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> EUA e Geopolítica
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A morte do populismo
07/08/2013 - Victor Davis Hanson
Ocupe Wall Street de um lado, Tea Party do outro. Direita e esquerda em luta. E quem se preocupa com a classe média americana, pressionada por impostos e perda de poder aquisitivo?

Os “ocupem-Wall Street” alegaram que eram populistas. Seus opostos ideológicos, os Tea Party, disseram que eles também eram. Ambos se tornaram polarizadores. E até agora o populismo, seja à direita ou à esquerda, não parece ter feito incursões ao tradicional establishment Republicano e Democrata.

 

A gasolina subiu cerca de dois dólares por galão desde que Barack Obama tomou posse. Dadas as taxas médias anuais de consumo nacional, somente esse aumento se traduz em um extra de um trilhão de dólares que os motoristas americanos pagaram coletivamente em custos de combustível ao longo dos últimos 54 meses.

 

Tal peso esmagador sobre a classe viajante sem dinheiro raramente é citado pela fixação esquerdista em cap-and-trade [1], vento e subsídios solares, e os supostos perigos do fracking [2].

 

Quando o presidente reduziu o número de novos contratos de locação de gás e petróleo em terras federais ao longo do tempo, ou advertiu que "sob o meu plano de um sistema de cap-and-trade, as tarifas de eletricidade necessariamente iriam disparar", ele estava apelando para a sua base de boutique – não para aqueles que mal conseguem pagar as contas mensais de aquecimento e arrefecimento.

 

Não deve haver uma abertura para uma resposta populista conservadora?

 

Infelizmente, os conservadores pró-perfuração soam mais como porta-vozes de empresas de petróleo do que desinteressados campeões dos motoristas carentes.

 

A dívida estudantil total está próxima de um trilhão de dólares. Isso é um fardo insustentável para recém-formados com menos de 25 anos enfrentando uma taxa de desemprego entre os jovens de mais de 20 por cento. No entanto, os ricos estão mais interessados em assegurar que os seus filhos entrem em elegantes faculdades de marca do que se preocupar sobre como pagar por isso – um fato bem conhecido de nossas universidades é a manipulação de preços.

 

Na outra ponta, bolsas de estudo e dispensas baseadas em origem étnica fizeram a faculdade mais acessível para os pobres do que para as classes médias. Os pais dos últimos fizeram o suficiente para ser desqualificados de mais ajuda do governo, mas não o suficiente para pagar a crescente taxa de matrícula.

 

Universidades de alto nível presumem que sempre haverá mais renda dos pobres subsidiados e dos ricos. Mais uma vez, os estudantes de classe média são apanhados num riacho sem os remos de pais ricos ou de um governo generoso.

 

Há também um argumento populista a ser feito contra a lei agrícola. Há mais de 48 milhões de americanos no vale-refeição, um aumento de cerca de 12 milhões desde o início da presidência de Obama.

 

Em um momento de preços recordes de culturas, o governo dos EUA ainda ajuda os agricultores abastados com cerca de US$ 20 bilhões em pagamentos de culturas anuais e subsídios indiretos.

 

A Esquerda mitifica os destinatários do vale-refeição quase como se todos eles fossem os Cratchits na Inglaterra de Dickens. [3]

 

A Direita romantiza a agricultura empresarial, como se os produtores fossem agricultores familiares que necessitam de um pouco de impulso para passar por mais uma safra difícil.

 

Àqueles entre eles que pagam imposto de renda federal e não estão no vale-alimentação, falta a empatia dos pobres e a influência do rico. Um político não pode dizer isso?

 

A imigração ilegal também não é uma questão Esquerda vs Direita ou Republicanos vs Democratas, mas principalmente uma questão de classe.

 

O afluxo de milhões de imigrantes ilegais tem assegurado o acesso de mão de obra barata à América corporativa, oferecendo um público cada vez maior para as elites políticas e acadêmicas.

 

No entanto, o poder aquisitivo dos trabalhadores americanos mais pobres – especialmente os afro-americanos e latino-americanos – estagnou.

 

O elo comum entre as agendas de ativistas La Raza [4] e do mundo corporativo é, aparentemente, uma relativa falta de preocupação com o bem-estar dos trabalhadores de nível de entrada [5], muitos deles em cidades do interior americano, que estão competindo contra milhões de trabalhadores ilegais.

 

Dado o lento crescimento, o alto desemprego e as políticas do Federal Reserve, o interesse sobre cadernetas de poupança tem desaparecido.

 

Os pobres não são tão afetados. Eles são mais frequentemente devedores do que credores e beneficiam-se de algum alívio da dívida federal subsidiada.

 

Os ricos têm o capital e as conexões para encontrar investimentos mais rentáveis no mercado imobiliário ou o mercado de ações que os tornam imunes às insatisfatórias e triviais contas de poupança.

 

Em outras palavras, a política de perder dinheiro deste governo tem sido boa para endividados e ainda melhor para os ricos com ações. Mas é absolutamente péssima para a classe média e para os aposentados carentes, com poucos dólares em conservadoras contas de caderneta de poupança.

 

O rescaldo da crise financeira de 2008 seguiu o mesmo script. A crise surgiu de uma estranha cumplicidade entre empréstimos para tomadores não-qualificados e enormes lucros para Wall Street. Sua solução foi o contribuinte humilde não pagar dívidas antigas, e oferecer socorro para o último.

 

As pesquisas mostram que os números de aprovação do presidente estão em queda. O Congresso dificilmente pode se tornar mais impopular. Talvez uma das razões é que nem parece se importar muito com aqueles que não são ricos e nem pobres.

 

A América tem abundância de líderes comunitários e agitadores, e lisos lobistas corporativos, mas os políticos populistas desapareceram há muito tempo.

 

 

Publicado originalmente no National Review Online
 
Também disponível no site do autor
 
 
Tradução: Maria Júlia Ferraz
 
 
Notas da tradutora:
 
 
[1] Mecanismo comercial que cria limites para emissão de carbono.
 
[2] Sistema de extração hidráulico de gás natural.
 
[3] Referência a um personagem do romance Conto de Natal, de Charles Dickens, simbolizando o trabalhador que enfrenta precárias condições de subsistência.
 
[4] Militantes latino-americanos supremacistas.
 
[5] Trabalhadores sem qualificação ou recém-chegados ao mercado de trabalho.
 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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