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O PT não deixará a máquina do Estado facilmente
13/08/2014 - Redacao Midia@Mais
Em entrevista ao MÍDIA @ MAIS o professor Marco Antonio Villa faz uma detalhada análise do momento político nacional e alerta: "o PT pode sair do governo, mas não sairá da estrutura do Estado. "

A redação do M@M elaborou uma série especial de entrevistas exclusivas sobre o cenário das eleições presidenciais. 

Nosso primeiro entrevistado é o professor universitário Marco Antonio Villa, colunista da Folha de São Paulo do jornal O Globo, além de ser autor de vários livros, como: 

 

- Mensalão - O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Política Brasileira(Leya; 392 páginas);

 

- Canudos, o povo da terra (Áica, 1999, 3º edição)

 

- Vida de morte no sertão. História das secas no Nordeste nos séculos XIX e XX (Ática, 2001, 4ª edição)

 

- Breve História do Estado de São Paulo 1º. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 200 p.

 

1932: imagens de uma revolução. 1º. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008. 208 páginas

 

- Jango, um perfil (1945-1964). 1. ed. São Paulo: Globo, 2004. 287 páginas

- O Partido dos Trabalhadores e a política brasileira (1980-2006) - uma história revisitada, EdUFSCar, 2009

-  A história das constituições brasileiras. 200 anos de luta contra o arbítrio (LeYa).

 

Villa fez uma profunda análise sobre o cenário atual e encerrou nossa entrevista falando sobre as mudanças na campanha depois da morte de Eduardo Campos.

 

***

MÍDIA@MAIS -  A imprensa em geral tem atuado como uma espécie de “ombudsman” dos concorrentes de Dilma Rousseff, ao cobrar da oposição algum tipo de fórmula mágica em forma de plano de governo para corrigir muitos problemas que, na verdade, foram criados por quem está há mais de uma década no poder. O senhor enxerga consistência nas duas principais candidaturas de oposição, de Aécio e Eduardo Campos?

 

Marco Villa - O quadro oposicionista é melhor do que o de 2010, também no campo do discurso. Especialmente Aécio Neves desenhou uma estratégia correta de campanha. E tem conseguido jogar o jogo bem, até o momento. Campos está tendo um pouco mais de dificuldade para ajustar o seu discurso mas tem se esforçado para encontrar nichos não explorados por Dilma ou por Aécio. O maior desafio para Aécio é apresentar propostas que seduzam o eleitorado de baixa renda. Ele tem de ganhar este apoio mas para isso precisa ser conhecido, ser compreendido e estabelecer uma relação de apoio ou, no mínimo, de concordância passiva.  (parte da entrevista foi realizada antes da morte de Eduardo Campos).

 

M@M - Como o senhor vê o surgimento de forças paralelas aos principais candidatos, como a do Pastor Everaldo, de um partido com histórico de apoio ao governo do PT, e que de repente vira oposição?

 

MV - É uma novidade. Mas, até agora, de pouca importância eleitoral. Mostra, ao menos, que o bloco estruturado por Lula para sustentar a candidatura de Dilma em 2010 foi um momento único. A aliança que ia da direita á esquerda, de católicos a evangélicos, de defensores do aborto a anti-abortistas, de um extremo a outro, foi fruto de um momento que não vai se repetir. Basta recordar que em 2010 o crescimento do PIB foi de 7,5% (em 2009 houve recessão, registre-se) e neste ano os mais otimistas falam em 0,5% positivo, no máximo. E isto, claro, tem efeito direto nas alianças.
 

M@M - Com os mensaleiros ainda cumprindo pena, estoura outro escândalo, na verdade o “escândalo do escândalo”, que é a fraude na CPI da Petrobras. O senhor acha que os petistas são incorrigíveis, eles simplesmente são incapazes de jogar o jogo limpo da democracia?

 

MV - São incorrigíveis. Tem um problema com o pleno funcionamento do Estado Democrático de Direito. Escrevi estes dias que o PT não consegue conviver com o que eles chamam de "institucionalidade burguesa", tem uma propensão a violá-la diuturnamente. Não se assustam, não temem, acham absolutamente natural pois o que importa é o projeto de poder que o partido tem.

 

M@M - Os evangélicos estão na pauta do dia, com a candidatura do Pastor Everaldo e a inauguração do Templo de Salomão. O senhor acha que os evangélicos finalmente terão papel determinante numa eleição para presidente?

 

MV - Não creio. O poder que o pastor tem de direcionamento do voto é pequeno. Muitos dizem o contrário mas, creio, para obter algum tipo de benefício. Deve ser registrado que o direcionamento tem de ter o limite legal, constitucional, da liberdade de voto.
 

M@M - Qual balanço o senhor faz da Copa 2014? Além do evidente fiasco dentro de campo que assombrará ainda por anos e anos, é de se esperar mais escândalos e superfaturamento para as Olimpíadas do Rio 2016?

 

MV - A Copa foi a tragédia esperada mas já foi esquecida, falando exclusivamente da questão da corrupção. A oposição explorou mal o evento e poderia ter demonstrado que a sua realização significou o maior desvio de recursos em um só evento da história do Brasil. 2016 vai simplesmente manter o costume, ou seja, mais desvios, mais corrupção, mais impunidade.
 

