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O momento brutal do Califa Ibrahim
06/08/2014 - Daniel Pipes
O Califado está de volta. De onde vem este movimento audacioso? Ele pode durar? Qual será o seu impacto?

 

(O Califa Ibrahim pregando em uma mesquita em Mossul no início de julho de 2014)

 

Após uma ausência de 90 anos, a antiga instituição do califado rugiu de volta à existência, no primeiro dia do Ramadã, no ano 1435 da Hégira, o equivalente a 29 de Junho de 2014. Este surpreendente renascimento é o climax simbólico da onda muçulmana que começou 40 anos atrás. Uma analogia ocidental seria uma declaração da restauração do Império Habsburgo, traçando a sua legitimidade até a Roma antiga.

 

De onde vem este movimento audacioso? Pode o califado durar? Qual será o seu impacto? 

 

Para começar, uma rápida recapitulação do califado (do árabe khilafa, que significa "sucessão"): de acordo com a história muçulmana canônica, ele se originou em 632 DC, em seguida à morte do profeta Maomé, como resultado de um desenvolvimento espontâneo, preenchendo a necessidade da comunidade muçulmana nascente de um líder temporal. O califa tornou-se o herdeiro não-profético de Maomé. Após os primeiros quatro califas, o cargo tornou-se dinástico. 

 

Desde o início, os seguidores discordaram se o califa deveria ser o mais capaz e piedoso muçulmano ou o parente mais próximo de Maomé; a divisão resultante passou a definir os ramos sunita e xiita do Islã, respectivamente, causando o cisma profundo que ainda perdura. 

 

Um único califado governou todas as terras muçulmanas até 750; mas, em seguida, dois processos se combinaram para diminuir seu poder. Primeiro, províncias remotas começaram a se libertar, com algumas – como a Espanha – até mesmo criando califados rivais. Em segundo lugar, a própria instituição decaiu e foi tomada por soldados escravos e conquistadores tribais, de modo que a linha original de califas efetivamente governou somente até cerca de 940. Outras dinastias então adotaram o título como uma prerrogativa do poder político. 

 

A instituição continuou sob uma forma enfraquecida por um milênio, até que, em um ato dramático de repúdio, o fundador da Turquia moderna, Kemal Atatürk, eliminou seus últimos vestígios em 1924. Apesar de várias tentativas subsequentes para restaurá-la, a instituição tornou-se extinta, um símbolo da desordem em países de maioria muçulmana e uma meta ansiada entre islamitas

 

E a situação permaneceu assim por 90 anos, até que o grupo conhecido como o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS) emitiu uma declaração em cinco idiomas proclamando a fundação de um novo califado sob o "Califa " Ibrahim. O Califa Ibrahim (também conhecido como Dr. Ibrahim Awwad Ibrahim), com cerca de 40 anos, vindo de Samarra, Iraque, lutou no Afeganistão e depois no Iraque. Ele agora afirma ser o líder dos "muçulmanos de todos os lugares" e exige o seu juramento de lealdade. Todos os outros governos muçulmanos perderam legitimidade, afirma. Além disso, os muçulmanos devem rejeitar "a democracia, o secularismo, o nacionalismo, bem como todos os outros lixos e as ideias do Ocidente." 

 

Revivendo os meios do califado universal, anunciou a promessa de Deus que o "longo sono na escuridão da negligência" terminou. "O sol da jihad raiou. As boas novas estão brilhando. O triunfo paira no horizonte." Infiéis estão justificadamente aterrorizados e tanto a "leste como oeste" devem se submeter, pois os muçulmanos vão "dominar a Terra".

 

Em cima: Dawlat al-Khilafa (O Estado Islâmico): Ou o mundo como o ISIS vê, usando nomes de lugares medievais árabes. Embaixo: O mesmo mapa em alfabeto latino.Palavras grandiloquentes, podem ter certeza, mas também sem nenhuma chance de sucesso. O ISIS tem desfrutado do apoio de estados como Turquia e Qatar – mas para lutar na Síria, não para estabelecer uma hegemonia global. Poderes próximos – os curdos, o Irã, a Arábia Saudita, Israel (e, eventualmente, talvez a Turquia também) – consideram o Estado Islâmico como um inimigo implacável, como também fazem quase todos os movimentos islâmicos rivais, incluindo Al-Qaeda. (As únicas exceções: Boko Haram, moradores de Gaza dispersos, e uma nova organização do Paquistão). O califado já enfrenta dificuldades para administrar os territórios do tamanho da Grã-Bretanha que conquistou, e os problemas vão aumentar à medida que suas populações experimentarem a miséria total do regime islâmico. (Sua aparente captura da Represa de Mossul em 3 de Agosto prenuncia crimes indescritíveis, incluindo o corte de eletricidade e água, ou mesmo a criação de inundações catastróficas.)

 

 

(No mapa acima: No alto, o Dawlat al-Khilafa (O Estado Islâmico), ou o mundo como visto pelo ISIS, usando nomes de lugares medievais árabes. Embaixo: O mesmo mapa em alfabeto latino.)

 

Eu prevejo que o Estado islâmico, confrontado com a hostilidade tanto dos vizinhos quanto da sua população submetida, não vai durar muito. 

 

Ele vai deixar um legado, no entanto. Não importa o quão calamitoso seja o destino do califa Ibrahim e seu bando cruel, eles ressuscitaram com sucesso uma instituição fundamental do Islã, fazendo do califado uma realidade vibrante novamente. Islâmicos ao redor do mundo vão adorar o seu momento de glória brutal e ser inspirados por ela. 

 

Para os não-muçulmanos, este desenvolvimento tem implicações complexas e de dois gumes. Do lado negativo, os islamitas violentos serão mais encorajados a alcançar seus objetivos hediondos, deixando um rastro de carnificina. No lado positivo, o fanatismo bárbaro do califado terá o efeito salutar de despertar muitos dos que ainda dormem quanto aos horrores da agenda islamita.

 

Publicado originalmente pelo The Washington Times.
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 



 
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COMENTÁRIOS
20/08/2014
(João )

E esse tal de Estado Islâmico que cortou a cabeça do jornalista americano? Voltamos para a Idade Média.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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