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O discurso religioso que perde a eleição
04/09/2014 - Felipe Atxa
A esquerda é tão criminosa em suas ações, seu histórico é tão trágico, sua plataforma tão irrealista e leviana, que há muitos temas nas quais ela poderia ser batida.

Depois que a disputa eleitoral à presidência norte-americana virou um FlaXFlu entre cristãos e ateus (ou religiosos e laicos, como preferirem), os democratas levaram duas com um candidato que ninguém sabe ao certo onde nasceu. A favorita à próxima disputa é, mais uma vez, a representante do segundo time. Não há nem de um longe um nome forte que possa, no momento, trazer alguma perspectiva de reversão desse quadro.

 

Em pelo menos duas das últimas três eleições a presidente do Brasil, o FlaXFlu se repetiu: religiosos de um lado, laicos do outro. A polarização é expressa muito mais pelo primeiro grupo que pelo segundo. Trazendo à tona e colocando temas como “aborto” e “casamento gay” acima de outros, aquele grupo especializa-se, urna após urna, em perder eleições apesar do desgaste evidente dos políticos ligados ao outro.

 

Em 2012, na capital paulista, diante de um segundo turno onde o FlaXFlu também se repetia, Silas Malafaia (representando o grupo dos religiosos) mergulhou de cabeça na disputa, levantando a voz e segurando as mesmas bandeiras. O resultado: mais uma derrota.

 

Em 2014, o candidato conservador corre o risco de ficar atrás dos nanicos extremistas de esquerda. Dos três favoritos, quem está em primeiro lugar é a candidata que menos se identifica com o discurso religioso, e o último é quem mais se identifica. A segunda colocada (que deve vencer em segundo turno) finge que é contra o aborto e o casamento gay, mas sabe (porque não é tola) que não será ela quem levará a cabo as reivindicações da esquerda, mas todo o grupo político que ocupará a máquina assim que ela vencer.

 

Aborto generalizado, drogas liberadas, kit gay, etc., só não emplacaram ainda porque há forte resistência do legislativo. Mas são temas que, ao que parece, não decidem eleição majoritária – ou, se decidem, o fazem contra a vontade do grupo dos religiosos, conforme os exemplos acima.

 

A explicação para isso talvez seja mais simples do que poderíamos pensar. Se dividirmos o eleitorado de forma esquemática entre “direita” (ou cristãos, ou religiosos, ou conservadores, ou antipetistas, etc.) de um lado, “esquerda” (ou ateus, ou laicos, ou progressistas, ou petistas) de outro, e “centristas”, indecisos ou oscilantes entre eles, e considerarmos certa fidelidade garantida nos grupos extremos, o segmento do eleitorado que decide a eleição para um lado ou para o outro é este último.

 

Ou seja: pouco adianta tentar convencer os outros dois terços a respeito daquilo que é, exatamente, o diferencial de seu próprio terço. Exemplificando: num tema como “aborto”, o terço dos “religiosos” já é contra e não precisa ser convencido; o terço dos “ateus” já é a favor e não irá mudar de ideia (se pudesse fazê-lo, iria para o terço contrário); e os centristas, por definição, não serão convencidos a ocupar uma das duas extremidades com temas sensíveis (do contrário, da mesma maneira que os esquerdistas, eles mudariam de lugar, o que não é o caso).

 

Para vencer uma eleição, é preciso identificar os temas que possam sensibilizar e mobilizar os indecisos, e não apenas aquecer a própria militância.

 

Quando os temas “religiosos” são trazidos para o centro do debate, metade do trabalho dos progressistas está feito: basta dizer que política e religião não se misturam, que se trata de questão de fé, etc.  Este não é, definitivamente, o calcanhar de Aquiles da esquerda.

 

Seria ingenuidade dizer que a direita não vence eleições porque se apoia demais no discurso religioso. Mas é preciso considerar seriamente que, como ferramenta de disputa, tal discurso não está ajudando. Ou ao menos não decide favoravelmente a eleição. Ou é menos relevante do que se imagina.

 

A esquerda é tão criminosa em suas ações, seu histórico é tão trágico, sua plataforma tão irrealista e leviana, que há muitos temas nas quais ela poderia ser batida. Não parece inteligente usar exatamente aqueles dos quais ela se desvencilha mais facilmente. Do contrário, aparentemente e diante dos últimos resultados, só nos resta rezar.

 



 
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COMENTÁRIOS
18/09/2014
(Roby)

Concordo com a análise, em termos gerais, menos naquilo que diz respeito à polarização. Será que existe mesmo no Brasil alguma coisa que possa ser considerada "liberal", "conservadora", uma "direita" enfim? Poderão de forma consciente pessoas como Fernando Henrique Cardoso, José Serra — e mesmo Aécio Neves — serem rotulada como conservadores (ou "neoliberais")? Se havia alguma direita, era a representada pelo antigo PFL, agora DEM, para todos os efeitos devidamente extinta por gente "neoprogressista" como Gilberto Kassab. Individualmente, essa direita deixou órfãos como Jair Messias Bolsonaro, cuja atividade política extremista e caricata antes ridiculariza o que deveria enaltecer. Precisamos, sim, de uma "direita"; mas, até agora, ela não nos alcançou. Nossa política exibe cinquenta tons: do rosinha social democrata (PSDB) ao sanguíneo dos revolucionários (PCO), passando pelo vermelho de conveniência do PT. Infelizmente.
 
17/09/2014
(Wagner)

Mas, quem é o candidato da direita? Temos direita no Brasil?
 
08/09/2014
(Glaucio)

Muito bom! Muito sagaz. Concordo plenamente.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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