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Queimar Dentista ou Chutar Cachorro? – A Imprensa do Brasil
22/05/2013 - Milton Simon Pires
Esta é a imprensa do Brasil: onde queimar uma pessoa é muito menos grave que chutar um cachorro.

A resposta para a pergunta do texto é – claro que nenhum dos dois, “né Bial”? Mas como provocação inicial ajuda a despertar o interesse das pessoas.

 

Cinthya Magaly Moutinho de Souza, 47 anos, dentista, foi queimada viva em seu consultório, em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista, no último dia 25 de abril. Dias depois começou a circular nesta grande lata de lixo virtual chamada Facebook o vídeo de uma doente mental espancando um filhote de poodle aqui em Porto Alegre.

 

Respondam com toda sinceridade – qual das duas notícias causou maior “repercussão” (seja lá o que isso queira dizer) na mídia nacional? Por favor não argumentem que a primeira foi o relato de algo que já havia acontecido e que a segunda foi uma barbaridade gravada e transmitida quase “em tempo real”.

 

Há tempo venho afirmando, ainda que para desgosto de vários jornalistas sérios que existem no país, que QUASE TODA imprensa brasileira está pautada por uma “agenda politicamente correta”. Eu não seria tolo a ponto de afirmar que “Facebook” é jornalismo verdadeiro. Para ser sincero não sei nem como definir essa coisa – para mim não passa de Big Brother Brasil levado à internet – mas tudo bem; essa porcaria de rede social não é o assunto do texto. Por outro lado, seria muita ingenuidade pensar que a repercussão que aquela maldade com o cachorro teve nela não influenciou (e muito) os grandes jornais. Insisto, e não vou mudar de ideia, que todos os crimes assim o são definidos porque estão previstos em lei mas (e aí o objetivo do artigo) vivemos numa época em que alguns deles são mais abomináveis do que outros. Afirmo haver sido criada uma agenda politicamente correta para nos sentirmos chocados. Uma criança brasileira pobre morrendo num hospital imundo do Rio de Janeiro, só para dar um exemplo, não é tão “chocante” quanto um ciclista, seja lá de que classe social for, atropelado numa passeata de final de semana. Um filhote de foca agonizando numa praia gaúcha é infinitamente “mais sério” do que fraude com a verba da merenda escolar. Um gay que levou uma surra na saída de uma balada em São Paulo pode levar o país “às lágrimas”, enquanto um policial militar paraplégico após um tiroteio na Baixada Fluminense é esquecido em três dias.

 

Esse é o fenômeno que está acontecendo na sociedade e no jornalismo brasileiros! Gostaria de saber quando algum professor universitário vai ter tempo e disposição para escrever sobre isso de maneira mais séria que um simples médico aqui de Porto Alegre. Enquanto espero, vou continuar assistindo a esse festival de “crimes do século XXI”, transmitidos pelas redes sociais, mudarem os nossos valores mais profundos sobre a gravidade que merece ser atribuída àquilo que nos apresentam.

 

Não tenho mais nenhuma dúvida alguma: quem queima pessoas, estupra e assalta no Brasil de 2013 ainda poderá ser considerado um “excluído social”. Alguém que “não teve educação” nessa “sociedade neoliberal” e pode até ter sua pena reduzida. Suas razões não se justificam, mas a filosofia do Facebook ajuda a compreendê-las, né?

 

Para quem chuta cachorro, não! Esse é um criminoso irrecuperável! Deveria ser colocado em prisão de segurança máxima e esquecido lá para o resto da vida!

 

Pobre país que tem uma imprensa dessas... a imprensa do aquecimento global, dos ciclistas e do casamento gay... a imprensa dos médicos cubanos e das cotas raciais... a imprensa em que notícia sobre queimar uma pessoa é muito menos que grave que chutar um cachorro – a Imprensa do Brasil!

 



 
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COMENTÁRIOS
21/06/2013
(thames)

é o pressuposto de sempre: quem queima gente é, por definição, uma vítima pobre da sociedade rica, criminosa, desigual e omissa; já o cão que leva um chute é a vítima de um ou mais indivíduos sádicos, selvagens, preconceituados e politicamente condenáveis
 
20/06/2013
(Anselmo Heidrich)

Muitos psicopatas assassinos fizeram um treino em sua tenra idade torturando e matando animais por puro prazer. Mesmo que alguém não tenha lá muito apreço por eles deveria, ao menos, se perguntar se não há uma função educativa e de sociabilidade em não agredir ninguém gratuitamente e que sua manifestação com animais é um prólogo do que o agente agressor pode vir a fazer com seus colegas humanos. Caso alguém mais se interesse pelo tema e que não parta do simplismo "homem vs. animal" pode conferir alguns rascunhos sobre o tema em: "O Homem e o Mundo Natural" (resenha) [http://acasadefenrir.blogspot.com.br/2007/05/o-homem-e-o-mundo-natural.html] E aqui, algumas notas esparsas sobre o tema: http://inter-ceptor.blogspot.com.br/search/label/animais
 
23/05/2013
(Daniel Moreno)

A tese do autor é furadíssima. Se ele mostrar um caso de agressor de animal que tenha sido punido, começamos a conversar. E a mesma imprensa que ele alega consternar-se mais com maus tratos a bichos que com assassinatos bárbaros de seres humanos tem orgasmos de contentamento ao exibir regularmente as barbaridades cometidas em rodeios e circos em seu horário nobre.
 
22/05/2013
(Sérgio Gomes)

Parabéns pelo texto e pelo site, ótimo. Quanto ao que foi escrito, reproduz fielmente o que tenho conversado com amigos, ou seja, é o politicamente correto dominando tudo. Outro dia mesmo, uns conhecidos meus estavam indignadíssimos porque a prefeitura havia cortado uma das árvores de uma praça e eu caí na besteira de dizer: "também não é pra tanto, é só uma árvore", tive que ouvir: "você tá loco, pra mim uma árvore é igual uma pessoa, vale até mais as vezes", "pra quê cortar a 'pobre' da árvore" (árvores ganharam até sentimento agora). Enfim, queria apenas manifestar meu apoio ao site e ao conteúdo que tem aqui sido publicado - continuem o bom trabalho.
 
22/05/2013
(nedinho)

Vi com estes olhos que a terra há de comer, na Praça XV, centro de Florianópolis, um caminhão de bombeiros com sirenes ligadas alçando velozmente escada magirus para tirar um gato de uma árvore, bem lá no alto. Abismados os transeuntes observavam e aplaudiram no fim da arriscada operação (o gato unhava o bombeiro). Na redondeza, diversos 'zumbis' crackeados circulavam ou dormiam. Estes são indiferentes ao povaréu. Vale mais dar comida aos pombos que sujam toda a Catedral e arredores do que dar um pão a um sem-teto. Esta é a nossa visão 'politicamente correta' do mundo. Triste mundo por sinal.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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