M@M - Falando especificamente da eleição em SP, o senhor acha que Geraldo Alckmin passará a campanha ileso, ou a campanha ficará mais pesada em mais uma tentativa de o PT chegar ao poder no estado mais rico da federação? O senhor acha que um partido que tem Fernando Haddad na conta consegue ganhar outra eleição no mesmo lugar? Enfim: é possível eleger dois postes em seguida?

 

MV - Padilha é carta fora do baralho. Em parte - mas não só - devido ao desastre da gestão Haddad. Dificilmente Alckmin não será reeleito no primeiro.

 

M@M - Voltando ainda ao Mensalão: uma reportagem recente do portal Ig tentou passar a imagem de um “novo José Dirceu”, reabilitado, tentando começar “vida nova”, batendo ponto e tomando cafezinho com os colegas de trabalho. O senhor acha que nos livramos dele, ou ele continua dentro do jogo político com a mesma força de antes?

 

MV - José Dirceu é o carma que nós teremos de carregar ainda por muitos anos. Ele continua dominando a direção do PT. E quando acabar de cumprir a pena será recebido como herói. 
 
M@M - O recente envolvimento de estudantes e professores com os Black Blocks, sobretudo no Rio de Janeiro, parece comprovar que o excessivo viés marxista no ensino está contribuindo na formação de elementos propensos a atos criminosos em nome de uma agenda revolucionária. O que senhor pensa a respeito?
 
MV - O panfletarismo invadiu a universidade. Boa parte dos professores admitidos no último decênio - quando ocorreu a expansão das universidades federais - são militantes, não pesquisadores. Usam a universidade - e a segurança do emprego - como instrumento político-ideológico. Suas "pesquisas" são irrelevantes. Representam uma das heranças malditas do petismo. E se a oposição vencer a eleição presidencial, eles vão se transformar na tropa de choque do petismo fazendo greves, ocupações, a torto e a direita.
 
M@M - É possível imaginar que a situação política brasileira pode levar a algum impasse violento, em que os radicais de esquerda forcem a mão no sentido de preservar o poder e solapar as instituições de forma definitiva? Ou seja, é possível tornarmo-nos uma ditadura de esquerda?
 
MV - Não. Mas o PT pode sair do governo mas não sairá da estrutura do Estado. Através de concursos com forte viés ideológico colocaram no Estado milhares de novos funcionários públicos. E agirão como militantes e não funcionários de Estado caso a oposição vença a eleição de outubro, disso tenho certeza absoluta.
 
M@M - O senhor entende que de alguma forma a duradoura polarização entre PT e PSDB, ambos partidos de esquerda, desgastou na prática o modelo socialista e poderá contribuir para o surgimento de um pensamento de direita moderno no Brasil, ou na verdade vai apenas favorecer o fortalecimento da extrema-esquerda?
 
MV - Não considero o PSDB um partido de esquerda. É possível chamá-lo, dentro da velha configuração político-ideológica, de um partido de centro. O PT é um partido de centro-esquerda e já faz um bom tempo, mesmo quando faz um discurso de esquerda tradicional mais para o público interno do que para uma efetiva intervenção na sociedade. Faz muita falta ao país um partido de direita moderno, com inserção na sociedade e que valorize o debate ideológico. Na verdade faz falta ao Brasil debate ideológico. A nossa política é muito pobre em ideias e digo isso faz um bom tempo.   
 
M@M - Com a morte de Eduardo Campos como fica o cenário das eleições?
 
MV - São 2 campanhas: uma do seu início até hoje; outra que começa hoje ainda com quadro absolutamente imprevisível. São muitas variáveis. A primeira depende de saber se Marina ficará no lugar de Campos. Caso isso ocorra - e o PSB lance um vice - teremos um cenário bem diferente. No fim de semana o Datafolha já vai dar um sinal. É bom lembrar que esta primeira pesquisa deve captar um clima bem emocional. Somente na semana seguinte deve ser possível avaliar o novo quadro com mais segurança.  

 

 



 
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COMENTÁRIOS
16/08/2014
(Sandra Steigels)

Ver a inoperância dos professores universitários e s/domínio s/s/alunos é uma imensa perda de tempo no ensino superior, principalmente c/altos salários na administração, os quais deveriam ser direcionados à pesquisas. O viés político c/a morte de Eduardo Campos tb é um perigo p/o povo e nação : qdo se esperava uma melhora substancial c/os eleitores no NE, desviando-os do PTismo, eis que o incidente fatal nos tira o sossego. Não é possível suportarmos mais PTismo aqui em SP e no Brasil; tomara o PSDB consiga convencer os nordestinos e as demais regiões brasileiras a livrar o País dessa praga chamada PT. Qtº. ao José Dirceu, continua sendo a eminência parda da situação, o tempo de Salomão uma imagem pura de ostentação vazia p/os ignorantes e mais algumas propriedades cheias de, entre outras coisas, torneiras em ouro maciço, etc. Um país que continua envergonhando-nos, seu povo e cidadãos brasileiros honestos e cultos. Eles subestimam a inteligência da nação.
 
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