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> EUA e Geopolítica
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As grandiosas e velhas fantasias sobre o Islã radical
- Victor Davis Hanson
Os Estados Unidos possuem respostas para graves problemas que afligem o país há décadas. Basta apenas a vontade política para implementá-las.

A maior parte das coisas que lemos na mídia popular sobre o Islã radical são fantasias. Elas são divulgadas com a errônea crença de que tais dogmas irão apaziguar, ou ao menos direcionar sua ira a outro lugar. Mas dado os recentes acontecimentos – assassinatos na Argélia, guerra em Mali, a bagunça na Síria e o caos na Líbia – vamos reexaminar algumas das mais comuns heresias. Tal análise é especialmente pontual, uma vez que Sr. Brennan acreditou que a jihad é uma busca pessoal por perfeição espiritual; o Sr. Kerry acreditou que Bashar Assad era potencialmente um reformador moderado; e o Sr. Hagel acreditou que o Irã não era digno de sanções, o Hezbollah não merecia o ostracismo e que Israel é igualmente culpado pela bagunça no Oriente Médio.

1- O contato com o Ocidente modera muçulmanos radicais

Teoricamente, residir no Ocidente poderia instruir jovens imigrantes muçulmanos sobre as vantagens do mercado livre, de um governo constitucional e liberdades protegidas pela lei. Mas como vimos com muitos dos sequestradores do 11 de setembro, para um grande conjunto de expatriados muçulmanos, sucede-se uma estranha esquizofrenia: eles apreciam - na verdade, buscam – as recompensas materiais do Ocidente. Abstratamente, destes, muitos ou desprezam o que a riqueza e a abundância fazem com os cidadãos (por exemplo, casamento homossexual, feminismo, tolerância religiosa, secularismo, etc.) ou procuram imaginar teorias conspiratórias para explicar por que seu lar adotivo é melhor do que o lar original que abandonaram.

Finalmente, estudantes estrangeiros, jornalistas e expatriados religiosos tendem a se congregar em volta dos campus americanos e nas grandes cidades liberais. Ali, eles são muitas vezes alimentados com críticas raciais/de classe/gênero à América, e aparentemente acreditam que seu próprio antiamericanismo deve ser naturalmente compartilhado por milhões de americanos de Bakersfield à Nashville. Pegue por exemplo Mohamed Morsi, o novo presidente teocrático do Egito. Ele deveria estimar os Estados Unidos. Este lhe deu refúgio da perseguição no Egito. Este, permitiu a irrestrita expressão de seus pontos de vista antiamericanos. Este lhe educou dentro dos preceitos da meritocracia e lhe ofereceu emprego com segurança dentro do sistema CSU, apesar de seu status de estrangeiro. Deu cidadania a duas de suas filhas (aparentemente retidas). Mas o resultado é que o Sr. Morsi é um antissemita e antiamericano abjeto (macacos e porcos). Ele não acredita que terroristas causaram o 11 de setembro. Ele quer que o detento, e assassino Sheik Cego, que foi o arquiteto do primeiro atentado a bombas no World Trade Center, seja enviado para casa no Egito. E ele está forçando a transformação do Egito numa versão sunita do Irã.

2- O Ocidente deve reparações por seus comportamentos passados

Eu notei em outros lugares tanto as fantasias presentes no discurso no Cairo de Barack Obama e sua irrelevância generalizada ao mundo muçulmano. Pesquisas de opinião do Paquistão a Palestina – ambos receptadores de auxílio massivo americano – mostram que os Estados Unidos são tão impopulares sob Obama quanto eram sob Bush. Todas as pequenas nações possuem reclamações legais contra nações maiores, especialmente o globalmente onipresente Estados Unidos. Mas a América deve ser vista em comparação com… o quê? A artilharia e barragem de mísseis russos que destruíram a cidade muçulmana de Grozny (que a ONU declarou como a cidade mais destruída do mundo?)? A China, que declara como ilegal a liberdade de expressão do islã e persegue as minorias muçulmanas? Ambos são amplamente deixados em paz pela Al Qaeda, devido sua postura de não se desculpar, sua possível imprevisível resposta e inabilidade de oferecer aos agressores um globalizado fórum midiático.

