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Um Israel mais forte?
14/08/2014 - Victor Davis Hanson
Analistas dos combates em Gaza asseguram que, mesmo que Israel enfraqueça o Hamas, essa vitória a curto prazo dificilmente vai levar ao sucesso estratégico de longo prazo.

Nas guerras pós-modernas, dizem-nos, não há nenhuma vitória, nenhuma derrota, não há agressores, não há defensores, apenas uma tragédia de agendas conflitantes. Mas, em uma paisagem tão irracional e amoral, Israel de fato está em seu caminho para emergir em uma posição muito melhor depois da guerra de Gaza do que antes. 

 

Analistas da luta atual em Gaza nos asseguraram que, mesmo que Israel enfraqueça o Hamas, essa vitória a curto prazo dificilmente vai levar ao sucesso estratégico de longo prazo – mas eles não definem o que é este "longo prazo". Nesta linha de pensamento, em poucas semanas Israel supostamente vai apenas encontrar-se mais isolado do que nunca. Sua impopularidade vai crescer ainda mais na Europa e, talvez, pela primeira vez, perca seu patrono, a América – enquanto ganha uma série de enfurecidos inimigos árabes e islâmicos. Enquanto isso, o Hamas vai ganhar corpo, se reconstruir e desgastar Israel lentamente. 

 

Mas se compararmos a guerra de Gaza com as guerras de Israel no passado, esse cenário pessimista dificilmente soa verdadeiro. Ao contrário das guerras de existência de 1948, 1956, 1967 e 1973, Israel não enfrenta nenhuma coalizão de poderosos inimigos convencionais. O exército da Síria está destruído. O Iraque está devorando a si mesmo. O Egito está falido e sem disposição para a guerra. Seu governo militar está mais preocupado com o Hamas do que com Israel. A Jordânia não tem nenhum desejo de atacar Israel. Os Estados do Golfo também estão com mais medo do eixo Irã, Hezbollah, Hamas e da Irmandade Muçulmana do que de Israel – uma mudança de mentalidade que não tem precedente histórico. Em suma, nunca desde o seu nascimento o Estado judeu teve os tradicionais inimigos que o cercam em tal desordem militar e política. Nunca poderosos países árabes esperaram calmamente enquanto Israel destrói uma organização terrorista islâmica que eles temem mais do que temem o Estado judeu. 

 

Mas não é a guerra assimétrica a verdadeira ameaça para Israel? O Ocidente, afinal, tem tido pouco sucesso em alcançar vitórias a longo prazo sobre os grupos terroristas e insurgentes – lembre-se do Afeganistão e do Iraque. Como pode o pequeno Israel encontrar segurança contra inimigos que parecem ganhar força política e legitimidade enquanto sofrem grandes perdas, enquanto o ocidental Israel pode arcar apenas com um determinado número de perdas, antes que o apoio público à guerra entre em colapso? Como podem os israelenses lutar uma guerra que a mídia mundial retrata como um genocídio contra os inocentes? 

 

Na verdade, a maioria dessas suposições é simplista. Os EUA, por exemplo, derrotaram variados insurgentes islâmicos no que foi uma grande e opcional guerra no Iraque; uma pequena força de paz simbólica poderia ter defendido Nouri al-Maliki da perseguição de políticos sunitas, mantendo assim a paz. Recentes guerras de contrainsurgência de Israel tornaram tanto os palestinos na Cisjordânia quanto os militantes do Hezbollah pró-iraniano no Líbano menos, e não mais, perigosos. O Hamas, não Israel, não gostaria de repetir as últimas três semanas. 

 

Estranhamente, o Hezbollah, um antigo aliado do Hamas, tem se mantido em silêncio durante a guerra em Gaza. Por que, se o uso de seu vasto arsenal de mísseis, em conjunto com os foguetes do Hamas, poderia, em teoria, ter dominado as defesas antimísseis de Israel? A resposta é, provavelmente, a enorme quantidade de dano sofrido pelo Hezbollah na guerra de 2006 no Líbano, e sua incapacidade de proteger suas posições remanescentes de uma outra resposta aérea israelense esmagadora. Se os foguetes do Hamas atingissem seus alvos, talvez o Hezbollah houvesse se juntado a ele. Mas, por enquanto, para o Hezbollah, 2014 se parece muito com 2006. 

 

Na atual guerra assimétrica, Israel encontrou um método de infligir o máximo de danos políticos e estratégicos que ache necessários ao Hamas, sem sofrer perdas intoleráveis​​. E porque a guerra é vista como existencial – mirar foguetes numa população civil irá fazer isso –a opinião pública israelense em grande parte apoia o esforço de retaliação. 

 

Enquanto Israel não pretender reocupar Gaza, pode infligir dano suficiente sobre a liderança do Hamas, nos túneis e nos arsenais de mísseis, para ganhar quatro ou cinco anos de tranquilidade. No Oriente Médio, esse tipo de calma significa vitória. E quanto mais o mundo vê os túneis elaborados e vastos arsenais de mísseis que o desgastado Hamas tinha construído com o dinheiro de outras pessoas, e quanto mais desses ativos militares mostrarem-se totalmente inúteis na guerra real, mais o Hamas parecerá não apenas tolo, mas também incompetente, se não ridículo. 

