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O ​C​aso do Curdistão unificado
25/09/2014 - Daniel Pipes
Daniel Pipes continua analisando o Curdistão, desta feita dando uma aula de realpolitik sobre o tema.

(A futura bandeira de um Estado independente?)

 

Um Curdistão unido e independente é uma perspectiva que devemos saudar, ou uma ideia perigosa que criaria ​mais do que resolveria problemas no Oriente Médio? 

 
Philip Jenkins, um distinto professor de história na Universidade de Baylor, vê a perspectiva de um grande Curdistão, com componentes iraquianos, sírios, turcos e iranianos, como "ativamente aterrorizante." Eu gostaria de assegurar-lhe que ele também tem o potencial de ser benigno. 
 
O Professor Jenkins expressa seus medos em um artigo intitulado "O Caso Contra o Curdistão unificado", que passa a ser uma resposta direta a um artigo recente meu, "Olá, Curdistão.
 
Como o título sugere, Jenkins não rejeita um regime curdo independente em qualquer lugar. Na verdade, ele admite que um "excelente caso" existe para apoiar o já existente no Iraque e ele parece resignado com o seu homólogo sírio. Ele também reconhece que, "pelos padrões da região, os curdos são, sem dúvida, os caras bons, a coisa mais próxima que se pode ter de um estado ativamente pró-ocidental". Até agora, estamos de acordo.
 
Mas ele traça com dureza a linha contra o Curdistão unificado, um "projeto extremamente difícil" que poderia "espalhar massacre e limpeza étnica" para lugares que agora estão livre deles. No Irã, ele espera que a secessão curda gere uma "guerra civil sangrenta" e "crescente carnificina por décadas." Na Turquia, um movimento separatista curdo "seria catastrófico", porque iria "paralisar uma das sociedades mais bem-sucedidas da região" e até espalhar a violência turco-curda pela Europa.
 
Em resposta, gostaria de contrapor que o Irã constitui, hoje, um mini-império arquiagressivo: boa libertação para ele! Se a República Islâmica do Irã com seus líderes de mentalidade apocalíptica colocar as suas mãos sujas em uma arma nuclear, ela vai colocar em risco não só o Oriente Médio, mas também o Ocidente, através da ameaça do pulso eletromagnético, ou EMP, uma perspectiva terrível que deve a todo custo ser prevenida. Dada a liderança irresponsável da América sob Barack "O único" Obama, os curdos podem ter que carregar esse fardo pesado. 
 
(Forças curdas confiam mais em soldados do sexo feminino do que é habitual no Oriente Médio muçulmano.)
 
O Irã é realmente um mini-império, como demonstra sua demografia. S
​eu​
s 81 milhões de 
​habitante​
s dividem
​-se​
, de acordo com o CIA World Factbook, nas seguintes etnias: 
​P​
ersas, 61%; Azeri, 16%; Curdos, 10%; Lur, 6%; Baluchi, 2%; Árabes, 2%; Turcomanos e tribos turcas, 2%; outros, 1%. Linguisticamente, é ainda mais fraturado: 
​P​
ersa, 53%; Azeri turcomano e dialetos turcos, 18%; Curda, 10%; Gilaki e Mazandarani, 7%; Luri, 6%; Baluchi, 2%; Árabe, 2%; outros
​,​
 2%. Como em qualquer império, uma etnia (os persas) domina enquanto minorias inquietas, especialmente os azeris, fervem com anseios separatistas. 
 
Todos os impérios eventualmente chegam ao fim, por vezes de maneiras surpreendentemente pacíficas - pense na retirada britânica e na implosão soviética. O final do império iraniano será mais provável com
​o​
 um gemido do que com
​o​
 décadas da carnificina temida pelo Professor Jenkins. Nós do lado de fora devemos guiá-lo para este fim - e rapidamente, de modo a distrair a sua liderança suprema maligna e seus apoiadores de alcançar a capacidade nuclear. 
 
Quanto à Turquia, há muito tempo caiu a ficção de seu governo central de que os curdos são apenas "turcos da montanha", permitindo a autoexpressão cultural curda, e atualmente engaja
​-se​
 em negociações para uma acomodação política com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK (sim, o mesmo PKK que tem estado na lista de terroristas dos EUA desde 1997). Enquanto isso, os curdos da Turquia estão encontrando sua voz política e se tornando cada vez mais assertivos na vida do país. Como sua taxa de natalidade robusta eleva-se sobre a fraca taxa dos turcos étnicos - a tal ponto que eles podem tornar-se uma maioria em uma ou duas gerações - a ideia de separação ganha apelo para os turcos étnicos. 
 
Prevejo um referendo na Turquia análogo ao da Escócia, em que as pessoas que vivem nas regiões de maioria curda votarão para continuar a fazer parte da República da Turquia ou se separar. Tal voto, sem dúvida, endossa a secessão. 
 
Um dos felizes efeitos colaterais de secessão curda seria impedir as ambições do desonesto e autocrático presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan. Isso não é pouca coisa, na medida em que a Turquia sob a sua liderança representa a maior ameaça a longo prazo para os interesses ocidentais no Oriente Médio. (Em contraste, uma vez que os mulás sejam eliminados de modo seguro, o Irã poderia muito bem voltar ao seu papel de aliado)
​.​
 
Então, agradeço a Philip Jenkins pela sua discordância respeitosa (algo raro nos dias de hoje) e eu reconheço a validade de seus medos, assim como eu asseguro-lhe que o verdadeiro cenário "ativamente aterrorizante" não é um Curdistão unificado, mas um Irã nuclear e uma Turquia dominada por Erdoğan. Felizmente, os países ocidentais podem simultaneamente obstruir esses desastres ao mesmo tempo em que ajudam os "caras
​ ​
bons" curdos a construir o seu Estado.

 

Publicado originalmente pelo National Review Online
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 
 
Nota Redação M@M: para maiores informações sobre o assunto, recomenda-se a leitura da Editoria Oriente Médio.
 



 
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COMENTÁRIOS
29/09/2014
(Paulo)

Corajoso o conteúdo do artigo do dr. Pipes. Realmente, para mitigar os problemas que ameaçam os interesses ocidentais no Oriente Médio, o surgimento de um Curdistão forte seria uma solução agressiva e inovadora. Uma análise que vai totalmente na contramão do politicamente correto da imprensa nacional e dos absurdos "especialistas" que dão as cartas nos meios de informação.

 
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