Em contraste, nem uma única nação recebe mais imigrantes muçulmanos do que os Estados Unidos. Nenhuma nação não muçulmana dá mais auxílio externo para o mundo muçulmano do que os Estados Unidos – Paquistão, Jordânia, Egito, Palestina. Nenhuma nação buscou tanto salvar muçulmanos de violência ditatorial – quer bombardeando cristãos europeus para salvar muçulmanos nos Bálcãs; persuadindo os kuwaitianos a poupar palestinos vira-casacas em 1991; procurando alimentar somalis famintos; auxiliando muçulmanos em luta contra os russos no Afeganistão; libertando kuwaitianos de Saddam; reconstruindo o Iraque; reconstruindo o Afeganistão do terror talibã; procurando liberar líbios do Kadafi; e a lista continua.

As fontes da raiva radical islâmica, portanto, não são ações passadas dos Estados Unidos. Leia o The Al Qaeda Reader para mapear todas as bizarras desculpas que Bin Laden e o Dr. Zawahiri alegaram ser as raízes de sua raiva contra os Estados Unidos. Então, exatamente por que o islã radical nos odeia? Em sua maioria devido às antigas ondas de insegurança, inveja, e um sentimento de inferioridade – e a percepção de que tais reclamações ganham desculpas, atenção e algumas vezes dinheiro. Em um mundo globalizado, muçulmanos veem diariamente que todos, desde sul-coreanos a norte-americanos, estão em uma situação melhor. Por quê? Na visão deles, não devido à economia de mercado, meritocracia, igualdade nos gêneros, pluralismo religioso, governos consensuais e o cardápio ocidental de liberdades individuais. Tirar esta conclusão significaria rejeitar as sociedades tribais, o apartheid dos gêneros, intolerância religiosa, antissemitismo, estadismo, autoritarismo e a teoria da conspiração – e admitir causa local ao invés da culpa externa. Ao contrário, é muito mais fácil culpar “eles” por transformar o majestoso império islâmico de outrora no caos do islã moderno – assim como culpar árabes seculares cuja ausência de fanatismo religioso permitiu que o Ocidente avançasse. Todos os antídotos a essas crenças dedutíveis – auxílio externo, democratização, tentativa de conciliação e aproximação, melhores comunicações – até agora se mostraram ambíguas na melhor das hipóteses.

3- Israel é a fonte do ódio muçulmano

Perceba dois fatos sobre os atuais extermínios em massa no mundo muçulmano, no Afeganistão, Argélia, Líbia, Mali, Síria e Iêmen. Primeiramente, nada disso tem relação alguma com Israel. Segundo, o mundo muçulmano está em sua maioria silencioso quanto a esta carnificina que faz da somatória da resposta Israelense aos mísseis provenientes de Gaza minúscula. O mundo muçulmano não pode fazer nada sobre a violência entre muçulmanos, mas aparentemente acredita que outros podem fazer muito quanto à violência israelense contra muçulmanos, que é, no máximo, esporádica.

Por que, então, os Ocidentais frequentemente usam Israel como bode expiatório? Um número de considerações muito humanas, além da mais óbvia, antissemitismo, como a riqueza em petróleo do mundo árabe, e a vasta diferença demográfica entre 1 bilhão versus 7 milhões. Nós temos influência com o estado de Israel, liberal e ocidentalizado, mas nenhuma com o Sr. Morsi ou os assassinos líbios ou os assassinos de reféns argelianos. Pressão simbólica é um mecanismo psicológico para desculpar a impotência factual. O mundo árabe é tão complexo e tão despedaçado pelas sociedades tribais, fissuras religiosas e patologias embutidas que a mente ocidental busca, em um único golpe de espada contra Israel, cortar tal complexo nó górdio. Por enquanto, o problema é supostamente o Sr. Netanyahu, que em aparência e discurso pode ser facilmente demonizado como um neoconservador americano. No entanto, todas as reclamações contra Israel são em quaisquer outros lugares no mundo lugar comum e em sua grande maioria ignoradas: nossas matanças com os drones superam seus assassinatos direcionados; a Nicósia, dividida, supera Jerusalém; Ilhas ocupadas ao largo do Japão ou o Tibete superam a Margem Ocidental; a purificação nas capitais árabes de mais de um milhão de judeus ou os 13 milhões de alemães purificados da Europa Oriental superam a fuga de árabes da Palestina. Um alemão desalojado falando sobre o direito de voltar a “Danzig” é assustador; que um palestino demande moradia em Haifa, após as mesmas sete décadas de ausência, é apropriado.

