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Livro: Momentos Decisivos da História do Brasil
11/10/2014 - Antonio Roberto Batista
Seremos capazes, algum dia, de vencer e enterrar o patrimonialismo?
"Criamos uma estrutura destinada à preservação do status quo, o Estado Patrimonial. que se tem revelado imbatível. Seu último feito consistiu precisamente na cooptação do Partido dos Trabalhadores ..."
Antonio F Paim
 
           
É sempre desafiador comentar, num retrato simplificado e objetivo, uma obra do Professor Antonio Paim. Seus textos, quando nos prometem história estão preenchidos por fecundas análises de ideias; quando nos prometem discutir ideias não o fazem sem fundamentá-las, com cuidado e zelo, no mundo real e nos acontecimentos históricos em que atuaram. Essa dupla exigência, de filósofo e de historiador a que o professor se submete, tem o condão de tornar suas obras estimulantes e desafiadoras.
           
Neste caso, cabe de imediato destacar que apenas o título da obra lembra a outra - Momentos Decisivos da História - de autoria de Stefan Zweig, literato austríaco e judeu que viveu parte dos seus anos no Brasil. São autores, inclusive, de perfil bastante diverso.   Zweig, apesar de acurado observador e analista tinha, acima de tudo, uma alma de poeta e foi com esses atributos que ele nos descreveu e escreveu sobre nós, particularmente no seu livro "Brasil, o pais do futuro", um texto primoroso cheio de afeto, que fala sobre a nação que tanto amou e que escolheu para morrer em um suicídio partilhado com a esposa, em 1942, sofrendo crescente depressão depois de abandonar sua terra e a Europa convulsa e em guerra.
           
Paim é um analista minucioso da realidade, agradável na leitura, mas que não acalenta ilusões nem licenças poéticas além da beleza natural que se possa usufruir numa boa prosa. É um professor por vocação e por empenho na sua férrea disciplina de estudo e trabalho. Seu principal interesse, no que se refere ao Brasil, é esmiuçar os nossos problemas e dificuldades; é dissecar os porquês dos nossos tropeços sistemáticos em realizar as potencialidades que tantas vezes desprezamos para nos apegarmos aos vícios que nos debilitam. Daí a expressão "momentos decisivos", que ele define como aqueles em que o país poderia ter escolhido rumo diverso daquele que escolheu. A respeito disso presta, explicitamente, tributo à historiadora Barbara Tuchman, que usa uma chave definidora semelhante para apontar a dinâmica da sua "Marcha da Insensatez".
           
Existem alguns vilões recorrentes na obra de Antonio Paim e, digo eu, da forma como estão interligados poderíamos acusá-los de formação de quadrilha: o autoritarismo, nos seus diversos matizes teóricos e práticos; a burocracia; o "estatismo"; o cartorialismo; a estigmatização do lucro; as distorções do sistema representativo; o Patrimonialismo com suas nuances, inclusive os métodos de corrupção sistemática. São temas aos quais o autor se dedica e se dedicam alguns dos seus ex-alunos, não por uma obsessão gratuita, mas porque representam óbices que nos têm levado a reincidir na perda de sucessivas oportunidades, comprometendo o que poderia trazer ao país um futuro melhor e uma posição mais condizente com o seu potencial.
           
Nesta obra Paim oferece, de início, reflexões importantes a respeito do método historiográfico e da historiografia brasileira. Trata-se de uma introdução fundamental em tempos que há pregação de uma história  construída menosprezando a documentação e os testemunhos qualificados, para melhor poder manejar os esquemas teóricos tão ao gosto de ideologias que se perturbam com a evocação de fatos e dados. Depois, navega ao longo da nossa história até os tempos atuais, onde identifica um recrudescimento intenso do patrimonialismo, depois de ter sido obtido algum recuo que parecia justificar certa esperança. É nessa pontuação analítica da história, passando pelo Império, depois pela República e o nosso sistema representativo sempre comprometido e inconcluso, pelo efeito Vargas e a estatização da economia nos governos militares, que o autor vai identificando diversas das nossas mais renitentes dificuldades. Incapacidade para aprimorar o sistema representativo e persistência do modelo patrimonial são questões fulcrais, que se reforçam mutuamente e assim como comprometeram nosso passado ameaçam o nosso futuro. Daí a principal questão colocada pela obra: seremos capazes, algum dia, de vencer e enterrar o patrimonialismo?
 



 
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COMENTÁRIOS
14/10/2014
(Sergio F Lima)

Perfeita introdução, que desperta de imediato a motivação para leitura da obra. Realmente o patrimonialismo é o maior problema a ser enfrentado pelo líder que ousar tirar este país das amarras do obscurantismo.
 
14/10/2014
(Ingo)

Excelente resenha do livro e feliz comparaçao com Stefan Zweig
 
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Redação: Paulo Zamboni
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