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O PT petrificou a pobreza no Brasil
14/10/2014 - Redacao Midia@Mais
O historiador Marco Antonio Villa volta ao M@M para comentar a eleição presidencial e afirma: "essa foi a eleição mais suja da história do Brasil".
M@M - A primeira pergunta será longa. O tema é o papel da Justiça Eleitoral. De certa forma repetindo a abordagem de outras eleições, em 2014 houve uma grande preocupação em relação a quatro problemas específicos: a correta identificação do eleitor (biometria), a boca de urna, a compra de votos e os famigerados telefones celulares dentro da cabine de votação. Ao mesmo tempo, pareceu haver mais uma vez acentuada tolerância em relação a questões como uso da máquina pública (Correios, por exemplo) e fraudes nas urnas, conforme milhares de suspeitas e denúncias que circulam pela web. A grande mídia, por sua vez, amplifica essa aparente distorção, dando um destaque sensacionalista a casos miseráveis, como do pobre coitado que é preso por distribuir santinhos no dia da votação em troca de 20 reais, e casos semelhantes. A pergunta é: também em relação ao sistema eleitoral, a justiça brasileira está escolhendo o caminho de perseguir com rigor os crimes mais banais para poder ser leniente com os grandes criminosos?
 
Marco Villa: Acho que o TSE não foi bem na eleição, o que já era esperado.Afinal é presidido por um petista de carteirinha, que foi subordinado de José Dirceu na Casa Civil (mesmo assim, não se achou impedido de julgar o ex-chefe no processo do mensalão) e advogado durante anos do PT. Achei a biometria algo absolutamente desnecessário - e que causou sérios problemas em vários estados. Mas, sinceramente, dentro dos padrões latino-americanos, a nossa eleição até que correu bem.
 
M@M - Como você avalia o desempenho do PT nos maiores estados, por exemplo em SP onde o partido de Lula levou uma surra nas urnas?
 
MV - Onde havia luta política, o PT foi mal. É o caso de São Paulo. Vale lembrar que Lula considerava essencial ao projeto (criminoso) de poder do partido vencer a eleição em São Paulo. Em 2012, o Pedro Malasartes de São Bernardo do Campo disse que após vencer na capital paulista e consolidar o poder no "cinturão vermelho" da região metropolitana, em 2014 tomaria o Palácio dos Bandeirantes. esqueceu de combinar com os eleitores. Além de tudo, perderam oito deputados federais e seis estaduais, além do inepto senador Suplicy que estava há 24 anos nos atormentando.
 
M@M - Em plena campanha eleitoral estourou mais um dos infinitos desdobramentos dos escândalos de corrupção relacionados aos petistas no poder (Petrobras). Curiosamente, a divulgação praticamente coincidiu com uma então nova subida de Dilma nas pesquisas. A pergunta: para uma significativa parcela do eleitorado (desinformado ou não), faz alguma diferença ter desonestos e corruptos mandando no país?
 
MV - Para uma parcela do eleitorado, combater corrupção não tem nenhuma importância. Lula, como porta-voz do submundo da política, já vocalizou este discurso diversas vezes. Tem de ser lembrado que a nossa democracia é muito jovem e o exercício livre (plenamente) do voto é coisa de não mais que três decênios. Ainda temos uma longa estrada a percorrer.
 
M@M - E o "voto evangélico"? Pastor Everaldo teve um desempenho modesto nas urnas. Marina Silva, por  sua vez, despencou nas intenções de voto logo depois de ser envolvida na polêmica da agenda LGBT e eventualmente após ganhar o apoio das lideranças evangélicas. Afinal, o voto evangélico ganha ou perde eleição? É um bom negócio para o candidato Aécio envolver-se nesse tipo de polêmica neste momento?
 
MV - Eu tenho verdadeira ojeriza pela mistura de política com religião. Este cerco eleitoral aos líderes evangélicos que se repete a cada eleição é ridículo. Acho que os pastores vendem um apoio político que não tem - ao menos na proporção que dizem que ter. E em um Estado laico, este tipo de relação me parece absolutamente estapafúrdio.
 
M@M - A campanha destacou dois entre os "nanicos": Levy Fidelix e Luciana Genro. A grande mídia, como era de se esperar, tratou os dois de formas opostas: escárnio com o primeiro e tolerância quase apaixonada com a ex-petista. Tal tratamento foi justo? Ou podemos observar uma maneira mais inteligente da candidata do PSOL em moldar a própria imagem na mídia, enquanto Levy parece confuso numa mistura de discurso ocasionalmente "moralista" com a ideologia conservadora mais clássica (a qual ele parece não ser capaz de sustentar), vestindo uma carapuça caricata que acaba configurando o oponente ideal para esquerdistas como Genro?
 