4- Os Estados Unidos podem resolver os problemas do Mundo Muçulmano

Eu apoiei a guerra no Iraque como uma maneira de se livrar de um antigo inimigo dos Estados Unidos, Saddam Hussein, de acordo com as 23 diretrizes legais de ação aprovadas pelo Congresso. Nós fizemos isso, acabamos com 12 anos de contenção e de zonas de voo interditadas e derrotamos uma enorme coalizão islamista que afluíram para o Iraque para travar a Jihad. Com isso dito, o Iraque está mais estável que a Síria ou a Líbia principalmente porque a presença dos Estados Unidos serviu de babá para mudanças democráticas. Ao ponto de que o Iraque irá se reverter ao usual paradigma árabe é provavelmente contingente ao fato de que os Estados Unidos se recusaram em deixar ao menos uma pequena guarnição e simplesmente retiraram-se completamente.

Em outros lugares, eu não acredito que a intervenção ocidental na Líbia levou a muitas melhorias em comparação ao pesadelo ditatorial de Kadafi. Morsi pode fazer com que o cleptocrata Mubarak pareça uma cara legal daqui a um ano. Escolha o que quiser na Síria: a segurança assassina da polícia secreta de Assad ou caos assassino das gangues islamistas. Tenho certeza de que existem alguns tipos dignos de serem executivos do Google Inc. entre todos os dissidentes, mas também tenho certeza de que nenhum destes chegará ao poder – e muitos preferirão fugir de seus respectivos países. Ninguém está pressionando a Arábia Saudita do século VIII a se tornar um Egito democrático do século XXI. A Europa Oriental – desfigurada por meio século de comunismo imposto pela URSS, despedaçada por guerras passadas entre a Rússia e a Europa, com uma legacia odiosa de ocupação Otomana no sudeste, distante da Renascença, da Reforma, e da exploração do Novo Mundo – foi salva por sua herança ocidental e por sua incorporação na Europa, ao menos por enquanto. Quanto ao mundo muçulmano, eu não vejo tal herança ou a possibilidade de intervenções deste tipo pelo Ocidente. Talvez um dia, a globalização ou as elites ocidentalizadas pela riqueza do petróleo, como em Dubai, possam fazer a diferença – ou talvez não.

Neste ponto, a abordagem terapêutica da administração Obama – a jihad é uma jornada pessoal; Major Hassan cometeu violência no local de trabalho e colocou em risco o programa de diversidade do exército; terrorismo é um desastre causado pelo homem; antiterrorismo é uma operação de contingência do outro lado do oceano; não existe guerra contra o terrorismo islâmico; julgar KSM em um tribunal civil; diversas conversas sobre fechar Guantánamo; ler os direitos de Miranda a suspeitos de terrorismo; espalhafatosamente inventar subestimadas descobertas e invenções islâmicas - é além de tola e vergonhosa, também perigosa. A abordagem terapêutica envia a mensagem para o jovem terrorista de que nós somos, de alguma forma, os culpados pela violência que ele pretende cometer, de que podem não ocorrer repercussões perigosas em razão de seus atos terroristas, ou de que nós não acreditamos nos valores de nossa cultura tanto quanto ele acredita nos dele.

5- Nós estamos amplamente a salvo das revoltas islâmicas

Enquanto somos amplamente impotentes em termos de modernizar o mundo árabe e islâmico e enquanto muitos de seus conflitos não envolvem nenhum importante interesse dos Estados Unidos, eu acredito que não podemos simplesmente lavar nossas mãos quanto ao islã radical. O 11 de setembro nos ensinou que assassinos pré-modernos ainda podem alcançar ocidentais pós-modernos. Os rendimentos provenientes do petróleo irão dar ao Irã não apenas a bomba, mas em dez anos, a habilidade de enviá-la à Europa e possivelmente aos Estados Unidos por mísseis. E se existirão armas nucleares persas, pode muito bem vir a existir uma egípcia ou saudita também. O Paquistão pode a qualquer momento perder suas ogivas para a Al-Qaeda. Populações muçulmanas crescentes na Europa – o embrião do Holocausto – já estão alterando sua geopolítica. Mais de 40 conspirações terroristas foram descobertas nos Estados Unidos após o 11 de setembro. Uma característica do islã radical é o niilismo, o desejo mórbido de destruir tudo o que não se consegue criar.

