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Sobre o Chipre, o mundo está silencioso
20/08/2014 - Victor Davis Hanson
Que tal admitir que Israel é tão duramente criticado devido ao fato de que é um país pequeno, com poucos amigos, tem inimigos poderosos e é habitado por judeus?

(Foto: membro da  força de paz da ONU na zona tampão em Anatólia, Chipre.)

 

 

Limassol, Chipre – Chipre é uma bela ilha. Mas ela nunca se recuperou da invasão turca de 1974. As tropas turcas ainda controlam cerca de 40 por cento da ilha – a parcela mais fértil e anteriormente mais rica. 

 

Cerca de 200.000 refugiados gregos nunca voltaram para o lar depois de serem expulsos de suas casas e fazendas no norte de Chipre. 

 

A capital Nicósia continua dividida. A "linha verde" desmilitarizada de 180 quilômetros que atravessa a cidade cruza toda a ilha. 

 

Milhares de colonos da Anatólia foram enviados pelo governo turco para ocupar as antigas aldeias gregas e mudar a demografia cipriota – da mesma maneira que o Império Otomano ocupante fez uma vez no século 16. Nem uma única nação reconhece a legitimidade do Estado cipriota turco. Em contrapartida, o Chipre grego é um membro da União Europeia. 

 

Por que, então, o mundo não está indignado com a ocupação de Chipre da forma como está, digamos, com Israel? 

 

Nicósia é certamente mais dividida do que é Jerusalém. Milhares de refugiados gregos perderam suas casas mais recentemente, em 1974, do que os palestinos em 1947. 

 

A Turquia tem muito mais tropas no norte de Chipre do que Israel tem na Cisjordânia. Cipriotas gregos, ao contrário dos palestinos, superam numericamente em muito os seus adversários. Na verdade, uma minoria que compreende cerca de um quarto da população da ilha controla cerca de 40 por cento da massa terrestre. Enquanto Israel é um membro das Nações Unidas, o Chipre turco é uma nação fora da lei não reconhecida. 

 

Qualquer tentativa dos cipriotas gregos para reunificar a ilha seria esmagada pelo formidável exército turco, da mesma maneira brutal da breve guerra de 1974. Os generais turcos muito provavelmente não iriam telefonar para os proprietários gregos advertindo-os para abandonar as suas casas antes da chegada das granadas da artilharia turca. 

 

A ilha continua a ser dominada não porque os gregos se renderam, mas porque sua resistência é inútil contra um poder da OTAN com cerca de 70 milhões de pessoas. Os gregos sabem que a Turquia se preocupa pouco sobre o que o mundo pensa de sua ocupação. 

 

Os gregos em Chipre e na Grécia continental juntos somam menos de 13 milhões de pessoas. Isso é muito menos do que os cerca de 300 milhões que falam árabe, muitos deles de países que exportam petróleo, que apoiam os palestinos. 

 

Nenhum jornalista europeu teme que terroristas gregos irão persegui-lo se ele escrever algo crítico sobre a causa cipriota grega. Cipriotas gregos não intimidariam um jornalista que estivesse entre eles durante a transmissão de um noticiário crítico, da forma como o Hamas certamente faria com qualquer repórter sincero em Gaza. 

 

Em outras palavras, não há muita vantagem prática ou interesse em promover a causa cipriota grega. 

 

Ao contrário de Israel, a Turquia é da OTAN – e atualmente está se tornando mais islâmica e antiocidental sob o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. Se é fácil para os Estados Unidos cerrar as mandíbulas sobre o pequeno Israel, é geoestrategicamenteimprudente fazê-lo sobre a Turquia em relação à ilha de Chipre. 

 

A Turquia também é menos simbólica para o Ocidente do que é Israel. Em seu hábito racista de assumir baixas expectativas para não-ocidentais, as elites europeias não defendem para a Turquia os mesmos padrões que elas criam para Israel. 

 

Vemos tal hipocrisia quando o Ocidente permanece em silêncio enquanto os muçulmanos massacram uns aos outros aos milhares no Afeganistão, Iraque, Líbano, Líbia e Síria. Somente quando um país ocidentalizado como Israel inflige muito menos danos aos muçulmanos é que o Ocidente fica irado. O mesmo paradoxo parece ser verdade para as vítimas. Aparentemente, cristãos ocidentais gregos não são vítimas românticas como os muçulmanos palestinos são. 

 

Nos 40 anos desde que perderam suas terras, os cipriotas gregos transformaram o antes empobrecido sul em uma terra muito mais próspera do que o norte ocupado pelos turcos, outrora rico, mas agora estagnado – ao contrário dos palestinos, que não usaram o seu know-how para transformar Gaza ou Ramallah em uma cidade como Limassol. 

 

O antissemitismo ressurgente tanto no Oriente Médio quanto na Europa se traduz em crítica excessiva a Israel. Poucos usam comentários racistas relacionando a ocupação de Chipre pela Turquia ao suposto passado brutal dos turcos.

 

A próxima vez que os manifestantes anti-israelenses gritarem sobre cidades divididas, refugiados, muros, colonos e terra ocupada, vamos entender que estas não são questões apenas do Oriente Médio. Se assim fosse, a tragédia de Chipre também estaria no centro das atenções. Da mesma forma, multidões estariam condenando a China por ocupar o Tibete, ou ainda simpatizariam com os milhões de alemães que fugiram da agora inexistente Prússia, ou lamentando as castas religiosas na Índia, ou nutrindo ódio pelas inflexíveis ações russas na Georgia, Crimeia, Ucrânia ou deplorando as decapitações no norte do Iraque. 

 

Em vez disso, vamos admitir que o Oriente Médio não se trata apenas de uma disputa por terras. Israel é excessivamente condenado por aquilo que supostamente faz porque tem poucos amigos, sua população é pequena e os seus adversários fora de Gaza são numerosos, perigosos e muitas vezes poderosos. 

 

E, é claro, porque é judeu.

 

 

Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 
 
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Redação: Paulo Zamboni
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