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Lições da guerra em Gaza
15/08/2014 - Daniel Pipes
O primeiro mês de conflito entre Israel e o Hamas demonstra, dentre outras coisas, como a guerra moderna pode ser estranha.

(Domo de Ferro em ação, protegendo os israelenses)

 

Enquanto as operações israelenses contra o Hamas perdem o fôlego, aqui estão sete considerações sobre o conflito ao longo do mês: 


- Escudo para mísseis: o excelente desempenho do "Domo de ferro" (Iron Dome, em inglês), o sistema de proteção que derrubou quase todos os foguetes do Hamas que ameaçavam vidas e propriedades, tem grandes implicações militares para Israel e o mundo. Seu sucesso sinaliza que a "Guerra nas Estrelas" [*] (como os adversários maliciosamente apelidaram após a sua introdução, em 1983) pode de fato oferecer proteção contra mísseis de curto alcance e também presumivelmente de longo alcance, potencialmente alterando o futuro da guerra. 


- Túneis: túneis atrás das linhas inimigas dificilmente são uma tática nova; historicamente ela tem tido sucesso, como em 1917, na Batalha de Messines, quando minas britânicas mataram 10.000 soldados alemães. As Forças de Defesa de Israel (IDF) sabiam dos túneis do Hamas antes que as hostilidades começassem, em 08 de julho, mas não conseguiram avaliar os seus números, extensão, profundidade, qualidade de construção e sofisticação eletrônica. Jerusalém percebeu rapidamente, como escreveu o Times of Israel, que "a supremacia de Israel no ar, mar e terra não é espelhada no subsolo". A IDF, portanto, precisa de mais tempo para alcançar o domínio no subterrâneo.


- Consenso em Israel: a barbárie implacável do Hamas criou um raro consenso entre os judeus israelenses em favor da vitória. Esta quase unanimidade tanto fortaleceu a mão do governo para lidar com potências estrangeiras (o primeiro-ministro Netanyahu advertiu o governo dos Estados Unidos para nunca mais duvidar dele) quanto é provável que mova a política interna de Israel decisivamente para a direita nacionalista. 


- Reação no Oriente Médio: com exceção dos Estados patronos do Hamas (Turquia, Qatar, Irã), os terroristas islâmicos não encontraram quase nenhum apoio governamental na região. Em um exemplo notável, o rei saudita Abdullah falou sobre o Hamas matar habitantes de Gaza: "É vergonhoso e lamentável o que estes terroristas estão fazendo [mutilar os corpos de inocentes e orgulhosamente divulgar as suas ações] em nome da religião." Ele sabe bem quem é seu inimigo mortal.

 

(Bons tempos: Ismail Haniyeh (esquerda) e Khaled Meshaal (centro), do Hamas, em Jeddah com rei saudita Abdullah em 2007)

 

- O antissemitismo em ascensão: especialmente na Europa, mas também no Canadá e na Austrália, o antissemitismo veio à tona, principalmente por parte dos palestinos e islâmicos, bem como de seus aliados de extrema-esquerda. A resposta será, com toda a probabilidade, o aumento da imigração para os dois abrigos da vida judaica, Israel e Estados Unidos. Por outro lado, os muçulmanos do Oriente Médio ficaram em silêncio, com exceção dos turcos e dos árabes que vivem sob controle israelense. 


- Elites x reações populares: não é todos os dias que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas e todos os 28 ministros das Relações Exteriores da União Europeia ficam ao lado de Israel contra um inimigo árabe, mas isso ocorreu. No Congresso dos EUA, o Senado aprovou por unanimidade, e a Câmara votou por 395 a 8 em favor de 225 milhões de dólares adicionais para o programa Domo de Ferro. Em contraste, entre o público em geral o sentimento pró-Israel declinou em quase toda parte (embora não nos Estados Unidos). Como explicar essa disparidade? Meu palpite: Líderes imaginaram o que eles fariam se confrontados com foguetes inimigos e túneis, enquanto o público se concentra nas fotografias de bebês mortos em Gaza. 


- Bebês mortos: o que nos leva para o aspecto mais complexo, contraditório e estranho de todo o conflito. Porque a IDF tem uma vantagem esmagadora sobre o Hamas no campo de batalha, o confronto se assemelha a uma operação policial mais do que a uma guerra. Assim, os israelenses foram julgados, principalmente, pela clareza das declarações públicas de seus líderes, o uso criterioso da força e a manipulação de provas. Dessa forma, a atenção da mídia, invariavelmente, derivou da esfera militar para questões de proporcionalidade, moralidade e política. A maior arma estratégica do Hamas em seu esforço para prejudicar a reputação de Israel e lançá-lo ao ostracismo não era nem foguetes, nem túneis, mas dolorosas fotografias de civis supostamente mortos pela IDF. 


Isso leva à situação bizarra em que o Hamas busca a destruição de propriedade palestina, obriga civis a tolerarem ferimentos e morte, aumentando o número de baixas, podendo até mesmo atacar intencionalmente seu próprio território –, enquanto a IDF sofre mortes que seriam evitáveis para poupar danos aos palestinos. O governo israelense vai mais longe, oferecendo assistência médica e alimentos e enviando técnicos ao perigo para se certificar de que os habitantes de Gaza continuam a desfrutar de eletricidade gratuita

 

(Caminhões com alimentos, medicamentos e outras provisões seguindo de Israel para Gaza no cruzamento de Kerem Shalom durante as hostilidades.)

É uma guerra curiosa em que o Hamas comemora a miséria palestina e Israel faz o seu melhor para manter a vida normal para o seu inimigo. É estranho, é verdade, mas essa é a natureza da guerra moderna, onde opiniões na mídia muitas vezes contam mais do que projéteis. Em termos clausewitzianos, o centro de gravidade da guerra mudou-se do campo de batalha para as relações públicas. 

 

No geral, as forças civilizadas e morais de Israel saíram-se bem neste confronto com a barbárie. Mas não o suficiente para evitar, por muito tempo, mais um assalto.

 

Publicado originalmente pelo National Review Online.

 
Também disponível no site do autor.
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 
[*] Nota Tradutora: o autor se refere ao projeto Iniciativa Estratégica de Defesa, desenvolvido pelos EUA durante o mandato do presidente Ronald Reagan, e que visava deter eventuais ataques com mísseis intercontinentais nucleares utilizando-se, dentre outros meios, de mísseis interceptadores, uma abordagem que muitos achavam inviável tamanho os custos e dificuldades técnicas envolvidas, o que levou os seus detratores a apelidar o empreendimentos de "Guerra nas Estrelas" (Star Wars), numa referência ao filme de ficção cientítica de mesmo nome.
 
 
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Redação: Paulo Zamboni
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