 

Depois que a amargura diminuir, os habitantes de Gaza vão entender que houve uma correlação entre as casas destruídas, por um lado, e, por outro, as entradas dos túneis, depósitos de armas, bem como as casas da liderança do Hamas. Mesmo os totalitários do Hamas não serão capazes de manter esse fato escondido. Tão logo os escombros forem limpos, muitos habitantes de Gaza vão perguntar aos líderes do Hamas se a estratégia supostamente brilhante de guerra assimétrica valeu a pena. A guerra planejada pelo Hamas – cobrir Israel com milhares de foguetes que iriam difundir por todo o mundo as imagens em vídeo com centenas de milhares de judeus tremendo de medo em abrigos – falhou em suas primeiras horas. A campanha aérea foi tão bem sucedida como a guerra dos túneis, que deveria permitir que equipes entrassem com sucesso em Israel para sequestrar e matar, com vídeos horríveis sendo postados em toda a Internet. Ambas as estratégias falharam largamente quase que imediatamente. 

 

Em termos de política interna, Israel raramente esteve mais unido – parecido com os Estados Unidos logo após o 11 de Setembro. A esquerda e a direita israelense concordam que nenhum estado ocidental moderno pode existir sob nuvens periódicas de foguetes e mísseis. Da mesma forma, o desgaste do Hamas é apenas divertimento para a Autoridade Palestina, que, compreensivelmente, ficou fora da guerra e não incitou ataques simultâneos a partir da Cisjordânia. Goste ou não, após a guerra de Gaza, Israel vai ter que lidar no futuro com palestinos que não pensam sempre que foguetes e túneis de ataque funcionam para sua própria vantagem estratégica. 

 

Em termos econômicos, Israel não está mais sujeito à chantagem do combustível de carbono. Ele em breve se tornará um grande exportador de gás natural, e as realidades políticas refletirão essa importância comercial. Se alguém cinicamente acredita que grande parte da inclinação global para os palestinos começou como uma réplica aos embargos petrolíferos de 1973, então as exportações israelenses em breve poderão se refletir em políticas mais favoráveis. 

 

Israel está isolado politicamente? Certamente parece que sim, se olharmos para a reação à guerra em Gaza entre os jornalistas ocidentais, acadêmicos, políticos e a cultura popular. Mas a opinião pública nos Estados Unidos permanece firmemente pró-Israel apesar do romance cultural da elite americana com o Hamas e os palestinos. Além disso, o Partido Democrata está enfrentando sua própria crescente crise existencial, com o seu establishment de doadores e políticos pró-Israel revoltado com os tons crescentemente anti-Israel de sua base cada vez mais radical. Depois da guerra em Gaza, alguns dos principais apoiadores democratas de Israel vão tranquilamente fazer os ajustes necessários, no reconhecimento de que tanto o seu partido quanto o governo Obama parecem preferir o Hamas a um Israel democrático. A próxima eleição de meio de mandato de 2014 não favorece os candidatos que são anti-Israel, mas sim os conservadores pró-israelenses. Após 2016 é improvável que tenhamos um presidente que compartilhe das opiniões incoerentes de Barack Obama sobre o Oriente Médio. Justas ou não, parece que o governo está tentando esconder suas simpatias pró-Hamas e faz isso de maneira amadora e inepta. 

 

Na Europa, é claro, a maioria permanece hostil a Israel, um ódio que antecede a guerra de Gaza. Mas as manifestações atuais de ódio antissemita virulento não refletem bem a União Europeia. No momento, parece que as nações europeias não podem ou não querem confrontar os seus próprios radicais islâmicos fascistas, o que deixa em aberto a questão de saber se a mensagem islâmica das ruas ressoa entre os europeus.A hostilidade europeia a Israel não deriva apenas de eventos no território de Gaza, mas é mais um reflexo da incapacidade da Europa para lidar com seu passado do século XX. A demonização mais virulenta possível dos israelenses parece aliviar a culpa sobre o Holocausto, como que dando a entender que, enquanto o genocídio foi lamentável, havia algo intrinsecamente selvagem na cultura judaica, agora manifestado em Gaza, que pode compreensivelmente ter incitado gerações passadas de europeus mais radicais.

 

Ou então os europeus simplesmente dissimulam através da ideologia da moda, a avaliação mais materialista de que a demografia, o petróleo e o medo do terrorismo pesam a favor de uma aliança com os palestinos. De qualquer maneira, o antissemitismo europeu é uma ideologia falida, que se manifesta em simpatia por um Hamas antidemocrático, misógino, homofóbico e religiosamente intolerante, juntamente com despreocupação seletiva em relação às muitas ocupações, refugiados, cidades divididas e às fronteiras muradas que existem no vasto mundo fora do Oriente Médio. 

 

A ONU vai emergir após a guerra em um estado ainda mais triste. O Secretário-Geral Ban Ki-moon apresentou muitas platitudes e bufonarias. Certamente ele nunca iria aceitar o seu próprio conselho se a Coreia do Norte se deslocasse à maneira do Hamas. A utilização do Hamas de instalações da ONU para esconder arsenais não poderia ter ocorrido sem a cumplicidade da ONU. O pouco de credibilidade que a ONU tinha no Oriente Médio antes da guerra está em frangalhos. 

 

O Irã está vendo a guerra, e seu representante não está indo bem. Não há nenhuma razão específica para que um sistema antimíssil israelense não consiga derrubar um míssil iraniano. Nem o Hezbollah é tão ardente em atos como o é nas palavras nos dias atuais. A mensagem ao Irã é que Israel vai lutar da maneira que achar adequado contra o seu inimigo do momento. 

 

Gaza é um campo minado político e militar. Mas se Israel continuar em seu curso atual, vai surgir muito melhor do que o Hamas e do que era antes de o Hamas começar sua barragem de mísseis. E no Oriente Médio, isso é quase o mesmo que uma vitória. O futuro de Israel não é sombrio, assim como não é sombrio para qualquer nação que escolhe se defender de inimigos ferozes que buscam sua destruição.

 

Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 
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Redação: Paulo Zamboni
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