Resumindo, nós devemos continuar nossa vigilância antiterrorista, manter nosso poderio militar, falar honestamente com o público e buscar alianças com nações simpáticas que compartilham nossas visões sobre o islã radical.

E agora?

O mais importante, está na hora de rever nossa postura quanto ao mundo muçulmano. Dar bilhões de dólares em auxílio para o Egito do Sr. Morsi é insustentável, tanto logística quanto moralmente. Nós deveríamos, silenciosamente, traçar um plano de cinco anos para alcançar uma política de auxílio zero, um corte que poderia ser revisto caso o Sr. Morsi se mostrasse um reformista (grande chance). Tal diminuição de auxílio ao Paquistão e a Palestina. A chave é não focar em sonoras lições de moral, mas de maneira quieta, porém firme, girar a torneira em sentido horário. Se antiamericanismo recebe dinheiro americano (segundo pesquisa, o Paquistão e a Palestina acabam de ser colocados como as nações mais antiamericanas), então talvez nenhum dinheiro americano possa ganhar um pouco de pró-americanismo.

Em geral, nossa política de imigração está arruinada. Mas, deveríamos rever radicalmente emitir visas para aqueles de países não democráticos no Oriente Médio. Este hiato não precisa ser permanente, mas pode enviar uma silenciosa mensagem de que existe um custo a ser pago pelo antiamericanismo.

A autossuficiência em petróleo e gás natural é agora possível de uma forma inimaginável há apenas quatro anos. Em outras palavras, existem agora novas respostas para nossas antigas preocupações: a interrupção de estabelecer a segurança nacional no Golfo Persa; um fim para a Liga Árabe manter nossa política externa como refém; um fim para criticar Israel em cortejar o Hamas; interromper nossa desastrosa balança comercial causada por importar petróleo supervalorizado – assim como a possibilidade de substituir carvão pelo gás natural, de combustão mais limpa, criar milhões de novos empregos em casa, e receber rendas para ajudar a pagar nosso déficit. Não desenvolver novas jazidas em propriedades públicas e cancelar o oleoduto em Keystone, não é apenas errado, mas errado ao ponto de ser lunático.

Ao ponto de que a administração silenciosamente manteve a maior parte dos protocolos antiterroristas Bush-Cheney, que em modo campanha eleitoral oportunisticamente criticaram e ao ponto de que suas próprias sonoras iniciativas ou foram engavetadas ou enfrentaram uma tempestade de oposição no Congresso, nós fomos mantidos seguros por mais quatro anos. Mas se acreditarmos em qualquer um dos cinco truísmos mencionados acima, nós não estaremos seguros por muito mais tempo.

 

Publicado originalmente em PJ Media, no dia 27 de janeiro de 2013. Também disponível no site do autor.

Tradução: Roberto Ferraracio

 



 
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COMENTÁRIOS
26/04/2013
(Adriano)

Enquanto isso, muçulmanos estão colonizando a Europa.
 
25/04/2013
(João Nemo)

O Prof. Victor D Hanson sofre da mesma moléstia que o Prof. Thomas Sowell: excesso de lucidez. Isso hoje é um pecado quase imperdoável. O artigo é estupendo pela clareza e objetividade e destaca a perplexidade natural que todos deveríamos ter em relação à quantidade de tolices que se pratica em diversos assuntos. A psicologia de almanaque já causou estragos homéricos na Educação, na Administração, e agora (ainda mais grave) no campo das relações internacionais. O culpado pelas besteiras do filhos são sempre os pais; o culpado pela irresponsabilidade dos funcionários é sempre o chefe; os culpados pela violência dos bandidos somos todos nós, particularmente as vítimas e, agora, o culpado pela mentalidade tribal, a inveja e a insanidade dos radicais islâmicos é o Ocidente.
 
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