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Entrevista M@M - Marco Antonio Villa
26/06/2013 - Redacao Midia@Mais
Professor Marco Antonio Villa analisa os recentes protestos de rua ocorridos no Brasil, e suas implicações.

M@M - A onda de protestos parece marcada por contradições: os líderes do MPL, que ora são recebidos como chefes de Estado pelas autoridades, ora declaram não ter comando sobre o movimento; as reivindicações dos manifestantes, contrárias muitas vezes entre si (marchando juntos quem é contra e quem é a favor à redução da maioridade penal, por exemplo); e o discurso dominante: de um lado um objetivo claro e facilmente identificável (a redução das tarifas), de outro a desculpa genérica de que a motivação do que ocorre “não são os 0,20”. É possível tirar um denominador comum de tal movimento?

 

Marco Villa - O MPL não lidera nada. O que é bom. Esteve sempre vinculado aos interesses petistas (não sendo, necessariamente, organicamente do PT). Se, inicialmente, a tarefa do MPL era o desgaste de Alckmin, o jogo mudou rapidamente e o tiro saiu pela culatra. Deve ser lembrado que nas outras capitais o eixo de luta sempre esteve muito mais vinculado às questões (na falta de uma melhor expressão) estruturais.

 

M@M - O brasileiro sabe fazer “mobilização popular”? Até onde pode chegar um movimento de reclamações difusas, sem agenda definida, em ano sem eleição e que, como já foi dito, apresenta reivindicações conflitantes dependendo do ponto de vista?

 

MV -  Não se sabe. É uma espécie de mobilização jabuticaba, que só ocorreu no Brasil. Não tem partido puxando, se espalhou rapidamente pelo país, tem um tom anti-partido mas não anti-político. Pode se esvaziar mas até o final da Copa das Confederações deve ter ainda muita força. Mas acabou aquela história que ninguém vai para a rua.

 

M@M - Como o senhor analisa o papel da polícia? Existe um ponto de equilíbrio entre ser acusada de “abuso” e simplesmente deixar que meia dúzia de destemperados pratique crimes livremente?

 

MV: É chique, no Brasil, ter uma espécie de sedução pela marginalidade. O discurso anti-polícia é uma constante. A existência de uma polícia é fundamental para o bom funcionamento do Estado Democrático de Direito. A questão é como agir com energia dentro das normas legais. Não é fácil, reconheço. Mas as ações de dispersão quando estão em jogo a liberdade de ir e vir, ou a defesa do patrimônio (público ou privado) sempre vai ocorrer pelo uso da força (como em qualquer país democrático).

 

M@M - Pensando em termos históricos, o senhor consegue apontar exemplos onde a polícia demonstrou ser possível manter a ordem sem usar de algum tipo de resposta violenta? É possível, enfim, impedir que alguém deprede uma estação de metrô, por exemplo, sem lançar mão de balas de borracha ou bombas de gás?

 

MV - Não. Mas a polícia também tem de ser treinada para efetuar estas tarefas com o menor custo possível. O uso de balas de borracha, por exemplo, só deve ser feito em última circunstância.

 

M@M - A respeito dos conceitos de liberdade e cidadania: embora seja compreensível que uma parcela da população saia às ruas demonstrando descontentamento e, por consequência, paralise atividades essenciais e bloqueie trajetos, como assegurar o direito do restante dessa mesma população, muitas vezes impedida à força de se deslocar, de trabalhar ou de manter seu comércio (garantia de sua sobrevivência) aberto?

 

MV -  É um desafio, concordo. Temos de garantir ambos direitos constitucionais: o de ir e vir e o de manifestação. Democracia é assim mesmo, é o regime marcado pela tensão. Ordem absoluta só em ditadura. O cemitério é silencioso mas todos, lá, estão mortos. Sinceramente, o "custo" da manifestação é muito baixo frente à destruição realizada no país, por exemplo, pela corrupção.

 

M@M - O senhor enxerga legitimidade e espontaneidade no movimento e nas manifestações pelo país, ou é possível apontar algum tipo de orquestração visando a interesses eleitoreiros ou partidários?

 

MV -  Hoje a  tentativa de manipulação foi para o espaço. Mas, inicialmente, o PT queria usar estas manifestações para enfraquecer seus adversários. Deu errado. Ótimo para o país, para a democracia.

 

M@M - Como o senhor analisa o papel da imprensa e a relação entre os jornalistas e órgãos de comunicação com os manifestantes? Um exemplo: o repórter Caco Barcellos, que tem uma carreira bastante identificada com a agenda política da esquerda, ser impedido de trabalhar pelos manifestantes, correndo o risco inclusive de ser agredido?

 

MV -  Ocorreram diversas manifestações fascistas de ataque à imprensa, aos jornalistas, veículos, etc. São pequenos grupos ultra-esquerdistas que agiram desta forma. O PT gostou, claro. Mas não creio que tenham liderado estes atos.

 

M@M - Enfim, o novo “milagre brasileiro” da era lulista-dilmista acabou? Qual o próximo capítulo pelo qual podemos esperar?

 

MV: O encanto acabou. Hoje, depois de duas semanas de manifestações, o Brasil está melhor. Foi dado um claro recado. Dilma ficou perdidinha. A fala de sexta foi ridícula. Ela perdeu o pouco de liderança que tinha. Saiu muito enfraquecida. Hoje, é muito provável que Lula seja o candidato em 2014. Volto a dizer: o Brasil mudou. As ruas deram um recado: ninguém aguenta mais tanta corrupção, ver os mensaleiros condenados soltos, um sistema de saúde pavoroso, uma educação deficiente, etc., etc. Mas o sistema político está petrificado, não quer saber de ouvir as ruas. Será que Sarney, Calheiros, Jáder, Lula, querem ouvir as vozes das ruas? Não creio. E este é o grande desafio que o país vai enfrentar nos próximos meses.

 



 
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COMENTÁRIOS
26/06/2013
(Marco)

Professor Villa, assito sempre as segundas o sr. no JC, e gostaria de ouvir o que foi dito nesta entrevista sobre a atuação da polícia lá no jornal da cultura. me parece que certos assuntos são tabus. Já basta o anarquista do Novaes
 
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