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Explicando a complexidade do golpe de estado no Egito
18/07/2013 - Daniel Pipes
A remoção do presidente do Egito do poder abre uma série de perguntas sobre os rumos de um país chave para os conflitos do Oriente Médio.

Acontecimentos no Egito esta semana estimularam muitas respostas. Aqui estão 13 respostas (complementando meu artigo sugerindo que Morsi foi removido do poder cedo demais, deixando de desacreditar o Islamismo o tanto quanto ele poderia).

 

Era Morsi o presidente eleito democraticamente do Egito?

 

Todas as “declarações” na imprensa afirmam que sim, mas isto está errado. Eu fui coautor de três artigos sobre este tópico com Cynthia Farahat, observando o primeiro round das eleições parlamentares (“Egypt’s Sham Election”) [1], o segundo round (“Don’t Ignore Electoral fraud in Egypt”)[2] e as eleições presidenciais (“Egypt’s Real Ruler: Mohamed Tantawi”) [3]. Nestes artigos, nós documentamos a manipulação extensiva nas eleições de 2011 e 2012, sobre as quais nós vimos “uma armação pela liderança militar para permanecer no poder”. Eu continuo estupefato com o porquê destas eleições, com seus resultados risíveis, continuam a ser apresentadas como legitimamente democráticas. Que elas não tenham sido afeta a questão inteira sobre os militares derrubando um líder legítimo.

 

Morsi nunca esteve no comando

 

Obviamente ele não controlava os militares, mas ele também não controlava a política, os serviços de inteligência, o judiciário ou até a Guarda Presidencial designada para protegê-lo. Como uma reportagem do Cairo disse, “como um sinal do quão pouco o Sr. Morsi conseguia controlar a burocracia herdada de Mubarak, os oficiais da Guarda Presidencial ... explodiram em celebração, agitando bandeiras no telhado do palácio”. Em outras palavras, Morsi sempre sentou em seu escritório sendo aturado pelo estado intrincado, as mesmas agências que planejaram e executaram sua eleição em junho de 2012. 

 

Existem apenas dois poderes, os militares e os islamistas

 

Esta triste verdade tem sido confirmada repetidamente nos últimos dois anos e meio de revoltas árabes e agora foi confirmada novamente no Egito. Os liberais, os seculares e os esquerdistas não contam quando as cartas estão na mesa. Seu maior desafio é se tornarem politicamente relevantes.

 

1952, 2011, 2013

 

Os militares egípcios derrubaram, pela terceira vez em tempos modernos, líderes estabelecidos – um rei, um antigo general da força aérea e um integrante da Irmandade Muçulmana. Nenhuma outra instituição no Egito goza de seus poderes. Tanto em 2011 quanto agora, os manifestantes nas ruas parabenizaram-se por deporem o presidente, mas se os militares tivessem se posicionado com estes presidentes e não com os manifestantes, estes ainda estariam em seus cargos.

 

Militares Ltda.

 

O corpo de oficiais militares tem um vasto e nem um pouco saudável controle das economias do país. Esse interesse transcende todo o resto; os oficiais podem discordam em outros assuntos, mas eles concordam da necessidade de passar esses privilégios intactos para seus filhos. Consequentemente, este materialismo significa que eles irão negociar e se comprometer com qualquer um que garanta seus privilégios, assim como Morsi fez há um ano (adicionando novos benefícios).

 

Liderando por trás das cortinas

 

O ano e meio de governo militar direto por Mohamed al-Tantawi e o Supremo Conselho das Forças Armadas de fevereiro de 2011 a agosto de 2012 foi deplorável; isto presumidamente explica por que o Gen. Abdul-Fattah al-Sisi imediatamente entregou o governo para um civil.

 

Os Golpes de Estado mudaram

 

Na noite de 22 de julho de 1952, o Col. Gamal Abdul Nasser disse a Anwar el-Sadat que viesse de Sinai ao Cairo. Mas Sadat assistiu a um filme com sua família e quase perdeu a deposição da monarquia. Esta anedota aponta para duas grandes mudanças: primeiro, estes golpes são agora parte de uma catarse nacional, em oposição ao esforço furtivo e obscuro de antes; segundo, agora é a cúpula na hierarquia dos militares que remove os líderes de estado, e não oficias juniores “esquentadinhos”. Em outras palavras, o Egito em 2011 entrou na mais sofisticada arena de golpes de estado no estilo turco, onde três de quatro foram realizados por líderes militares e não por oficiais de baixa patente.   

 

O fascismo dos militares

 

Hillel Frisch percebeu que a referência de Sisi “a vontade do povo”, quando o povo está claramente amplamente divido, aponta para a sua e do Supremo Conselho das Forças Armadas inerente visão ditatorial. Verdade, e não há nada novo aqui; desde 1952, militares comandaram o Egito com este tipo de orgulho antidemocrático.

 

Analogia à Argélia

 

O exército argelino interveio no processo político em 1992, no momento em que os islamistas aparentavam estar em vias de vencer as eleições; isto oferece uma comparação à atual situação no Egito e apresenta uma perspectiva de anos de insurreição civil. Mas a analogia não é útil porque a Argélia não experimentou nada parecido com a oposição massiva à liderança da Irmandade Muçulmana no Egito. Seria surpreendente se os Islamistas no Egito recorressem à violência após suas experiências anteriores com esta tática e após terem visto o vasto número de seus oponentes comprometidos nos confrontos.

 

Está Sisi ligado aos Salafis?

 

Foi surpreendente que Sisi tenha convidado Galal Morra para o seleto grupo presente em sua declaração de que Morsi havia sido removido do cargo e ainda mais impressionante porque o plano de ação de Sisi corresponde às próprias ideias de Salafi. Em particular, ele não apontou um esquerdista como Mohamed ElBaradei como chefe de governo interino nem eliminou a existente constituição islamista, mas apenas a suspendeu.

 

Adli Mansour um mero fantoche?

 

É aí que está a aposta certa. Mas disseram o mesmo sobre Anwar al-Sadat após a morte repentina de Gamal Abdul Nasser em 1970, apenas para ser provado o contrário. Mansour poderia muito bem ser provisório, mas está muito cedo para saber, especialmente devido a seu quase anonimato.

 

Anne W. Patterson, “hayzaboon”

 

A Embaixatriz americana no Egito tem sido uma desgraça, aliando-se à Irmandade Muçulmana. Sendo o objeto de desprezo nas ruas do Cairo e ser chamada de velha bruxa tem sido sua não desmerecida recompensa pela traição dos princípios americanos.

 

Irá a Arábia Saudita financiar o Egito?

 

David P. Goldman nota o medo que a Monarquia Saudita tem da Irmandade Muçulmana como um rival republicano ao seu poder e seu grande alívio com a expulsão de Morsi. Ele levanta o prospecto de que Riyadh, com reservas de $630 bilhões de dólares, poderia sem muito esforço prover os aproximadamente $10 bilhões de dólares necessários para evitar que os egípcios passem fome. Esta é provavelmente a única solução em vista para a população faminta do Egito. Mas irá a gerontocracia abrir sua bolsa?

 

Publicado originalmente na National Review Online. Também disponível no site do autor.

 

Tradução: Roberto Ferraracio

 

 



[1] N.T. Tradução sugerida “O engodo eleitoral no Egito”

[2] N.T. Tradução sugerida “Não ignore a fraude eleitoral no Egito”

[3] N.T. Tradução sugerida “O Verdadeiro Poder no Egito: Mohamed Tantawi”

 

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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