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O Califado provocará traumas
27/08/2014 - Daniel Pipes
A declaração do califado foi um grande evento e ele é uma instituição ultrapassada, cuja revitalização promete ser muito traumática.
(Rei saudita Abdullah. Um novo califa?)
 
Sem aviso, a antiga e por um longo tempo impotente instituição do califado voltou à vida no dia 29 de junho de 2014.  O que é que este evento pressagia? 
 
O conceito clássico do califado – de um único sucessor de Maomé governar um estado muçulmano unificado – durou pouco mais de um século e terminou com o surgimento de dois califas em 750dC. O poder do califado desmoronou por volta do ano 940dC. Depois de uma existência sombria e prolongada, a instituição desapareceu por completo em 1924. Os poucos esforços subsequentes para reavivá-la foram insignificantes, como o chamado Kalifatsstaat em Colônia, Alemanha. Em outras palavras, o califado foi inoperante por cerca de um milênio e ausente por cerca de um século. 
 
O grupo chamado Estado Islâmico do Iraque e da Síria conquistou a cidade de Mosul, com uma população de 1,7 milhão, em junho; dias depois, ele aprovou o nome de Estado Islâmico e declarou o retorno do califado. Sua capital é a cidade histórica de Raqqa, na Síria (população de apenas 220 mil), que não coincidentemente serviu como capital do califado sob Harun al-Rashid por 13 anos. Sob a autoridade de um iraquiano chamado Ibrahim Awwad Ibrahim, o novo califado tem o plano ambicioso de governar o mundo inteiro ("leste e oeste") e impor uma forma excepcionalmente primitiva, fanática e violenta da lei islâmica em todo mundo. 
 
Eu previ que este Estado islâmico, apesar de sua ascensão espetacular, não vai sobreviver: 
 
"confrontado com a hostilidade tanto dos vizinhos e sua população, [ele] não vai durar muito." Ao mesmo tempo, acredito que ele deixará um legado: 
 
"Não importa o quão seja calamitoso o destino do califa Ibrahim e seu sombrio bando, eles ressuscitaram com sucesso uma instituição central do Islã, tornando o califado novamente uma realidade vibrante. Islâmicos em todo o mundo vão adorar o seu momento de glória brutal e ser inspirados por ele." 
 
Olhando para o futuro, eis minha previsão mais detalhada para o legado do atual califado: 
 
1 - Agora que o gelo está quebrado, outros islamitas ambiciosos irão atuar com mais ousadia, declarando-se califas. Pode muito bem haver uma proliferação deles em diferentes regiões, desde a Nigéria até a Somália, do Afeganistão até a Indonésia e além. 
 
2 - Declarar um califado tem implicações importantes, tornando-o atraente para os jihadistas de todo o umma (comunidade muçulmana mundial) e obrigando-o a conquistar mais territórios.
 
3 - O estado Saudita assumiu um papel quase califal desde o desaparecimento formal do califado otomano em 1924. Com o surgimento do califado Raqqa, o rei saudita e seus assessores serão tentados a declarar a sua própria versão. Se o atual "Guardião das Duas Mesquitas Sagradas" (como o rei saudita gosta de ser chamado), que acaba de completar 90 anos, não aceitar essa demanda, seus sucessores podem muito bem fazê-lo, tornando-se assim o primeiro califado em um estado reconhecido. 
 
4 - A República Islâmica do Irã, o grande poder xiita, poderia muito bem fazer o mesmo (chamando-o de imamate), não querendo ver seus conceitos derrotados pelos sunitas em Riad, tornando-se assim o segundo estado califal formal. 
 
5 - Essa profusão de califas irá agravar ainda mais a anarquia interna e hostilidade entre os povos muçulmanos.
 
6 - A desilusão irá se estabelecer rapidamente. Os califados não trarão a segurança pessoal, a justiça, o crescimento econômico ou a realização cultural. Um após o outro, esses estados autodeclarados universais entrarão em colapso, serão devastados ou deixarão caducar as suas afirmações grandiosas. 
 
7 - A loucura de declarar califados vai acabar em algumas décadas, retornando, portanto, às condições anteriores a 29 de Junho de 2014. Em seguida, analisando retrospectivamente a erupção do califado, ele aparecerá como uma anomalia anacrônica, um obstáculo para a modernização do umma e um sonho ruim. 
 
Resumindo, a declaração do califado em 29 de junho foi um grande evento e ele é uma instituição ultrapassada, cuja revitalização, por este motivo, promete ser muito traumática.
 
 
 
Publicado originalmente pelo Aydınlık Daily .
 
Também disponível no site do autor.
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 

 

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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