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Vencer uma guerra de perder-perder
01/08/2014 - Victor Davis Hanson
Se quiser vencer o mundo do perde-perde na guerra do Oriente Médio, Israel deve garantir que o Hamas perca muito mais do que o próprio Israel perde.

Como perder batalhas e ganhar simpatizantes.

 

Mais uma vez os vizinhos inimigos estão guerreando de formas diametralmente opostas. 

 

O Hamas vê a morte de seus civis como uma vantagem; Israel vê a morte de seus civis como um desastre. Mísseis defensivos explodem para salvar civis em Israel; em Gaza, os civis são colocados em risco de morte para proteger mísseis ofensivos. 

 

O Hamas ganha por perder muitos do seu povo; Israel perde por perder poucos do seu próprio povo. O Hamas cava túneis de estilo pré-moderno; Israel usa alta tecnologia pós-moderna para detectá-los. 

 

Mísseis do Hamas geralmente revelam-se ineficazes; bombas e mísseis de Israel quase sempre acertam seus alvos. Oficiais israelenses tranquilos lideram na frente; os barulhentos líderes do Hamas escapam para a retaguarda. Incompetência ganha simpatia; perícia, desdém. 

 

Os ocidentais romantizam a causa do Hamas; os camaradas árabes do Golfo não. Os ocidentais críticos de Israel ainda estão dispostos a visitar Israel; simpatizantes do Hamas não desejam visitar Gaza. 

 

Democracia e mercados livres trazem aos ocidentais a liberdade, os direitos humanos e a prosperidade – mas muitos ocidentais desprezam essas coisas em Israel, aliando-se com aqueles que negam os direitos humanos, arruínam a economia e agem brutalmente contra as mulheres, os gays e os não-muçulmanos. Em Gaza, um repórter gay, um repórter do sexo feminino com os braços nus, um repórter com um pequeno crucifixo no pescoço, o raro jornalista que, cercado pelos gritos dos simpatizantes do Hamas, atreve-se a transmitir a verdade a partir de Gaza – em privado, todos eles admitiriam sentir medo quando estão em Gaza de uma maneira que não sentem quando estão em Israel.

 

Se mil árabes são mortos por semana por outros árabes na Síria e no Iraque – bombardeados, baleados, asfixiados por gás ou decapitados – o mundo ocidental cochila. Se 400 árabes são mortos em uma guerra de três semanas com Israel, o mundo de repente desperta para condenar os israelenses como assassinos. Aparentemente o Ocidente, de forma racista, assume que matar um ao outro é o que os árabes fazem melhor. Mas quando os israelenses matam aqueles que desejam matá-los, segue-se a indignação. 

 

Quando Israel ganha militarmente, ele parece perder politicamente. Quando o Hamas perde, parece ganhar. Um europeu pode gostar da ideia de ocidentais perderem para não-ocidentais, desde que não seja ele mesmo quem perde. 

 

Os europeus não protestaram muito quando Vladimir Putin retalhou a Georgia ou engoliu a Crimeia. 

 

Quando representantes dos russos abateram um avião de passageiros transportando vários europeus, a Europa em sua maior parte permaneceu tranquila. Não há protestos em Paris sobre a dividida cidade de Nicosia e a dura ocupação turca do Chipre, que já dura quatro décadas. Ninguém em Berlim contestou que a Rússia ocupa as ilhas Sakhalina ou que a China absorveu o Tibete. Os europeus assumem que um poderoso capaz de prejudicá-los pode fazer o que quiser. 

 

Há 70 anos, 13 milhões de pessoas de língua alemã perderam suas terras no leste e voltaram para a Alemanha; seus descendentes não são considerados refugiados. Ao mesmo tempo, centenas de milhares de palestinos fugiram para a Cisjordânia; seus descendentes são considerados refugiados perpétuos. Se os judeus, em vez de poloneses, estivessem vivendo agora em terras anteriormente prussianas na Polônia, a esta altura, dada a predominância do antissemitismo, estaria em pleno vigor um movimento "refugiado" alemão para ter de volta o seu solo sagrado.

 

Israel não tem censurado a administração Obama sobre a moralidade de matar dois mil e quinhentos suspeitos de terrorismo especialmente através de ataques aéreos que são juiz-júri-executor – pelo menos não na forma que a administração Obama dá sermões a Israel sobre a sua defesa menos letal contra a chuva de mísseis do Hamas contra Israel. A América pode explodir suspeitos de terrorismo que um dia poderiam ameaçar os americanos e que estão a milhares de quilômetros de distância; Israel não pode explodir terroristas conhecidos que estão matando israelenses agora. 

 

O que explica o inexplicável? 

 

A enfermidade ocidental.

 

O Hamas é merecedor de compaixão, enquanto al-Qaeda em sua maioria não é, em grande parte por causa da sensação de que o primeiro não pode fazer muito aos americanos, e este último pode fazer muito. Os ocidentais, especialmente os europeus, simpatizam com o azarão no Oriente Médio como uma espécie de autoflagelação, uma catarse para lidar com os seus próprios privilégios vazios. Os ocidentais pós-modernos culpam-se por sua riqueza e lazer, mas não a ponto de abandoná-los. Com esta quadratura do círculo de crítica o que eles estão projetando é sua auto-animus em Israel, um pequeno posto avançado ocidental bem sucedido cercado por outros que não são bem sucedidos. 

