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> EUA e Geopolítica
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Bombardear, ocupar​ ​ou nenhum dos dois?
10/10/2014 - Victor Davis Hanson
Se os EUA não podem ou não querem resolver da forma certa as crises em outros países, o melhor a fazer é não se meter nos problemas dos outros.
(Soldados americanos revistando prisioneiros chineses durante a Guerra da Coréia. Exemplo de intervenção americana que deu certo, o que não acontece hoje no Oriente Médio).
 
Guerras costumam terminar somente quando o agressor derrotado acredita que seria inútil continuar o conflito. A duradoura paz se segue, e o perdedor é então forçado a mudar seu sistema político para algo diferente do que era. 
 
A Roma republicana aprendeu essa amarga lição por meio de três conflitos com Cartago antes de garantir que não iria haver uma quarta Guerra Púnica. 
 
A Alemanha travou três guerras de agressão antes de ser finalmente derrotada, ocupada e reinventada. 
 
A América derrotou a Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão Imperial causando tal dano que eles tornaram-se incapazes de continuar sua resistência. E então, ao contrário de sua rápida retirada para casa após a Primeira Guerra Mundial, a América ocupou - e ainda tem bases em - todos os três. 
 
Alguém acredita que o Japão, a Itália e a Alemanha hoje seriam aliados dos EUA se a administração Truman tivesse removido todas as bases militares norte-americana​s​ desses países em 1948? 
 
A controversa guerra coreana conseguiu salvar a Coreia do Sul ​dos​ comunista​s​. Os militares dos EUA infligiram castigo terrível aos comunistas coreanos e chineses agressores. Então, a América ocupou a Coreia do Sul para evitar outro ataque do Norte. E eventualmente seguiu-se o mundo d​e​ Samsung e Kia. 
 
Ainda há forças de paz americanas nos Bálcãs após a derrota de Slobodan Milosevic ​em ​1999 e seu afastamento do governo sérvio. Alguém acha que agora podemos tirar do Bálcãs todas as tropas da Otan e esperar que os cristãos ortodoxos, católicos, muçulmanos eslavos, croatas e outras nacionalidades variadas e religiões vivam pacificamente e não envolvam o mundo novamente em suas antigas e brutais rivalidades? 
 
Em contraste, examine o que aconteceu quando os Estados Unidos bateram um inimigo e em seguida apenas​ se​ levantaram e foram embora. 
 
Em 1974, o Vietnã do Sul era viável. Um tratado de paz com o Vietnã do Norte ainda estava vigorando. Mas depois de Watergate, da destruição da presidência de Richard Nixon, dos seguidos cortes da ajuda dos EUA e da retirada de todas as tropas de manutenção da paz dos Estados Unidos, os norte-vietnamitas entraram e escravizaram facilmente o sul. 
 
Foi fácil bombardear Muamar Kadafi para fora do poder - e mais fácil ainda para o presidente Obama se gabar de que ele nunca iria enviar tropas terrestres para resolver a subsequente confusão na Líbia. O que se seguiu foi um miasma estilo Congo, levando a ataques ao nosso consulado em Benghazi e a morte de quatro funcionários norte-americanos. 
 
Nós pudemos nos vangloriar de que as tropas terrestres norte-americanas não seguiriam as nossas bombas e mísseis contra a Líbia. Mas o país é agora um refúgio terrorista mais do que era sob Kadafi - e pode voltar a ​nos ​assombrar ainda mais. 
 
Quando Obama tomou posse, o Iraque estava em grande parte pacificado. Os seis anos anteriores de sangue e recursos americanos finalmente levaram ao fim do regime genocida de Saddam Hussein e o estabelecimento de um sistema constitucional que estava trabalhando sob a supervisão das forças de paz norte-americanas.
 
Então, para se reeleger e poder dizer "eu acabei com a guerra no Iraque"​,​ Obama retirou todos os pacificadores americanos. O resultado agora é o caos de um crescente Estado islâmico. 
 
Aparentemente, o próprio Obama reconheceu o seu erro. Quando nossas tropas ainda estavam monitorando a paz no Iraque, ele e o vice-presidente Joe Biden proclamaram que o Iraque era "estável" e seria provavelmente sua "maior" conquista. Mas, quando o país implodiu depois de terem feito estardalhaço por retirar a​s​ tropas​,​​ Obama culpou outros pela decisão.  
 
As impopulares e custosas ocupações do Afeganistão e do Iraque não eram, como foram acusadas, fantasias neoconservadoras sobre utópicas construções de democracia. Em vez disso, elas foram reações desesperadas diante das políticas derrotadas e fracassadas do passado. 
 
Depois de ter armado islamitas para forçar os soviéticos a sair do Afeganistão em 1989, nós esquecemos o caótico país. A administração Clinton periodicamente explodia as coisas por lá com mísseis de cruzeiro devido a boatos sobre o paradeiro de Osama bin Laden. O que se seguiu foi uma base da Al-Qaeda para os ataques de 11 de Setembro. 
 
Depois de expulsar as forças de Saddam Hussein do Kuwait e deixar o Iraque em 1991, o que se seguiu foram zonas de exclusão aérea, um Saddam ressurgente e conspirador, e a Operação Raposa do Deserto. O objetivo da segunda guerra do Iraque de 2003 foi acabar com o conflito de uma vez, substituindo Saddam por algo melhor do que aquilo que tinha sido deixado após a primeira guerra. 
 
É popular pensar que as ameaças aos Estados Unidos podem ser neutralizadas pelo uso ocasional de mísseis, bombas e drones sem muito custo. Mas explodir um problema temporariamente é diferente de acabar com ele para sempre. Este último objetivo requer exatamente o tipo de ocupação impopular que acalmou os Bálcãs, e tinha feito o mesmo no Iraque em 2011. 
 
Obama agora promete destruir o Estado ​I​slâmico na Síria exclusivamente por meio do poder aéreo. E ele garante que irá retirar com segurança quase todas as tropas americanas do Afeganistão no final do ano. 
 
Mais provavelmente, a Síria continuará a ser uma confusão perigosa como a Líbia, e o Afeganistão vai acabar como o Vietnã ou Iraque. 
 
A vitória em terra e ocupações podem terminar um problema, mas são impopulares e dispendiosas. 
 
Bombardear é fácil, esquecível e termina em sua maior parte sendo mais um curativo temporário. 
 
Se não podemos ou não queremos resolver o problema no solo, eliminando um poder inimigo, e depois reconstituir seu governo, então provavelmente é melhor afastar​-se​ completamente, ​em vez​ de explodir um monte de pessoas e coisas e simplesmente ir para casa.
 
 
 
Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 

Nota Redação M@M: para maiores informações sobre o assunto, recomenda-se a leitura das Editorias Oriente Médio e EUA e Geopolítica

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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