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A palavra D
04/06/2013 - Victor Davis Hanson
Não existem quaisquer estatísticas precisas sobre quantas pessoas estão vivendo nos Estados Unidos ilegalmente. E como é que se define a deportação?

Deportação se tornou uma palavra quase tabu. No entanto, os recentes atentados em Boston, inevitavelmente, reacenderam velhas questões sobre a forma como os EUA admitem, ou, às vezes, deportam os cidadãos estrangeiros. Apesar das politicamente dirigidas e cíclicas afirmações da administração Obama sobre deportar ou muito mais ou muito menos não-cidadãos, ninguém sabe quantos estão realmente sendo enviados para casa – por uma variedade de razões.


Não existem quaisquer estatísticas precisas sobre quantas pessoas estão vivendo nos Estados Unidos ilegalmente. E como é que se define a deportação? Se alguém da América Latina é detido pelas  autoridades uma hora depois de atravessar ilegalmente a fronteira, ele conta como "preso" ou "deportado"? "Deportação" agora é politicamente incorreto, como a palavra T – "terrorismo" – que o governo também procura evitar. A ênfase atual do governo é aumentar a imigração legal e a concessão de anistias, mas nem por isso Washington é tão interessado em esclarecer a deportação. Por que foi concedido asilo à família Tsarnaev nos Estados Unidos – e por que depois alguns de seus membros não foram deportados? Oficialmente, os Tsarnaevs vieram para cá como refugiados. Como chechenos étnicos e ex-moradores do Quirguistão, aqui eles procuraram "asilo" da perseguição antimuçulmana – uma vez que a Rússia travou uma guerra brutal na Chechênia contra militantes islâmicos.

 

Sim, o ambiente na Rússia islâmica foi e pode ser mortal. Mas se os Tsarnaev supostamente estavam em perigo em seu país natal, por que o pai, Anzor, depois de alguns anos escolheu voltar ao Daguestão, na Rússia, onde ele agora, aparentemente, vive em relativa segurança? Por que um dos supostos terroristas de Boston, Tamerlan Tsarnaev, retornaria à sua terra natal, durante seis meses no ano passado – dado que a fuga de um lugar tão inseguro foi a razão pela qual os Estados Unidos concederam asilo a sua família em primeiro lugar?


Isso não é uma questão irrelevante. Recentemente, foi generosamente concedido asilo a alguns somalis supostamente perseguidos, para imigrarem para comunidades de Minnesota, só para depois voarem de volta para a Somália para travar a jihad. Foram eles verdadeiros refugiados que fogem da perseguição contra os muçulmanos, ou extremistas procurando um descanso nos Estados Unidos?

 

O que, exatamente, justifica deportação de imigrantes de qualquer status? Incapacidade de encontrar trabalho e se tornar autossustentável? Aparentemente, não. A família Tsarnaev supostamente tinha se mantido da assistência pública. Esta não é uma preocupação isolada ou incomum. A própria tia do presidente Obama, Zeituni Onyango, não só quebrou a lei de imigração por seu visto de turista ter expirado, mas também a violação foi agravada por receber ilegalmente assistência do estado como uma residente de habitação pública. Só depois que Obama foi eleito presidente finalmente foi concedido asilo político a sua tia, sob a elegação de que ela estaria insegura em seu Quênia natal.


Aqueles que residem aqui ilegalmente deveriam, pelo menos, evitar a prisão e seguir as regras do seu país de adoção? Aparentemente, não – dado que Tamerlan Tsarnaev, um boxeador habilidoso, foi acusado, em 2009, de violência doméstica contra sua namorada. Sua mãe, Zubeidat, agora também vivendo na Rússia, teria sido presa no ano passado sob a acusação de furto de cerca de US$ 1.600 em bens de uma loja de Boston. Novamente, essas não são questões irrelevantes. O próprio tio do presidente Barack Obama, Onyango Obama, atualmente reside ilegalmente nos Estados Unidos. Em 2011, ele foi indiciado por dirigir embriagado, depois de quase bater em um carro da polícia. Será que abraçar movimentos ideológicos radicais que travam uma guerra contra os Estados Unidos seria um motivo de deportação? Aparentemente, não. Tamerlan Tsarnaev foi entrevistado pelo FBI em 2010, com base em informações de uma agência de inteligência estrangeira de que ele poderia representar uma ameaça como um islamita radical. O FBI sabia das postagens de Tsarnaev na Web sobre suas simpatias não tão privadas para com o Islã radical. Os americanos são um povo generoso que tomam mais imigrantes do que qualquer outra nação do mundo. Assim, o ponto de discórdia no debate atual sobre a "reforma da imigração" não é necessariamente a concessão de residência por si só – já que a maioria dos americanos estão dispostos a considerar um caminho para a cidadania, mesmo para aquele que, inicialmente, quebrou a lei de imigração, mas, desde então, não foi preso, tem evitado assistência pública, e já tentou aprender a língua e os costumes do seu país recém-adotado. O problema é o que fazer com aqueles que não fizeram tudo isso.

 

A menos que o governo possa assegurar ao público que agora deve aplicar as leis de imigração existentes, que os cidadãos estrangeiros precisam, pelo menos, evitar a prisão e assistência pública, e que está pouco inclinado a conceder asilo aos "refugiados" de regiões islâmicas devastadas pela guerra e em seguida, permitir-lhes ir e voltar periodicamente de suas terras supostamente hostis, haverá pouco apoio para o projeto de lei de imigração atual.

 

Em suma, os irmãos Tsarnaev ofereceram-nos um momento de aprendizado proverbial sobre o que se tornaram políticas de imigração quase suicidas.

 

Publicado originalmente no Tribune Media Services. Também disponível no site do autor.

 

Tradução: Maria Júlia Ferraz

 

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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