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O labirinto de ​a​lianças do Oriente Médio
17/09/2014 - Victor Davis Hanson
É cada vez mais difícil navegar pela rede de inimigos e aliados de ocasião no Oriente Médio.
(Guerra na Síria: um forte exemplo de onde impera a velha máxima do Oriente Médio segundo a qual o inimigo do meu inimigo é meu amigo, e vice versa.. ou não?)
 
Tente entender o labirinto de inimigos, aliados e neutros no Oriente Médio. 
 
Em 2012, a administração Obama estava à beira de bombardear as forças do presidente sírio Bashar Assad. Por algumas semanas, ele era o inimigo público n ​º​  1 porque ele tinha usado armas químicas contra seu próprio povo e porque ele foi o responsável por muitas das mortes na guerra civil síria, com um número de vítimas que agora está perto de 200.000. 
 
Após as linhas vermelhas de Obama ficarem rosa,  nós esquecemos a Síria. Em seguida, o Estado Islâmico apareceu com decapitações, crucificações, estupros e assassinatos em massa através de uma enorme faixa do Iraque e da Síria. 
 
Agora os Estados Unidos estão bombardeando o Estado Islâmico. Às vezes, Obama diz que ele ainda está buscando uma estratégia contra o grupo jihadista. Às vezes ele quer reduzi-lo a um problema administrável. E às vezes ele diz que quer desgast​á​-lo ou até mesmo destruí-lo. 
 
O Estado Islâmico ainda está tentando derrubar Assad. Se a administração Obama está bombardeando o Estado islâmico, então está ajudando Assad? Ou quando a América não bombardeia Assad, está ajudando o Estado Islâmico? Qual dos dois Obama ​ deve​  bombardear - ou ambos, ou nenhum? 
 
O Irã está firmemente no caminho para a aquisição de uma bomba nuclear. No entanto, por enquanto, está armando os curdos, aliados confiáveis ​​dos EUA na região que estão lutando por suas vidas contra o Estado islâmico e precisam de ajuda norte-americana. Enquanto o Irã ajuda o ​s​  curdos, sírios e iraquianos na luta contra o Estado Islâmico do mal, Teerã se torna um amigo, inimigo, ou nenhum dos dois? Será que a ajuda temporária do Irã significa que ele irá atrasar ou acelerar seus esforços para obter uma bomba ​?​  Justamente enquanto o Irã enviou ajuda para os curdos, ele perdeu mais um prazo da ONU para esclarecer sobre o seu enriquecimento nuclear. 
 
O Hamas acabou de perder uma guerra na Faixa de Gaza contra Israel. Em seguida, ele começou a executar e mutilar numerosas pessoas de seu próprio povo, alguns deles afiliados à Fatah, a facção dominante da Autoridade Palestina. Durante a guerra, Mahmoud Abbas, presidente do Estado Palestino, manteve-se neutro e pediu calma. Será que ele deseja que Israel destrua o seu rival, o Hamas? Ou será que ele deseja que o Hamas prejudique seu arqui-inimigo, Israel? Ambos? Nenhum? 
 
E sobre os emirados do Golfo? Nos velhos tempos, a América ficava enfurecida que alguns dos sauditas maliciosamente canalizavam dinheiro para a Al-Qaeda e ainda se consolava que o governo saudita era considerado moderado e pró-ocidental. Mas, como o Irã se aproxima de seu santo graal nuclear, os reinos do Golfo agora parecem estar em uma aliança de fato com o seu adversário odiado, Israel. Ambas as monarquias sunitas e o Estado judeu em  ​í​ ntima sintonia fazem frente ao eixo radical Irã-Síria-Hezbollah-Irmandade Muçulmana-Hamas. 
 
Mas não se engane pelas conhecidas divisões entre muçulmanos xiitas e sunitas. Nesta aliança antis​saudita, os iranianos e o Hezbollah são xiitas. No entanto, seus aliados, a Irmandade Muçulmana e o Hamas, são sunitas. O governo sírio não é nem um nem outro, sendo alauíta. 
 
Todos eles dizem que são contra o Estado islâmico sunita extremista. Então, se eles são inimigos das monarquias sunitas e inimigos do Estado islâmico, o Estado Islâmico é então um amigo dos emirados do Golfo? 
 
Depois, há o Qatar, uma monarquia sunita do Golfo em desacordo com todas as outras monarquias sunitas vizinhas. É uma espécie de amigo para iranianos, a Irmandade Muçulmana, o Hezbollah e o Hamas - todos adversários dos Estados Unidos. Por que, então, o Qatar é o anfitrião do CENTCOM, a maior base militar norte-americana em todo o Oriente Médio?
 
O Egito é mais simples? Durante a Primavera Árabe, a administração Obama ajudou a tornar mais fácil a saída do poder do ex-presidente Hosni Mubarak e sua cleptocracia. Em seguida, ela apoiou tanto as eleições democráticas quanto a radical Irmandade Muçulmana que as venceu. Mais tarde, o governo pouco disse quando uma junta militar removeu a Irmandade Muçulmana, que estava subvertendo a nova Constituição. A América foi contra os ditadores militares, antes de ser favorável a eles, e favorável aos islâmicos antes que fosse contra eles. 
 
O presidente Obama e primeiro-ministro turco  ​Recep Tayyip​​ Erdoğan tem dito possuir uma amizade especial. Mas com base em quê? Erdoğan está estrangulando a democracia na Turquia. Ele é um grande apoiador do Hamas e às vezes um entusiasta do Irã. Um ​a​  aliad ​a​  da OTAN, a Turquia recusou-se recentemente a deixar que equipes de resgate usassem seu território para organizar uma missão de resgate de reféns americanos - dois deles decapitados - na Síria. 
 
Supostamente os Estados Unidos apoiam governos consensuais pró-ocidentais moderados que protegem os direitos humanos e realizam eleições, ou pelo menos não oprimem seu próprio povo. Mas quase não há tais nações no Oriente Médio exceto Israel. No entanto, a administração Obama tem aumentado o distanciamento do Estado judeu ao longo dos últimos seis anos. 
 
O que os EUA querem fazer? Deixar o Oriente Médio em paz, permitindo que os terroristas construam uma base  ​de ​ operações movida a petróleo para um outro 11 de Setembro? 
 
A melhor opção é apoiar sem reservas os dois únicos grupos pró-americanos e constitucionais no Oriente Médio, os israelenses e os curdos. 
 
Caso contrário, neste atoleiro tribal, há apenas interesses transitórios que vêm e vão
 
 
Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz

 

Nota Redação M@M: para maiores informações sobre o assunto, recomenda-se a leitura da Editoria Oriente Médio.

 



 
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COMENTÁRIOS
09/10/2014
(Luiz Camacho)

Realmente , um texto espetacular ! Acredito que haverá respostas ao que acontece no Oriente Médio . O Irã arma , mas se conseguir a bomba...teremos guerra . Hoje, li algo em meu face, de que o estado islâmico tem boas chances de conseguir uma bomba no chamado mercado negro . Se obter....guerra contra Irã e estado islâmico . a Síria é nação bem armada e protegida pela Russia ...acho que a Síria vencerá ate dezembro de 2014 , o Estado Islâmico e rebeldes sírios . Hamas, Fatah, Hezbollah ...penso que Israel pode dar conta deles se houver fornecimento de armas pelos EUA . Penso que as monarquias , Egito vão decidir não apoiar grupos extremistas....... trazem muita destruição e podem ser alvo de ataques dos EUA , de Israel .
 
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