MV - Os dois foram ridículos. É claro que o discurso da Luciana Genro é mais assimilável pela mídia do que o do Fidelix. O problema é que tanto o discurso conservador (este até ainda mais), como o de esquerda (no sentido clássico) foram pessimamente defendidos pelos dois.
 
M@M - Mais uma campanha vai chegando ao seu ápice e mais uma vez os petistas têm usado de mentiras e boatos para influenciar o eleitorado menos informado: fim do Bolsa-Família, privatizações imaginárias e agora o uso de perfis falsos de "simpatizantes" de Aécio com mensagem racistas. O Brasil desistiu de campanhas limpas e nossa legislação eleitoral (cheia de regrinhas e regulamentos formais pomposos) é incapaz de coibir esse tipo de estratégia suja?
 
MV - Essa foi a eleição mais suja da história. E o PT é especialista em triturar reputações. Num mix de stalinismo e nazismo destruíram a candidatura de Marina Silva. E farão ainda mais agora no segundo turno. Afinal, está sendo jogada a sorte de milhares de empregos na máquina de Estado dos seus asseclas e de milhões de recursos públicos sistematicamente desviados pelo partido para os caixas 2 (do PT) e 3 (dos dirigentes e seus acólitos). 
 
M@M - Ainda é possível acreditar em pesquisas eleitorais de intenção de voto com "margens de erro" tão elásticas?
 
MV- Acho que não. A revisão metodológica é essencial. Do jeito que está, as pesquisas viraram motivo de piadas.
 
M@M - Como lidar com a aparente realidade de divisão do país em dois grupos geográficos bem definidos:  regiões mais pobres e com baixa escolaridade, eleitores dependentes de programas sociais e fieis aos petistas; e regiões mais prósperas, maior índice de escolaridade e uma rejeição alta aos petistas no poder? 
 
MV - É um problema sério e necessita muito cuidado para que não estimulemos visões discriminatórias (que acho um verdadeiro horror). É indispensável compreender este fenômeno e enfrentar as causas. O petismo petrificou a pobreza, caberá a um novo governo construir os instrumentos para que os sertanejos (no caso, a população do semi-árido) se liberte da opressão do chefe local.
 
M@M - Finalmente, deixando de lado a evidente distinção de métodos entre petistas e tucanos dentro e  fora da máquina: temos duas alternativas diferenciadas de voto no segundo turno para presidente ou são duas repetições ideológicas aproximadas em relação a temas fundamentais? Por exemplo: Dilma acusa Aécio de dar fim ao Bolsa-Família, Aécio responde que irá ampliar ou coisa parecida; Dilma acusa Aécio de dar maior autonomia ao BC, e Aécio desiste da ideia; Dilma acusa Aécio de querer privatizar tudo, e o tucano mais uma vez é obrigado a abrir mão de uma agenda liberalizante na economia; e assim sucessivamente? Ou seja: o oponente ao petista está sempre acuado nas cordas, na defensiva, pautado pela agenda do adversário, levado a oferecer "mais do mesmo" para vencer.
 
MV - Em parte, é verdade. Porém, Aécio tem pautado sua candidatura pela habilidade, mesmo nos momentos difíceis. mas um ponto de inflexão foi o debate na Globo. Ele, no tema da privatização, sempre sensível aos tucanos e explorados pelos petistas, conseguiu se sair muito bem e colocar Dilma nas cordas.
 
***
 
Perguntas elaboradas por Felipe Atxa, entrevista conduzida por Maria Júlia Ferraz.
 



 
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COMENTÁRIOS
14/10/2014
(Maria Júlia Ferraz)

O trabalho é da equipe. Os elogios devem ser feitos em especial ao Atxa e ao editor, Paulo. O Villa é um grande historiador mesmo. Obrigada.
 
14/10/2014
(Denise)

Villa, como sempre, excelente! Parabéns!
 
14/10/2014
(Cesar)

Tem que colocar foto dessa Maria Júlia Ferraz. Agora, falando sério. Grande Villa! Fui aluno dele em SC. Era um dos poucos que saíam da velha lorota esquerdista. Mas, de verdade: quem é Maria Júlia?

 

Prezado: gratos pelo seu contato. Maria Júlia é nossa tradutora e colaboradora. E é muito timida, rsss.

Convidamos o amigo a continuar prestigiando o M@M com seus comentários.

Atenciosamente

Editoria MÍDIA@MAIS

 
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