivos para derrubar o governo de Saddan Hussein, e a crise gerada pelo vazamento da identidade de um agente da CIA que supostamente havia colocado em xeque as justificativas do governo americano para invadir o Iraque. Para maiores informações acesse aqui.
 

 

Nota Redação M@M: para maiores informações sobre o assunto, recomenda-se a leitura das Editorias Oriente Médio e EUA e Geopolítica

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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