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O dilema da América no Oriente Médio
25/06/2014 - Victor Davis Hanson
Os americanos podem se culpar uns aos outros pela selvageria no Iraque e prometer deixar o Oriente Médio ser o Oriente Médio em paz - pelo menos até o próximo ataque terrorista contra os EUA.
Dois anos e meio atrás, os EUA retiraram cada um dos seus soldados de um Iraque em grande parte tranquilo. No vazio assim criado, terroristas anteriormente ligados a al-Qaeda e que se autodenominam "O Estado Islâmico do Iraque e da Síria" estão agora despedaçando o país, deixando um rastro de selvageria medieval.
 
Partidários de Obama estão culpando o governo Bush por ter ido ao Iraque em primeiro lugar. Mas os críticos rebatem que Obama queria sair do Iraque antes da eleição de 2012 a qualquer preço. O resultado dessa retirada imprudente é que jogamos fora o trabalho duro de 2007-08 quando finalmente quebramos tanto a al-Qaeda quanto os terroristas xiitas apoiados pelos iranianos.
 
Quase todas as falhas são de Nouri al-Maliki, o ingrato primeiro-ministro xiita do Iraque, que seguidamente atrapalhou os benfeitores americanos que libertaram seu país do regime genocida de Saddam Hussein. Maliki sabotou todos os esforços para unir xiitas e sunitas. Agora, ele está desesperado por ajuda americana para salvar seu couro cabeludo. O Irã pode acabar intervindo, com o Iraque se dividindo em estados curdo, xiita e sunita em guerra.
 
O presidente Barack Obama anunciou que vai retirar todas as tropas do Afeganistão em 2016. Mas o Afeganistão é ainda menos estável agora do que o Iraque era quando saímos de lá. Podemos supor que Cabul será semelhante quando o último americano tiver partido.
 
A maioria acredita que a Líbia está agora em pior situação após o regime de Muarmar Kadafi ser bombardeado pelos EUA e Europa, levando a sua remoção e posterior luta sectária. Os EUA estavam relutantes sobre enviar tropas abertamente para restaurar a ordem. O subsequente aumento de terroristas da Al-Qaeda levou à destruição do consulado americano em Benghazi e a morte de nosso embaixador e outros três americanos.
 
Afiliados da al-Qaeda lentamente controlaram a resistência ao regime bárbaro do presidente sírio, Bashar Assad. A Síria é agora uma terra selvagem como a Líbia – e talvez em breve a maior parte do Oriente Médio. Obama ameaçou intervir, emitido ameaças sobre uma linha vermelha, recuou, e então para salvar a própria face pediu ajuda ao presidente russo Vladimir Putin.
 
Há um ponto comum às recorrentes confusões no Oriente Médio. Invadir países como o Afeganistão e o Iraque para derrubar tiranos antiamericanos genocidas não resulta em vantagens a longo prazo, a menos que ocorram anos de ocupação americana pós-guerra – o que é caro e profundamente impopular com os eleitores.
 
Deixar facções do Oriente Médio matar umas as outras – e matar dezenas de milhares de inocentes em seu caminho – representa um desastre humanitário e pode levar ao tipo de terra sem lei caótica que permitiu a Osama bin Laden e seus bandidos planejar ataques contra os EUA.
 
Apenas bombardear e ir embora nem sempre é o melhor. A Líbia caótica é agora pior do que sob Kadafi.
 
Seja qual for a má escolha que a administração Obama preferir, ela deve ser pelo menos no nível do povo americano. Cada ocupação do pós-guerra em nossa história tem lidado com aliados insatisfeitos e instáveis como Maliki – desde os difíceis homens-fortes sul-coreanos de 1950 e 1960 até Hamid Karzai no Afeganistão. Cair fora de um Iraque em grande parte tranquilo apenas porque tivemos que trabalhar com personagens desagradáveis não faz sentido.
 
"Maquiar" o Oriente Médio ou a Guerra ao Terror também não leva a nada. A administração pode criar mitologias sobre a história islâmica, como no infeliz discurso de Obama no Cairo. Ela pode curvar-se a sheiks, usar a NASA para alcançar os muçulmanos, enfatizar as raízes muçulmanas da família do pai de Obama, inventar eufemismos para a guerra contra o Islã radical, e classificar de "em grande parte secular" a Irmandade Muçulmana.
 
O resultado ainda será que as facções do Oriente Médio nos odeiam. As pesquisas revelam que Obama é tão impopular no Oriente Médio como George W. Bush era.
 
O Oriente Médio é o Oriente Médio não porque os Estados Unidos intervém ou não intervém, ou estende a mão ou fica de fora, ou importa petróleo ou corta suas importações. 
 
Em vez disso, a violência do Oriente Médio e instabilidade são caseiros. Elas são o resultado de uma mistura complexa de tribalismo, fundamentalismo religioso e intolerância, apartheid sexual, antissemitismo, autoritarismo e estatismo – tudo agravado por enormes receitas do petróleo e sua localização estratégica chave.
 
Os americanos têm uma escolha. Eles podem aprender a manter-se afastados desses atoleiros e aceitar que centenas de milhares frequentemente morrem no Oriente Médio – e, ocasionalmente, alguns norte-americanos também. Ou, se nos cansamos de ver a violência e intervirmos após um ataque como o 11 de Setembro, devemos nos preparar para uma confusão sangrenta que vai levar a anos de ocupação impopular.
 
Então, por agora, vamos culpar uns aos outros pela selvageria que se seguiu e prometer deixar o Oriente Médio ser o Oriente Médio – pelo menos até a próxima vez que os terroristas islâmicos trucidarem nossos diplomatas, explodirem uma embaixada, derrubarem um avião, ou derrubem um arranha-céu de Nova Iorque.
 
 
Publicado originalmente no National Review Online
 
 
Também disponível no site do autor

 

Tradução: Maria Júlia Ferraz

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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