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Página virada em Honduras
- Redacao Midia@Mais
Zelaya é uma página virada da história política hondurenha, embora não o seja ainda para a diplo(MÁ)cia brasileira. Os hondurenhos estão levando a cabo um amplo processo de transição constitucional, tendo realizado eleições reconhecidas por todos os países sensatos como limpas e transparentes.

Zelaya é uma página virada da história política hondurenha, embora não o seja ainda para a diplo(MÁ)cia brasileira. Os hondurenhos estão levando a cabo um amplo processo de transição constitucional, tendo realizado eleições reconhecidas por todos os países sensatos como limpas e transparentes.

O Brasil, por seu lado, insiste em uma posição anacrônica, que mais o isola do que o aproxima dos governos verdadeiramente democráticos. Com sua insistência no não-reconhecimento, só granjeia apoio dos bolivarianos, ou seja, dos socialistas totalitários. Devemos, portanto, nos perguntar pela insistência em tais posições. Façamos, porém, um breve retrospecto do que aconteceu naquele país.

Zelaya foi apeado do poder por uma decisão conjunta da Suprema Corte e do Congresso Nacional. A Constituição daquele país prevê a deposição sumária do presidente no caso dele violar cláusulas pétreas, como a da não-reeleição. Apoiado em sua suposta popularidade – que não se revelou depois –, o então presidente procurou suscitar uma Assembléia Constituinte, que lhe viabilizaria permanecer no Poder. Utilizou de todos os subterfúgios, inclusive cédulas de voto enviadas pelo ditador-presidente venezuelano Hugo Chávez. Sua opção totalitária, bolivariana, se fez cada vez mais manifesta, levando-o a se distanciar de seus colegas e, o que é mais grave, das instituições republicanas.
 
Convém aqui ressaltar que todos os trâmites constitucionais de sua deposição foram seguidos, tendo havido o envolvimento direto do Ministério Público, da Suprema Corte e do Congresso Nacional. A maioria dos formadores de opinião do Brasil simplesmente omitiu – com evidente má-fé – esse fato, fazendo o jogo não da verdade, mas da causa socialista totalitária. Tornaram-se meras correias de transmissão. Pode-se gostar ou não da forma burlesca utilizada para destituir Zelaya do Poder, saindo de pijamas para o exílio;  não se pode, porém, desconhecer os trâmites constitucionais que foram seguidos.
 
O processo político em Honduras era o de uma subversão da democracia por meios democráticos. Um presidente eleito convoca uma Constituinte, aparentando seguir os rituais e as finalidades mesmas da democracia. O ritual é seguido na medida em que eleições para uma Assembléia Constituinte são convocadas. Esconde-se, já aqui, o fato de que uma reeleição presidencial está expressamente proibida.
 
Ato seguinte a esse desrespeito, continua o processo de desmontagem republicana, com as instituições não sendo mais respeitadas, no caso, o Ministério Público, a Suprema Corte e o Congresso Nacional. As finalidades da democracia, baseadas na liberdade, começam a ser progressivamente solapadas. Para se ter o filme inteiro, basta observar o processo liberticida em curso na Venezuela e na Bolívia.
 
O que os ministros do Supremo, os parlamentares, os promotores e os militares viram, foi o filme inteiro, tomando medidas para que ele não se completasse. Agiram constitucionalmente para preservar as instituições democráticas. Ora, os que reagiram a essas medidas são aqueles que procuram preservar um ritual sem atentar para suas condições. Para alguns, tratava-se, de fato, de uma ignorância do processo bolivariano de subversão da democracia por meios democráticos. Para outros, tratava-se, com conhecimento de causa, de levar adiante esse processo, tendo como alvo instaurar uma sociedade socialista totalitária. O Brasil se situa entre esses últimos.
 
A diplo(MÁ)cia brasileira em Honduras é um exemplo claro de como questões internas se refletem em externas. O PT jamais fez uma revisão doutrinária de seus pressupostos socialistas, seguindo a linha dos antigos partidos comunistas do século 20, embora não tenha conservado esse nome. As genuflexões dos dirigentes petistas a Fidel Castro são expressões dessa mesma postura. Cuba ainda permanece, para eles, um modelo a ser imitado.
 
Como fracassaram, no passado, em implantar um regime comunista no Brasil pela força das armas, adotaram um outro modelo, o de apoderar-se dos meios de Estado e o de utilizar meios democráticos para a implantação de uma sociedade não democrática. Os elogios à "democracia" da Venezuela sob a batuta de Chávez se inscrevem nessa mesma linha antidemocrática, no mais absoluto desrespeito às condições de liberdade que viabilizam a própria democracia. Em outras palavras, adotam rituais e modelos liberticidas para suprimir a democracia em seu próprio nome.
 
O governo Lula, na política macroeconômica, seguiu, em linhas gerais, a política do governo anterior. Durante a gestão de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda, poderíamos mesmo dizer que assumiu uma postura "neoliberal", ao arrepio mesmo das posições doutrinárias do partido. O presidente foi, neste sentido, pragmático, pensando mais na própria sobrevivência e em sua popularidade. O PT chiou; porém, a esse respeito, se acomodou.
 
A política externa, no entanto, continuou petista, de acordo com as posições doutrinárias do passado. É praticamente unânime esse acordo partidário, traduzindo-se, mesmo, pela adoção de posições subalternas em relação à política chavista, como é o caso de Honduras. A diplomacia brasileira deixou de ser uma política de Estado para tornar-se uma política governamental/partidária. O Brasil tornou-se um mero coadjuvante da Venezuela em Honduras, com a sede diplomática tornando-se um quartel general de declarações insurrecionais que caíram no vazio.
 
O fracasso de Zelaya é, na verdade, um fracasso fortemente ressentido, tanto no PT quanto no governo. A insistência da diplo(MÁ)cia no não-reconhecimento das eleições é uma amostra eloquente de quão pesado foi o golpe interno no partido. Em Honduras, pela primeira vez nos últimos anos, o projeto totalitário de subversão da democracia por meios democráticos sofreu um fracasso retumbante. A página virada deste país caribenho mostra que também uma página deveria ser virada na doutrina petista. As resistências são, porém, enormes.

Publicado pelo Diário do Comércio em 27/12/2009

 



 
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COMENTÁRIOS
02/01/2010
(Flavio)

Só não entendi por que o sr. não menciona o Foro de São Paulo que é a organização que delineia as ações destes partidos marxistas no continente. Honduras é um exemplo de força e coragem,um pequeno pais que deve servir de exemplo para os paises do continente. abraço.
 
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