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A China está copiando o antigo Japão imperial
04/02/2014 - Victor Davis Hanson
A China acredita que finalmente é hora de fazer seus militares refletirem seu enorme poder econômico.

Na década de 1920, o Japão começou a traduzir seu crescente poder econômico – depois de um prévio curso intensivo de 50 anos no capitalismo ocidental e industrialização – em potência militar formidável. 

 

No início, poucos de seus possíveis rivais pareciam se importar. A América e colonos europeus condescendentes não chegaram a acreditar que qualquer potência asiática poderia ousar ameaçar seus próprios interesses no Pacífico. 

 

O Japão tinha sido um aliado britânico e um parceiro das democracias na Primeira Guerra Mundial. A maioria do seus talentos de engenharia fora treinado na Grã-Bretanha e França. O Ocidente chegou a declarar ser o Japão uma das "cinco grandes" potências econômicas mundiais que compartilhavam interesses comuns nas áreas de paz, prosperidade e segurança global.

 

Reformas parlamentares ocasionais tinham convencido muitos no Ocidente que o crescente padrão de vida japonês acabaria por garantir liberalidade cultural e política. 

 

Isso foi um sonho reconfortante, já que na década de 1930 os americanos estavam desiludidos sobre o custo da sua recente intervenção na Grande Guerra na Europa. Eles estavam cansados de envolvimento no exterior e só queriam um retorno à normalidade. Uma terrível depressão em casa que durou uma década só aumentou o desejo popular americano pelo isolamento de problemas do mundo.

 

Os americanos simpatizavam com as preocupações de segurança da China – mas não o suficiente para fazer muito mais do que ameaçar os governos militares japoneses com sermões arrogantes sobre fair play e o direito internacional, e ameaçar impor embargos incapacitantes. 

 

O Japão ignorou tal hipocrisia. Em vez disso, ele discursou a seus vizinhos asiáticos sobre os males do colonialismo ocidental e a necessidade de que eles se unissem sob a tutela do próprio Japão, para reafirmar a influência asiática na política mundial.

 

A Liga das Nações não fez nada quando o Japão começou a colonizar a Manchúria, em 1931. Os ocidentais pareciam mais impressionados com o ritmo alucinante do progresso econômico japonês e sua crescente influência armada do que determinados a acabar com a agressão japonesa. 

 

Em 1941, poucos americanos estavam cientes de que a Marinha Imperial Japonesa tinha quase que magicamente se tornado mais poderosa do que a frota do Pacífico dos Estados Unidos em cada categoria de navios de guerra, porta-aviões, cruzadores, destróieres e submarinos. A ideia de que o Japão estava à espera de um momento oportuno para explorar a fraqueza norte-americana, numa época em que a Europa estava convulsionada pela guerra, teria parecido absurda para a maioria dos norte-americanos.

 

O deslocamento americano em 1940 da Frota do Pacífico de seu porto de origem em San Diego para uma Pearl Harbor expostadeveria deter o Japão. Mas os japoneses interpretaram a flexão de músculos como fanfarronice vazia, não mais do que um simbolismo temerário.

 

Em seguida ocorreu o ataque a Pearl Harbor.

 

Substitua o Japão imperial pela China comunista, e a mesma coisa está ocorrendo no Pacífico. A China acredita que finalmente é hora de fazer seus militares refletirem seu enorme poder econômico. 

 

As forças armadas chinesas estão crescendo, enquanto as da América estão encolhendo. A China não gosta de visitantes americanos falastrões – mais recentemente, o vice-presidente Joe Biden – lhes dando lições sobre direitos humanos, especialmente quando o poder americano, militar e econômico, parece estar diminuindo.

 

Se os japoneses da década de 1930 falavam da decadência ocidental e frivolidade americana, também os chineses sentem agora que a influência global dos Estados Unidos não é digna da atual geração de americanos que gozam um elevado nível de vída proporcionado por 17 trilhões de dólares em dinheiro emprestado, muito dele da China.

 

A China também sente o crescente  isolacionismo americano, ouve as conversas sobre os EUA reduzindo seu arsenal nuclear, e percebe o novo hábito da América de se distanciar de seus aliados. 

 

Os americanos falaram duro em relação ao Iraque, Irã, Afeganistão, Líbia e Síria. Mas a China, atenta a retórica vazia, observou que nós abandonamos o Iraque após uma onda de sucesso, que estamos esgotados no Afeganistão, que fomos humilhados por Bashar Assad na Síria e que aparentemente fomos "pagos" com Benghazi [*] depois de remover Muammar Kadafi na Líbia. A China está certa de que o que a América diz e o que a América faz são coisas diferentes.

 

Mais importante, os chineses também parecem odiar os japoneses, da mesma forma que os segundos aparentemente desprezaram os primeiros em 1930. A China ressente-se do Japão pela inegável falta de arrependimento pelos cerca de 15 milhões de chineses mortos pela agressão japonesa na Segunda Guerra Mundial. Os chineses também sentem que o Japão é um poder do passado, com o envelhecimento e declínio demográficos; problemas energéticos; uma economia deflacionária lenta, e cada vez mais sem seu patrono americano uma vez onipresente ao seu lado. 

 

A China aceita que a ONU, como a antiga Liga das Nações, é inútil para resolver as tensões globais, e prefere que seja assim. 

 

Adicione a tudo o fato de a China estar tão confiante no futuro como o Japão estava na década de 1930. E tão ansiosa para ensinar uma lição ao Japão, como o Japão foi uma vez em relação a China. 

 

A América mais uma vez parece confusa com essas mudanças radicais no Pacífico. Isto é, até que alguém na região tente algo estúpido– mais uma vez.

 

Publicado originalmente no Tribune Media
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz

 

[*] Nota tradutora: o autor se refere ao episódio do ataque à embaixada americana em Benghasi, quando quatro militares e o embaixador americano foram mortos por terroristas islâmicos, mesmo após os americanos terem contribuído de maneira decisiva para a derrubada do ditador Kadafi, inimigo dos rebeldes islãmicos.

 

 



 
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