 

Covardia explica muito da condenação de Israel pelos europeus. Putin escapa do desprezo dispensado a Netanyahu, porque Netanyahu governa uma nação pequena e é previsivelmente razoável; Putin governa uma nação grande e é previsivelmente irracional. Desprezar Putin pode envolver algum risco; desprezar Netanyahu traz alívio psicológico. Se Israel fosse grande e Netanyahu demoníaco, e se a Rússia pequena e Putin ocidentalizado e razoável, então o nosso desprezo barato seria direcionado à Rússia e não a Israel. 

 

Não há nenhuma desvantagem cultural na defesa do Hamas. A fábula multicultural do Outro supera até mesmo a misoginia endêmica, homofobia e intolerância religiosa deste Outro em particular. Enxergar a nós mesmos em Israel e não gostar do que vemos supera o fato de que Israel é tolerante, transparente e livre. 

 

O antissemitismo ainda é importante. As crescentes multidões de pessoas do Oriente Médio na Europa estão agora canalizando os nazistas da década de 1930; eles cantam slogans que não eram ouvidos desde o Terceiro Reich. A Europa, onde o Holocausto foi gestado, não está indignada; aparentemente, de alguma forma doentia, os europeus estão conscientes de que os árabes dizem coisas em suas ruas que eles próprios não podem dizer, mas que eles podem cada vez mais desejar. A Europa dá de ombros quando toda Crimeia é engolida, mas fica enfurecida com patrulhas israelenses na Cisjordânia. 

 

Existe uma solução para esses múltiplos paradoxos? Para todas as hipocrisias do Ocidente e do Oriente Médio, a natureza humana permanece constante – oportunista, medrosa e instável. Se Israel explodir os túneis do Hamas, desmontar seus arsenais, destruir seus mísseis, devastar suas forças armadas e deixar o Hamas fraco e desacreditado, o mundo vai tranquilamente virar a sua atenção para longe em uma espécie de admiração relutante do sucesso de Israel, com a conclusão tácita de que o Hamas pode ter recebido o que pediu. E aqueles que ficaram entre os destroços que o Hamas trouxe sobre eles vão culpar o Hamas tanto quanto Israel por suas misérias – na tradição em que os perdedores culpam seus próprios ditadores, tanto quanto eles culpam os vencedores. 

 

Mas se Israel entrar em pânico, se retirar de Gaza sob um prematuro cessar-fogo com um Hamas ascendente, e como uma vítima curvar-se sob uma chuva de mísseis, os protestos só vão se intensificar e o mundo vai dar de ombros que Israel está sofrendo o que merece. Pelo menos até um certo ponto, o oportunismo, não a moralidade, orienta a opinião pública. 

 

Afirma-se que os 34 dias de Guerra do Líbano de 2006 foram uma derrota terrível para Israel. Talvez. Mas até agora o Hezbollah não utilizou o seu enorme arsenal de mísseis, numa época em que essa coordenação com o Hamas poderia manter todos em Israel no subsolo. Por quê? 

 

Apesar de todas as suas bazófias públicas, o Hezbollah se lembra em silêncio do dano de 2006, dos anos de reconstrução e dos custos, tanto humanos como materiais, que incorreu por sua assim chamada "vitória" – e a subsequente falta de simpatia mundial para o Hezbollah. O mundo pouco se importava com o pós-guerra do Hezbollah não devido a sua causa (que a comunidade global doente muitas vezes apoiava), mas por causa de sua imagem como um perdedor que tolamente desperdiçou seu capital para nada. Os mesmos alemães que voltaram-se contra Hitler após Stalingrado já haviam sido inspirados por ele depois da queda de Paris. Na enferma Europa da década de 1940, nem o Holocausto fez Hitler perder o apoio público; perder a guerra o fez.

 

No suposto mundo do perde-perde na guerra do Oriente Médio, Israel deve garantir que o Hamas, no entanto, perca muito mais do que o próprio Israel perde, não porque o mundo vai simpatizar publicamente com a causa do Estado judeu, mas porque, apesar de toda sua "bateção-no-peito" ideológica, um mundo amoral ainda gravita preferencialmente para o sucesso e se distancia do fracasso. 

 

Apenas se Israel terminar seu progressivo desmantelamento do Hamas ocorrerá o fim da guerra atual. Em seis meses, muito tempo depois de MSNBC e CNN terem ido para suas próximas histórias psicodramáticas, muito tempo depois de John Kerry se mudar para sua próxima missão do Prêmio Nobel, aqueles em Gaza que agora gritam para as câmeras incentivando seus líderes a matar os judeus concordarão silenciosamente em não tentar uma outra guerra tão custosa com Israel – e esse fato, e só esse fato, vai levar a uma espécie de paz, pelo menos por um tempo.

 

Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 



 
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COMENTÁRIOS
20/08/2014
(Wagner)

O Autor não está falando nenhuma mentira nessa matéria.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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