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A escalada da estupidez
- Joao Luiz Mauad
Eis por que o capitalismo de livre mercado é tão poderoso: o que o comanda e o faz funcionar é nada menos que a própria natureza humana.

O governo da senhora Kirchner decidiu adotar uma “solução” tão conhecida como ineficaz para combater a inflação, que anda pelas alturas na Argentina: o congelamento de preços.

A capacidade de raciocinar logicamente é uma daquelas coisas que distingue homens e mulheres das bestas. Qualquer criança que já tenha jogado “Banco Imobiliário” é capaz de entender que, quando a oferta de moeda é aumentada para além da disponibilidade de bens, os preços tendem a subir. A inflação não tem mistério. O mistério está na estupidez humana, que teima em pensar que controles de preços e salários funcionam e podem ser impostos pela força.

OK, o raciocínio lógico às vezes pode ser complexo. Mas e a experiência? Será que essa gente nunca estudou História? Pelo jeito, não. Se tivessem estudado saberiam que congelamentos de preços já foram tentados milhares de vezes ao longo dela, com resultados sempre semelhantes – um período de inflação reprimida, seguido pelo desaparecimento de mercadorias e, quase sempre, pelo colapso da lei e da ordem.

Se eu pudesse passar um dever de casa para a Sra. Kirchner e seus acólitos, mandaria que lessem o livro "Quarenta Séculos de Controles Preços e salários: Como não combater a inflação", escrito pelo historiador Robert Schuettinger e pelo economista Eamonn Butler. Nele, os autores examinaram cerca de 100 casos em que governantes de diversos tempos e locais, de faraós e imperadores a presidentes eleitos democraticamente, tentaram em vão deter a inflação através de controles de preços.

A maior lição do livro é mostrar os resultados práticos sempre que se tentou fabricar uma realidade paralela e resolver o problema decretando que ele não deveria existir. Os autores demonstram com fatos que, embora os controles de preços tenham algum impacto imediato, essas políticas sempre falharam no longo prazo, especialmente porque não combatem a verdadeira causa da inflação: o aumento da oferta de moeda muito além da produtividade.

Um dos casos mais famosos e significativos foi o do Imperador Diocleciano. Durante a crise do século III, a cunhagem romana de moedas foi degradada pela ação de diversos imperadores, que produziam suas moedas utilizando metais inferiores aos padrões de ouro e prata, como se estes fossem.

Diante de uma inflação galopante, o imperador fixou os preços máximos em que artigos alimentícios, roupas e outros poderiam ser vendidos, e prescreveu nada menos que a pena de morte para quem descumprisse o decreto imperial. O resultado, segundo um historiador da época, foi que, mesmo com a sombra da espada em seus pescoços, “os vendedores deixaram de lavar seus produtos aos mercados, uma vez que não poderiam conseguir um preço razoável por eles”. O comportamento (ademais essencialmente humano) de produtores e comerciantes aumentou tanto a escassez, a fome e a miséria, que a lei foi finalmente posta de lado.

Por mais que alguns teimosos tentem provar o contrário, há leis econômicas tão inexoráveis quanto as leis da física.

Adam Smith ensinou, por exemplo, que as pessoas, na procura de melhorar a sua própria situação, têm constante "propensão para permutar e trocar uma coisa por outra", o que leva a milhões de trocas que, somadas, beneficiam a sociedade como um todo.

Eis por que o capitalismo de livre mercado é tão poderoso: o que o comanda e o faz funcionar é nada menos que a própria natureza humana. Assim, o equilíbrio tênue entre oferta e demanda é ditado por preços estabelecidos em trocas livres, voluntárias e mutuamente benéficas.

A história econômica demonstra amplamente que, quando as pessoas são livres para cooperar, com mínima interferência do governo, o resultado é abundância, qualidade e preços baixos.

Por outro lado, quando o governo intervém e impõe um limite arbitrário à liberdade dos agentes, como a fixação de preços máximos, a transação passa a não ser mais lucrativa para uma das partes, mas uma perda certa. Se o vendedor não quer participar, a oferta desaparece e o resultado será a escassez. Simples assim!

 



 
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COMENTÁRIOS
13/05/2013
(Hugo Siqueira)

Dilson Funaro parecia conversar com Deus. O presidente não só continua "vivo" como sempre fazendo parte da governabilidade atual como se tornou imortal da Academia com seu "Marimbondos de Fogo". "inflação não é preço alto, mas a derivada em relação ao tempo da média de todos os preços". Guardo bem na lembrança as aulas do professor Rui Aguiar da silva Leme: professor de economia da Escola Politécnica da USP; fundador do Banco Central e seu primeiro presidente.
 
13/05/2013
(Hugo Siqueira)

Dilson Funaro parecia conversar com Deus. O presidente não só continua "vivo" como sempre fazendo parte da governabilidade atual como se tornou imortal da Academia com seu "Marimbondos de Fogo". "inflação não é preço alto, mas a derivada em relação ao tempo da média de todos os preços". Guardo bem na lembrança as aulas do professor Rui Aguiar da silva Leme: professor de economia da Escola Politécnica da USP; fundador do Banco Central e seu primeiro presidente.
 
20/02/2013
(Lamartine David)

Me espanta como essas pessoas, tanto as de lá, quanto as de cá, conseguem se eleger e se manter com alto índices popularidade...

 
14/02/2013
(Edenilson)

Aqui mesmo no Brasil tivemos um elucidante exemplo nos tempos do Dilson Funaro, Sarney e seus fiscais. Me lembro de ver pela televisão pessoas competindo entre elas pelos poucos produtos que havia nas prateleiras. Tinha 10 anos na época.

 
14/02/2013
(Paulo Santos)

Temos que lembrar que os comunistas, ora no poder, não tem projetos de governo, apenas projetos de poder.

 
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Redação: Paulo Zamboni
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