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Educação pelo assassinato em Boston
26/04/2013 - Daniel Pipes
Qual será o impacto a longo prazo do ataque a Maratona de Boston e a perseguição estilo filme de ação que se seguiu?

Qual será o impacto a longo prazo do ataque a Maratona de Boston de 15-19 de Abril, matando um total de quatro pessoas e ferindo 265, e a perseguição estilo filme de ação que se seguiu?

 

Vamos começar com o impacto que não vai haver. A opinião pública americana não ficará unida; se o slogan "United We Stand" durou poucos meses após o 11 de Setembro, o consenso após Boston vai ser ainda mais evasivo. A violência não vai levar a medidas de segurança ao estilo israelense nos Estados Unidos. Nem vai levar a uma maior preparação para lidar com a síndrome da jihad e sua violência mortal súbita. Não vai acabar com a disputa sobre os motivos por trás da indiscriminada violência muçulmana contra os não-muçulmanos. E certamente não vai ajudar a resolver os debates atuais sobre a imigração ou armas.

 

O que ele vai fazer é muito importante: ele irá levar alguns ocidentais a concluir que o Islamismo é uma ameaça ao seu modo de vida. De fato, cada ato de agressão muçulmana contra os não-muçulmanos, seja ele violento ou cultural, recruta mais militantes para a causa anti-jihad, mais eleitores a partidos insurgentes, mais manifestantes para os esforços de rua anti-imigrantes, e mais doadores para causas anti-islâmicas.

 

Educação pelo assassinato é o nome que dei a esse processo em 2002; nós, que vivemos em democracias, aprendemos melhor sobre o Islamismo quando o sangue flui nas ruas. Muçulmanos começaram com um enorme estoque de boa vontade, porque o DNA ocidental inclui simpatia por estrangeiros, as minorias, os pobres e as pessoas de cor. Islamistas então dissipando esta boa vontade ao engajar-se em atrocidades ou exibir atitudes de supremacia. Terrorismo de alto nível no Ocidente – 11 de Setembro, Bali, Madrid, Beslan, em Londres – movimenta a opinião mais do que qualquer outra coisa.

 

Eu sei porque eu passei por esse processo em primeira mão. Sentado em um restaurante na Suíça em 1990, Bat Ye'or [1]  traçou para mim seus medos com relação às ambições islâmicas na Europa, mas eu pensei que ela era alarmista. Steven Emerson [2] me ligou em 1994 para me dizer sobre o Conselho de Relações Americano-Islâmicas, mas eu inicialmente dei ao CAIR o benefício da dúvida. Como outros, eu precisava de um tempo para acordar sobre toda a extensão da ameaça islâmica no Ocidente. Os ocidentais realmente estão despertando para esta ameaça. Pode-se ter uma noção vívida olhando as tendências na Europa, que sobre os temas da imigração, Islã, os muçulmanos, o Islamismo e a Sharia (lei islâmica) está à frente da América do Norte e Austrália cerca de 20 anos. Um sinal de mudança é o crescimento de partidos políticos voltados para estas questões, incluindo o Partido da Independência no Reino Unido - UKIP, a Frente Nacional na França, o Partido do Povo na Suíça, o Partido para a Liberdade de Geert Wilder, na Holanda, o Partido do Progresso da Noruega, e o Democratas da Suécia. Em uma recente eleição suplementar muito notável, o UKIP ficou em segundo lugar, aumentando a sua porcentagem de votos de 4% para 28%, criando, assim, uma crise no Partido Conservador.

 

Os eleitores suíços aprovaram um referendo em 2009 que proíbe minaretes por uma margem de 58 a 42, um voto mais significativo pela proporção do que pelas suas implicações políticas, praticamente nulas. Sondagens de opinião na época descobriram que outros europeus compartilhavam esses pontos de vista aproximadamente nessas mesmas proporções. Sondagems mostram também um endurecimento significativo de pontos de vista ao longo dos anos sobre estes temas. Aqui (com agradecimentos a Maxime Lépante) são algumas pesquisas recentes da França:

 

67% dizem que os valores muçulmanos são incompatíveis com os da sociedade francesa
70% dizem que há muitos estrangeiros
73% veem o Islã negativamente
74% consideram o Islã intolerante
84% são contra o hijab em espaços privados abertos ao público
86% são favoráveis ao reforço da proibição da burqa

 

Como nota Soeren Kern [3], opiniões semelhantes sobre o Islã aparecem na Alemanha. Um relatório recente do Institut für Demoskopie Allensbach perguntou quais as qualidades os alemães associam ao Islã:

 

56%: trabalha para a influência política
60%: vingança e retaliação
64%: a violência
68%: a intolerância para com outras religiões
70%: o fanatismo e o radicalismo
83%: a discriminação contra as mulheres

 

Em contrapartida, apenas 7% dos alemães associam o Islã com abertura, tolerância e respeito pelos direitos humanos. Essas maiorias dominantes são mais elevadas do que nos anos anteriores, o que sugere um endurecimento europeu e que a hostilidade ao Islamismo vai crescer ainda mais ao longo do tempo. Desta forma, a agressão islâmica assegura que o anti-Islamismo no ocidente está ganhando sua corrida com o Islamismo. Ataques muçulmanos de alto nível como os de Boston exacerbam essa tendência. Essa é a sua importância estratégica. Isso explica meu otimismo cauteloso sobre a repulsa à ameaça islâmica.

 

Publicado originalmente no Washington Times. Também disponível no site do autor.

 

Tradução: Maria Júlia Ferraz.

 

 

Notas Redação M@M:

[1] Escritora e comentarista política egipicia.

[2]  Escritor e jornalista americano.

[3] Analista político especializado em questões europeias.

 

Sobre o assunto leia também As apostas da imigração

 



 
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COMENTÁRIOS
16/05/2013
(Regina Coeli Simões Caldas)

O que me chama a atenção, é que nem um expert em islamismo como o Daniel Pipes, presta atenção à cooptação islâmica de jovens europeus. http://etudiant.lefigaro.fr/les-news/actu/detail/article/pres-de-80-jeunes-belges-ont-rejoint-le-front-syrien-1522/ http://www.lefigaro.fr/international/2013/03/12/01003-20130312ARTFIG00564-plus-de-50-djihadistes-francais-en-syrie.php http://www.youtube.com/watch?v=W3hDYCOiMqo
 
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