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Olá, Curdistão
16/09/2014 - Daniel Pipes
A surgimento de um Curdistão unificado e independente é mais um elemento na perigosa, mas necessária, desestabilização de um Oriente Médio doente.
(Erbil: rica capital de um nascente Curdistão)
 
Antes de acolher o emergente estado do Curdistão, no norte do Iraque, confesso que no passado eu me opus a sua independência.
 
Em 1991, após a Guerra do Kuwait ter terminado e Saddam Hussein atacado os seis milhões de curdos do Iraque, eu elaborei três argumentos contra a intervenção norte-americana em seu favor, argumentos ainda hoje frequentemente ouvidos: (1) a independência curda significaria o fim do Iraque como um estado, (2) encorajaria a agitação pela independência curda na Síria, Turquia e Irã, levando àdesestabilização e conflitos fronteiriços, e (3) seria um convite à perseguição de não-curdos, causando "grandes e sangrentas trocas de população". 
 
(Mapa mostrando o Governo Regional do Curdistão, com a província recém-conquistada de Kirkuk no verde.)
 
Todas as três expectativas provaram-se completamente erradas. Dado o lamentável histórico nacional e internacional do Iraque, o fim de um Iraque unificado promete ser um alívio, por exemplo, para as agitações curdas nos países vizinhos. A Síria, fraturada entre seus três componentes étnicos e sectários - curdos, sunitas e xiitas árabes -, promete ter benefícios a longo prazo. A saída curda da Turquia seria útil para impedir as ambições irresponsáveis ​​do agora Presidente Recep Tayyip Erdoğan. Da mesma forma, os curdos prestativamente deixando o Irã diminuiriam o seu arquiagressivo mini-império. Longe dos não-curdos fugirem do Curdistão iraquiano, como eu temia, o oposto ocorreu: centenas de milhares de refugiados estão derramando-se sobre ele vindos do resto do Iraque para se beneficiarem da segurança, tolerância e oportunidades do Curdistão.
 
Eu posso explicar esses erros: em 1991, ninguém poderia saber que um governo curdo autônomo no Iraque iria florescer como tem acontecido. O Governo Regional do Curdistão (KRG), que passou a existir no ano seguinte, pode ser chamado (com apenas algum exagero) de a Suíça do Oriente Médio muçulmano. Seu povo montanhês armado e com espirito comerciante procurou ser deixado em paz para prosperar.
 
O que ninguém também podia saber em 1991 é que o exército curdo, o peshmerga, iria estabelecer-se como uma força competente e disciplinada; que o KRG rejeitaria os métodos terroristas então notoriamente em uso por curdos na Turquia; que a economia iria crescer; que as duas principais "famílias políticas" curdas, os Talabanis e os Barzanis, aprenderiam a coexistir; que o KRG iria se engajar numa diplomacia responsável; que a sua liderança assinaria acordos comerciais internacionais; que dez instituições de ensino superior viriam a existir; e que a cultura curda floresceria.
 
Mas tudo isso aconteceu. Como o estudioso israelense Ofra Bengio descreve, "o Curdistão autônomo provou ser a parte mais estável, próspera, pacífica e democrática do Iraque".
 
Qual é o próximo passo na agenda do KRG?
 
O primeiro item, depois de graves perdas frente ao Estado Islâmico, é o peshmerga retreinar, rearmar-se e aliar-se taticamente com antigos adversários como o governo central iraquiano e os curdos turcos, passos que têm implicações positivas para o futuro do Curdistão.
 
Em segundo lugar, a liderança do KRG sinalizou sua intenção de realizar um referendo sobre a independência, que, com razão, presumivelmente irá gerar um sonoro endosso popular. A Diplomacia, no entanto, tem ficado para trás. O governo central iraquiano, é claro, se opõe a este objetivo, como fazem as grandes potências, refletindo sua cautela habitual e preocupação com a estabilidade. (Lembre-se de George H. W. Bush em 1991 e seu "discurso de galinha em Kiev".)
 
No entanto, dado a ótima ficha do KRG, potências estrangeiras devem encorajar a sua independência. A mídia pró-governo na Turquia já faz isso. O vice-presidente dos EUA Joe Biden pode construir sua sugestão de 2006 no sentido de "dar a cada grupo étnico-religioso - curdo, sunita árabe e xiita árabe - espaço para movimentar os seus próprios assuntos, deixando o governo central encarregado de interesses comuns".
 
Terceiro: e se curdos iraquianos juntarem forças em três fronteiras - como fizeram numa ocasião - e formarem um único Curdistão, com uma população de cerca de 30 milhões e, possivelmente, um corredor para o Mar Mediterrâneo? Um dos maiores grupos étnicos do mundo sem Estado (uma alegação discutível: por exemplo, há os Kannadiga da Índia), os curdos perderam sua chance nas decisões pós-Primeira Guerra Mundial porque eles não tinham os intelectuais e políticos necessários.
 
(Os mapas dos povos curdos diferem entre si. Este oferece uma estimativa de sua extensão geográfica, incluindo um corredor para o Mar Mediterrâneo.)
 
O aparecimento agora de um Estado curdo iria alterar profundamente a região, acrescentando simultaneamente um novo país de tamanho considerável e desmembrando parcialmente seus quatro vizinhos. Essa perspectiva seria desanimadora para a maior parte do mundo. Mas o Oriente Médio - ainda sob o domínio do lamentável ​​acordo Sykes-Picot negociado secretamente por potências europeias em 1916 - precisa de um salutar abalo.
 
A partir desta perspectiva, o surgimento de um Estado curdo é parte da perigosa - mas necessária - desestabilização de toda a região que começou na Tunísia, em dezembro de 2010. Assim, ofereço boas vindas as suas quatro potenciais partes que se juntarão em breve para formar um único Curdistão unido.
 
 
Publicado originalmente pelo The Washington Times
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 
 
 
Nota Redação M@M: para maiores informações sobre o assunto, recomenda-se a leitura da Editoria Oriente Médio.

 

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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